Salvador

Pedestres improvisam uso de ponte do terminal marítimo de São Tomé após desabamento

Parte da ponte desabou no último sábado (4)

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br )

No último sábado (4), parte da ponte do terminal marítimo de São Tomé de Paripe desabou. Após o ocorrido, a área foi isolada pela Defesa Civil de Salvador (Codesal), mas na manhã desta segunda-feira (6) pedestres improvisaram a passagem para continuar utilizando a estrutura e realizar a travessia para Ilha de Maré. 

Durante o desabamento, três pessoas caíram na água e tiveram ferimentos leves. Elas transportavam frutas, bebidas e outros materiais que foram perdidos por conta do acidente. O pai de duas pessoas, que não quis se identificar, e que acabaram caindo na água, disse que os filhos tentaram registrar um Boletim de Ocorrência sobre o caso, mas não conseguiram.

"Não foram bem atendidos, não resolveram nada. Disseram que lá [na delegacia] não podiam resolver nada, porque não morreu ninguém, e que se tivesse morrido alguém eles viriam fazer o levantamento cadavérico. Então os meninos vieram embora e foram na UPA", disse.

O homem complementou dizendo que estava muito chateado com a situação vivenciada. "Estou muito chateado [com a forma que meus filhos foram tratados], porque o ser humano não é cachorro", complementou.

Segundo reportagem da TV Bahia, a Polícia Civil enviou uma nota em que disse, que por conta dos ferimentos, as vítimas foram orientadas a ir até a UPA antes do registro da ocorrência e, em seguida retornar, à unidade policial. Ainda de acordo com o comunicado, o titular da unidade informou que aguarda o retorno das vítimas para realização do procedimento.

Problemas antigos 

Apesar de ainda ser utilizado pelos moradores da localidade, o terminal está desativado desde 2016, por questões estruturais. Por ser o único acesso de passageiros que utilizam embarcações para fazer a travessia entre São Tomé de Paripe e Ilha de Maré, o local seguiu sendo utilizado. 

Segundo moradores da região, os barcos maiores precisam utilizar o píer para atracar. Já os menores fazem embarque e desembarque de passageiros na beira do mar. Um morador identificado pelo prenome de Geovani, que mora há mais de 20 anos no local, contou que chegou cedo para fazer a travessia e afirmou que a ponte já estava solta. "Estou chegando agora de manhã cedo para carregar tudo na canoa. É uma dificuldade, por ser menor", disse.

O que dizem o Governo do Estado e a Prefeitura 

O terminal é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra). Em nota, o órgão disse que a empresa que fará a recuperação está contratada e já tem autorização, por parte do governo, para início das obras. Ainda segundo a Seinfra, o equipamento será interditado temporariamente para que os reparos sejam feitos.

O órgão informou que a obra ainda não teve início porque a empresa vencedora, Tecnocret Engenharia, aguarda solicitações da Prefeitura para obter licenças obrigatórias. A nota diz ainda que o governo acionará a empresa para que conclua os trâmites junto ao poder municipal. Após a finalização da obra, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agerba) fará a concessão do terminal, que deverá ser administrado pela empresa vencedora.

Já a Prefeitura de Salvador diz que tem acompanhado a situação e que a Tecnocret deu entrada no processo para a execução das intervenções na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), no dia 23 de julho de 2021. Segunda a nota divulgada pelo órgão municipal, após análise dos técnicos a secretaria solicitou alguns documentos que até o momento não foram apresentados pela empresa. 

A Prefeitura ainda informou que após vistoria no dia 11 de novembro, a Defesa Civil de Salvador (Codesal)  constatou sérios riscos causados pela falta de manutenção. A situação foi informada à Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) e à Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado da Bahia (Seinfra), conforme o poder público municipal.