Salvador

Marcha do Empoderamento Crespo reúne dez mil pessoas na Avenida Sete

Terceira edição do projeto tem como foco o combate ao racismo religioso

Luan Santos, do Correio 24h (luan.santos@redebahia.com.br)

Cerca de dez mil pessoas tomaram a Avenida Sete de Setembro neste sábado (18), durante a Marcha do Empoderamento Crespo, segundo os organizadores do evento. Ele chega à sua terceira edição com foco no combate ao racismo religioso.

Os participantes saíram do Campo Grande e seguem em direção à Praça Castro Alves com faixas, cartazes e bandeiras com frases de protesto. Além de Salvador, há integrantes de outras cidades da região metropolitana, além de políticos que militam em torno das bandeiras do movimento negro.

Ao logo da avenida, cabelos crespos, alisados e coloridos se misturavam a cartazes e discursos com temática de combate ao racismo e à desigualdade.

Segundo a antropóloga Naira Gomes, uma das organizadoras do evento, o cabelo é apenas uma metáfora para falar de todo o corpo negro. Neste sentido, ela ressalta, a estética é também política. "A marcha vem para afirmar e legitimar o corpo negro, que sempre foi colocado em dúvida quanto à beleza, capacidade intelectual, afetividade. A estética é política, não diferencia. Ela não é só a forma, ela é o significado", afirma.

A cabeleireira Gisele Xavier, 32 anos, levou a pequena Naila, de 9 meses, para participar da marcha. "Quero que ela aprenda desde cedo a se valorizar", diz. Participando pela primeira vez, ela considera o projeto uma importante mobilização contra o racismo. "É uma luta que deve ser diária", defende.

Os vereadores Hilton Coelho (Psol), Marta Rodrigues (PT) e Sílvio Humberto também participam da marcha. Para eles, os temas levantados durante a marcha devem pautar as discussões do legislativo municipal.

"É uma juventude que está se autoafirmando cada vez mais com a sua personalidade. Temos dois problemas muito graves hoje que são o super encarceramento é o extermínio da juventude negra. Então, precisamos de uma juventude que esteja cada vez mais empoderada", pontua Hilton.

Marta vai na mesma linha e ressalta que a marcha é também um momento de reflexão da própria realidade de Salvador. "São jovens universitários, secundaristas, que têm muito a contribuir e pautar as discussões sobre qual é a Salvador que nós queremos", diz a vereadora.