Salvador

Parte do bambuzal do Aeroporto é retirado para obras do metrô

Plantas serão retiradas para alargamento da via

Nilson Marinho, do Correio 24 horas (lidenilson.araujo@redebahia.com.br)

Quem chega a Salvador de avião consegue até vê-lo de lá do alto. De longe parece até mais um resquício de mata, como tantas outras espalhadas pela região do Aeroporto Internacional. Mas é em terra que o recém-chegado tem a surpresa: um bambuzal que fecha os dois sentidos da Avenida Tenente Frederico Gustavo dos Santos, no acesso ao terminal, e que se tornou um cartão-postal da cidade.

Máquinas trabalham na remoção de parte dos arbustos (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Falando nisso, parte do bambuzal está sendo retirada para o alargamento de uma via que deve facilitar a integração dos ônibus com a futura estação de metrô do Aeroporto. Mas, antes que se pense que ficaremos sem o túnel natural, a CCR Metrô Bahia, empresa que gerencia o sistema metroviário da capital, assegurou que serão cortados apenas fragmentos das moitas de 11 touceiras do bambuzal, o que representa 0,19% da vegetação total.

A intervenção, ainda de acordo com a empresa, está sendo feita na margem esquerda, na altura do acesso à Travessa Santos Dumont, mais conhecida como Rua das Locadoras.

Os comerciantes que costumam utilizar as sombras das plantas e, sobretudo, os turistas que pisam em solo baiano, agradecem a manutenção do túnel natural. Até porque, esse é o primeiro contato que eles têm com a cidade, já que a passagem fica a poucos metros da saída do aeroporto.

Turistas

A dona de casa, Valdita Cássia, 50 anos, já até se esqueceu quantas vezes veio a Salvador, mas a sensação, garante, é a mesma de sempre. "A gente passa e fica encantada com tanto verde. É algo que não encontramos em lugar nenhum. Um cartão-postal natural, diferente dos outros. E eu costumo ficar atenta às coisas peculiares", comentou. Ela, inclusive, já registrou a paisagem com o celular, assim como tantos outros que por aqui chegam. 

Os passageiros do motorista de Uber Alan Suzart, 35, assim que adentram o túnel, vão logo pedindo para ele pisar mais leve no acelerador. Querem registrar o momento. Em alguns casos, conta ele, é preciso parar e dar uma de fotográfo enquanto o cliente posa no cenário.

Córrego

A comerciante Leleuda Ferreira, 55, que há sete anos monta sua barraca debaixo da sombra do bambuzal nas proximidades da Rua das Locadoras, reparou na movimentação das máquinas que já começaram a operar na manhã desta sexta-feira (19). 

Leleuda Ferreira vende lanches no local e acompanhou mudanças na região (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Leleuda conta que há 40 anos tudo era diferente. A vegetação era mais densa e o córrego, que fica atrás dos bambus, mais límpido. Hoje, o córrego não é o mesmo de antes - é possível sentir um cheiro forte de esgoto -, mas o bambuzal ainda continua tirando suspiro de quem já está acostumado com a vista.

Novas plantas

Ainda de acordo com a CCR, para compensar a retirada dos bambus, será realizado o plantio de árvores nativas na Área de Preservação Permanente (APP) do Rio Ipitanga, próximo à Estação Aeroporto do metrô.

Obras afetam trânsito na região (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Apesar das obras, o trânsito, informa a empresa, não sofrerá alteração, mas na manhã desta sexta era possível ver o trânsito se afunilando no local à medida que os homens trabalhavam no alargamento da via.