Salvador

PMs acusados de participação em desaparecimendo de Geovane são soltos

Os três policiais militares acusados de matar e torturar Geovane Mascarenhas foram soltos. Advogado diz acreditar em inocência

Da Redação (redacao@portalibahia.com.br)
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Jovem desapareceu no dia 02 de agosto de 2014, após abordagem
Os três policiais militares acusados de participarem do desaparecimento de Geovane Mascarenhas de Santana, 22 anos, foram soltos na madrugada do domingo (12).O subtenente Cláudio Bonfim Borges e os soldados Jailson Gomes de Oliveira e Jesimiel da Silva Resende - todos lotados na Companhia de Rondas Especiais (Rondesp) - estavam presos desde o dia 15 de agosto, no Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas."Tenho absoluta certeza que no decorrer do processo em curso iremos provar, sem margens para dúvidas, a completa inocência dos policiais neste caso", disse o advogado da Aspra, Dinoemerson Nascimento.O trio responde a um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado na Corregedoria da Polícia Militar - que investiga a conduta dos policiais e pode culminar até com a expulsão da corporação - e também ao inquérito aberto pela Polícia Civil, que apura o homicídio de Geovane.Geovane foi visto pela última vez com vida no dia 2 agosto, durante uma abordagem no bairro da Calçada.A prisão dos policiais aconteceu dois dias depois de o CORREIO publicar uma reportagem mostrando o vídeo em que Geovane é colocado no porta-malas de uma viatura da Rondesp.As imagens foram conseguidas pelo pai de Geovane, Jurandy Silva Santana, que investigou por conta própria o desaparecimento do filho. O corpo do jovem foi encontrado carbonizado e degolado no Parque São Bartolomeu. A cabeça e as mãos foram encontradas em Campinas de Pirajá.Geovane foi morto por decapitação, revelou um laudo do Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Depois da decapitação, o corpo foi carbonizado, além de sofrer mutilações. A ação é classificada no exame como “dantesca”.

Ele foi “vítima de decapitação seguida de carbonização, ações de extrema violência, associadas a requisitos de característica dantesca com a mutilação e retirada das mãos, dos testículos e do pênis e das tatuagens”, diz o laudo.  O exame mostrou que não havia fuligem nas vias aéreas do corpo, o que “demonstra que não houve aspiração pela vítima de fumaça enquanto vivo”.

Ainda de acordo com o documento, o corpo foi envolto em um plástico antes de ser queimado. Outra constatação é de que não houve fraturas no rosto ou na cabeça, nem lesões em órgãos e ossos, nem hemorragias. De acordo com o laudo, a arma utilizada no crime foi “objeto cortante ou penetrante”.

A Polícia Civil já havia revelado que a arma usada para matar a vítima foi uma faca. O corpo de Geovane foi encontrado carbonizado e degolado no Parque São Bartolomeu, no dia 3 de agosto. Já a cabeça e as mãos foram encontradas em Campinas de Pirajá, no dia 4. No  dia 12, a Justiça decidiu prorrogar por mais 30 dias a prisão dos três policiais militares envolvidos no desaparecimento de Geovane. A arma do crime ainda não foi encontrada. Segundo o delegado Jorge Figueiredo, diretor do DHPP, a prorrogação foi necessária diante da complexidade da investigação e  pela coleta de provas.  O delegado preferiu não dar detalhes da apuração. Em razão disso, a conclusão do inquérito também foi prorrogada por mais 30 dias.  Matéria Original Correio 24h: PMs acusados de participação em desaparecimendo de Geovane são soltos