Salvador

Piscina de escola onde criança morreu afogada estava em obras e não tinha proteção

Professora de Victor tomava conta de 6 crianças na hora do acidente

Nilson Marinho, do Correio 24h

A piscina da Escola Construir, no Cabula VI, em Salvador estava sem proteção, com água suja e pela metade. Foi nela que, na manhã de quinta-feira (15), o estudante Victor Figueredo de Andrade Santos, de 2 anos e nove meses, caiu e morreu afogado. A delegada Lúcia Jansen, titular da 11ª Delegacia (Tancredo Neves), informou que a professora tomava conta da turma de Victor - que tinha ele e outros cinco alunos - no momento que o menino caiu na piscina. 

Foto: Almiro Lopes/ Correio

“Creio que tenha sido um momento de distração dela”, afirmou a delegada que, na manhã desta sexta-feira (16), está ouvindo o depoimento da educadora identificada apenas como Ju. A falta de proteção na área de piscina, segundo a delegada, pode ter colaborado para a morte do menino. 

De acordo com o depoimento à polícia do dono da escola, Domingos Brito Lima Filho, o menino estava com o grupo quando se afastou, atravessou a cozinha da escola e caiu na piscina. No momento, não havia grade de proteção na piscina nem na cozinha por onde o menino passou, segundo a delegada. 

"A escola tinha licença para funcionamento, mas  o alvará de construções, para obras, eles não tinham. Eles estavam aumentando a creche. Eram obras próximos à piscina e, aparentemente, era um alargamento de uma sala. Nós pedimos uma perícia de engenharia para saber se a piscina estava adequada para a utilização. Realmente a água estava turva e não estava sendo utilizada. Eu ainda estou fazendo as oitivas. Havia uma área gradiada, mas ele passou por uma outra porta, a da cozinha que estava aberta, mas que deveria estar fechada", disse a delegada, Lúcia Jansen.

Ontem foi o primeiro dia de aula deste ano do menino que estudava na escola desde 2017. Victor se afogou na piscina da escola, por volta das 10h30, e morreu minutos depois na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

O diretor, que também é professor de Educação Física da escola, foi o primeiro a prestar socorro à criança. "Ele nos relatou que assim que percebeu que o menino estava na água, pulou e prestou os primeiros-socorros ali mesmo, já que ele possuía um curso", afirmou a delegada.

Por meio de sua assessoria, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) informou que equipes estão a caminho do local para averiguar a informação de que a Escola Construir não tinha autorização para executar uma obra na área da piscina. Ainda conforme a Sedur, as equipes só terão um posicionamento no final da tarde desta sexta-feira.

Victor foi levado à UPA por dois professores. No total, a escola, segundo o dono informou à polícia, tem 25 alunos e seis professores e funcionários.

Victor era natural de Irecê. O corpo dele, que foi liberado na manhã desta sexta (16) do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, será enterrado em Morro do Chapéu, Centro-Norte do estado, neste sábado (17). Hoje, a escola estava fechada.

A delegada informou que somente indicará as eventuais responsabilidades pela morte após ouvir as testemunhas.