Salvador

Pelo segundo dia, ônibus não circulam no Engenho Velho da Federação

Rodoviários decidiram parar de entrar no bairro após morte de jovem nesta terça-feira (1º)

Redação Correio 24h

 Quem mora no Engenho Velho da Federação vai ter que continuar fazendo a caminhada de cerca de 700 metros, do final de linha do bairro até a entrada principal, para conseguir pegar um ônibus. Em contato com o CORREIO, na manhã desta quara-feira (2), o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, informou que os motoristas, que pararam de acessar a área desde às 15h30 desta terça-feira (1º), continuam sem entrar no local.

Manifestantes pediram por justiça 
(Foto: Evandro Veiga/ CORREIO)

Conforme Primo, a medida é um meio de assegurar a integridade física dos trabalhadores. Isso porque, na tarde desta terça-feira, o jovem pintor Alisson Gonçalves Conceição da Silva, 19 anos, foi assassinado. Após o crime, moradores protestaram pedindo justiça. "Nós vamos fazer uma avaliação junto aos órgãos, Semob, PM e empresas, para ver a possibilidade de retornar a rodar no bairro. Mesmo com bastante polícia no local, a gente ainda sente uma insegurança”, disse. Os ônibus estão fazendo a parada nas imediações do posto de combustível que fica na entrada do bairro. 

Morte

O vai e vêm de carros e pedestre da Rua Apolinário de Santana, no Engenho Velho da Federação, foi interrompido na tarde desta terça-feira. Moradores contaram que por volta das 11h30 quatro policiais militares chegaram no bairro, na comunidade do Forno, para fazer uma operação, mas que foram agressivos com os moradores.

"Eles fizeram o de sempre: deixaram a viatura na Ladeira do Escorpion e desceram a pé. Chegaram xingando todo mundo e mandando todo mundo sair da frente. Um vizinho reclamou e eles se alteraram, atiraram a esmo. Foi um corre-corre na rua", contou uma mulher que, com medo de represália, pediu para não ser identificada.

O pintor Alisson Gonçalves Conceição da Silva, 19 anos, estava saindo da casa de uma vizinha quando a confusão começou. Segundo os moradores, às 11h30 havia muitas crianças na rua que voltavam da escola e Alisson teria tentando ajudar alguns dos meninos a correr, foi quando foi atingido. "Os policiais nem viram quando ele foi baleado, só perceberam depois que ele caiu", afirmou outra mulher. 

Existem duas versões a partir daí: alguns vizinhos dizem que Alisson ainda conseguiu correr depois que foi baleado, mas caiu em uma vala alguns metros à frente. Outros moradores contaram que foram os próprios policiais que jogaram o corpo do jovem na vala. Depois da confusão, os militares teriam retornado para a viatura e foram embora. 

Protesto

Alisson morava desde criança com o pai e o casal de avós. Foi o pintor Aloísio Gonçalves, 61, quem ensinou o ofício ao neto. "Ele ia para o trabalho comigo desde que era pequeno. O pai dele também é pintor, então, ele aprendeu cedo. Hoje, eu fui na farmácia e quando voltei encontrei uma vizinha que veio correndo me contar que ele tinha sido baleado. Corri para o local, mas ele já estava sem vida", contou o idoso, emocionado.

Manifestantes pediram por justiça 
(Foto: Evandro Veiga/ CORREIO)

Policiais militares da 11ª e 41ª Companhias Independentes da Polícia Militar (CIPM/ Barra e Federação) e da Rondesp acompanharam a manifestação, que durou cerca de 1h30. Os peritos e os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) chegaram no local por volta das 14h30. Segundo os peritos, Alisson foi baleado duas vezes. A primeira bala acertou a face do jovem, enquanto a segunda entrou pelo tórax e saiu na altura das costelas.

Em nota, a Polícia Militar informou que não teve registro de ocorrência no Engenho Velho da Federação nesta terça e orientou os moradores a procurarem a ouvidoria ou a corregedoria da PM para formalizar as queixas. Confira a nota na íntegra:

A Polícia Civil informou que Alisson foi morto por homens encapuzados, que teriam arrastado o corpo do jovem até o local onde os investigadores o encontraram. O homicídio ocorreu na Rua da Lama e as testemunhas ainda serão ouvidas.