Salvador

Manifestações geraram 8,1 km de engarrafamento na manhã desta sexta-feira (11)

Os manifestantes bloquearam a Avenida ACM, e os congestionamentos se estenderam até o Itaigara, Avenida Bonocô e Avenida Paralela

Maria Landeiro e Tailane Muniz
A manhã desta sexta-feira (11), foi tomada por um engarrafamento de 8,1 km de extensão, em uma das avenidas mais movimentadas de Salvador. De acordo com a Superintendência de Trânsito (Transalvador), por volta das 7h, manifestantes bloquearam o trânsito na Avenida ACM, tomando a faixa de pedestres que fica em frente ao Shopping da Bahia. O ato, que só terminou às 11h, fazia parte de uma série de manifestações das centrais sindicais, em protesto contra a PEC 55, antiga 241.
Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO
Ainda segundo a Transalvador, às 9h, a Av. ACM se encontrava completamente engarrafada. Quem vinha do Itaigara e da Avenida Bonocô, no sentido ligação Iguatemi-Paralela, enfrentou 2,5 km e 2,4 km de engarrafamento, respectivamente. Os motoristas que partiram da Av. Paralela indo no sentido rodoviária, passaram por um congestionamento de 3,2 km.No ponto de ônibus em frente ao terminal do metrô do Detran, a auxiliar de serviços gerais Lucidalva Santana, 43 anos, e a assistente hospitalar Maria Angélica, 27, esperavam pelos coletivos. “Olha, sem ônibus não dá, não. Eu dei até sorte, porque consegui uma carona para o trabalho, então não vou sofrer muito”, disse Lucidalva. Ela é moradora de Saramandaia, e trabalha na Federação. “Apesar disso, eu sou a favor dos protestos, é uma pena que pra conseguir alguma coisa a gente tem que sofrer falta de outra”, lamentou ela, que hoje saiu de casa 40 minutos mais cedo para chegar ao trabalho.
Com os trechos da Av. Paralela e ACM sentido Itaigara e Bonocô, foram 8,1 km de engarrafamento
Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO
Maria Angélica não teve a mesma sorte com a carona. A assistente hospitalar aguardava há uma hora e meia no ponto. “Trabalho na Barra e não passa ônibus nenhum. Os pontos estão vazios porque muitas pessoas nem estão saindo de casa”. Ela é contra a paralisação dos rodoviários. “Pra quê? Não vejo sentido. Eles acham justo com quem precisa desse meio de transporte? Eu realmente não consigo entender o porquê”, afirmou.Para quem estava no Acesso Norte, as coisas não estavam melhores. "Evitei a região do Iguatemi, Av. Tancredo Neves, para vir por aqui e deu nisso”, contou o coordenador do Detran, Deivid Lins, 31. Ele veio de Arembepe para o trabalho e estava parado há mais de uma hora no local. “Mas sou a favor dos protestos. Não podemos perder nossa autonomia trabalhista como sugere a PEC. Absurdo é ficar sem isso", declarou ele, que não foi mais trabalhar hoje.Cansada de esperar, a vendedora Patrícia Gomes, 26, desceu no Acesso Norte e seguiu a pé até o trabalho no Dique do Tororó. "É o jeito, né, porque não dá pra dizer pra o chefe. Tirei uma selfie e mandei pra ele, mas mesmo assim não tenho o que fazer", contou ela, que saiu da Estação Pirajá, às 8h30 e uma hora depois ainda não havia chegado.
Alguns passageiros preferiram descer dos coletivos e seguir a pé
Foto: Tailane Muniz/CORREIO
Patrícia buscava entender o que acontecia, enquanto andava às pressas com outros pedestres. “Meu Deus, que mundo louco, viu, isso aqui parece o apocalipse. Mas se é por melhoria, eu apoio, também sou trabalhadora", finalizou a vendedora.A Transalvador orientou os carros de passeio a desviarem pelas vias marginais da Av. ACM. Quando os manifestantes liberaram a via, por volta das 11h, apenas ônibus aguardavam no local, na altura do hiperposto.Quem vinha do sentido corpo de bombeiros e rodoviária ainda ficou cerca de 20 minutos no engarrafamento após a liberação, pois não haviam outras alternativas de caminho. Às 12h o trânsito foi  normalizado e fluiu livre durante a tarde.Em sua página do Facebook, o prefeito ACM Neto, se manifestou em relação aos protestos. “O que estamos presenciando hoje em Salvador é meia dúzia de pessoas que estão transformando a cidade em um caos, enquanto a população paga um preço alto por conta de um movimento estritamente partidário. Além dos transtornos no trânsito, esses movimentos afetaram serviços essenciais da Prefeitura, como o Samu 192. Reconheço o livre direito à manifestação e o respeito aos movimentos populares, mas acho lamentável que uma ação como esta prejudique a cidade e a vida de milhares de pessoas”.Mais vias ocupadas
Apesar dos congestionamentos na ACM, este não foi o único local afetado pelas manifestações. Segundo informações do Batalhão de Polícia Rodoviária, a BA-535, conhecida como Via Parafuso, foi a que teve mais manifestantes. Cerca de 50 pessoas da Central Única dos Trabalhadores (Cut) e do Sindiquímica fecharam a rodovia por volta das 5h, nos dois sentidos na altura do KM 14.Também houve bloqueio na BA-512, no acesso à BA-093, nas proximidades da Cofic. Na BR-324, sentido Feira de Santana, um protesto, iniciado por volta das 4h30, no KM 609, bloqueou o trânsito. O mesmo ocorreu na BR-101, no KM 12, trecho de Cruz das Almas, e na BR-116, no KM 357, em Serrinha.
Correio24horas