Salvador

Morador do Vale das Pedrinhas é executado mesmo com reforço de policiamento

Grupos especiais da Secretaria da Segurança Pública estão reforçando segurança na região desde sábado (7)

Tailane Muniz, do Correio 24h (tailane.muniz@redebahia.com.br)

Olhares atentos se voltavam para o centro da pracinha do final de linha, na manhã desta segunda-feira (9), no Vale das Pedrinhas, Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Caído sobre a grama, o corpo de Demerson Menezes, 46 anos, morto com vários tiros no rosto - mesmo após o policiamento ter sido reforçado no local desde sábado (7).

O policiamento foi ampliado após a morte de Ítalo Alves de Jesus Pereira, 21 anos, conhecido como Rato. Ele foi morto na noite desta sexta-feira (6) durante confronto com policiais militares na Chapada do Rio Vermelho. Após o vandalismo, o Sindicato dos Rodoviários descidiu suspender o transporte público no Vale. 

A Companhia de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) e a Companhia Independente de Policiamento Tático (Rondesp) Atlântico estão no apoio à 40ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) na região. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) não divulgou a quantidade de policiais que participa do reforço. 

Dezenas de moradores acompanharam os trabalhos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que realizou a perícia no corpo de Demerson. Muitos ali conheciam a vítima. Os poucos que quiseram falar com o CORREIO descreveram o rapaz como alguém que "não fazia mal a ninguém". 

A família também acompanhou o processo, que terminou por volta de 8h40, quando o corpo foi retirado. Emocionada, uma irmã da vítima comentou com a reportagem que o irmão sofria de problemas mentais e morava com a mãe em Santa Cruz, no mesmo complexo.

"Eu não sei o que houve, acredito que tenham feito isso de maldade. Minha mãe ainda não sabe de nada", disse ela, enquanto tentava concluir o horário que o irmão pode ter sido assassinado. Sem informações de testemunhas, tanto familiares quanto Polícia Civil consideraram o estado de rigidez do corpo para arriscar o palpite.

Em nota, a Polícia Militar informou que, nesta madrugada, um morador ouviu disparos de arma de fogo na Rua Gilberto Maltez, final de linha do Vale das Pedrinhas. "E, ao sair de casa, visualizou um homem caído ao solo, aparentemente sem sinais vitais. Segundo informações de testemunhas, a vítima chegou acompanhada de outras duas pessoas e foi executada após descer de um veículo", completa a nota. Ainda conforme a PM, uma guarnição da Companhia de Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) esteve no local.

"Ele está muito rígido já, acredito que ele tenha sofrido isso às 2h de hoje, porque costuma trocar o dia pela noite", completou a irmã de Demerson, sem se identificar. Ao CORREIO, uma prima da vítima, que também preferiu o anonimato, disse que o rapaz não tem filhos e nunca foi casado.

"Ele já chegou à se tratar com especialistas, mas aí virou homem e parou de ir ao médico. Ele não tinha inimigos que o que acreditamos é que tenha sido maldade, já que ele não usava drogas e não era uma pessoa violenta", acrescentou.

Por volta de 9h30, pelo menos quatro viaturas da Polícia do Choque permaneciam no local. Na entrada do bairro, outras duas viaturas das Rondas Especiais (Rondesp) também foram vistas nas primeiras horas da manhã.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é responsável pela investigação do crime.