Salvador

PMs suspeitos de matar casal em Placaford são acusados de mais um crime

Eles teriam participado de dois casos de extorsão, em Camaçari e Vitória da Conquista

Redação Correio 24h

O soldado Jonas Oliveira Góes Júnior, 41 anos, e o cabo Ronaldo Pedro de Souza, 44, que estão presos acusados de matar um casal durante um roubo em Placaford, em Salvador, e de extorquir uma mulher em Camaçari, na Região Metropolitana, estão sendo investigados por mais outro crime. A Polícia Civil divulgou que eles integram uma quadrilha que praticava extorsões mediante sequestro, em várias cidades da Bahia.

Os dois policiais contavam com a ajuda também de Paulo César Alves Filgueiras, o Paulo Escopeta. A polícia informou que ele foi exonerado da PM, mas não divulgou quando isso aconteceu. Todos os três tiveram os mandados de prisão preventiva cumpridos nesta sexta-feira (14), por investigadores do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco).

Foto: Arquivo/CORREIO
O soldado Jonas e o cabo Ronaldo estão custodiados no Batalhão de Choque da Polícia Militar, em Lauro de Freitas, desde dezembro do ano passado. Eles foram presos acusados de sequestrar uma mulher e o bebê dela, de 3 meses, e exigir R$ 300 mil como pagamento. O caso aconteceu em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Nessa ação foram presos outro PM e outro homem.

Três meses antes, eles teriam invadido a casa de Renato e Nelida Habib, no bairro de Placaford, em salvador, em busca de dinheiro. As vítimas foram amarradas, amordaçadas e executadas com um tiro na cabeça, cada uma. Segundo a polícia, nesse crime o soldado Jonas e o cabo Ronaldo contaram com a ajuda de outros três suspeitos. Todos estão presos.

O mandado de prisão cumprido nesta segunda-feira (17) era referente a um sequestro ocorrido em outubro do ano passado, em Vitória da Conquista. Outros criminosos ainda são procurados por esse crime. A polícia acredita que com essa nova decisão da Justiça será mais difícil que os suspeitos consigam responder aos processos em liberdade.

O ex-PM Paulo também já estava preso quando os investigadores foram cumprir o mandado. Ele está no presídio de Serrinha. A polícia encontrou em uma das propriedades dele, no município de Irecê, cinco fardamentos da Polícia Militar. Já num dos imóveis de Jonas, no bairro de Castelo Branco, em Salvador, havia 50 munições intactas para pistola calibre 380.
Foto: Divulgação/ Polícia Civil
“Em geral a quadrilha escolhia vítimas que já tiveram passagem pelo sistema prisional e que estavam respondendo em liberdade ou já haviam cumprido pena, para sequestrar familiares e exigir quantias em dinheiro”, contou o delegado Cleandro Pimenta, da Coordenação de Sequestro e Extorsão, do Draco, em nota.

Sequestros
Essa não é a primeira vez que a polícia prende policiais, militares e civis, envolvidos em sequestros. Em abril deste ano, o policial civil Jorge Pinheiro dos Santos e outros quatro homens foram presos acusados de sequestrar e exigir RS 10 mil para libertar uma pessoa. O crime foi descoberto porque o amigo da vítima, que faria o pagamento do resgate, foi parado em uma blitz da Polícia Militar e contou o que estava acontecendo.

Os PMs acionaram uma equipe da Coordenação de Operações Especiais (COE) que esteve no local, ouviu o amigo da vítima e seguiu ao encontro dos sequestradores. Todos foram presos e autuados em flagrante por extorsão mediante sequestro. Jorge retirou a placa de uma viatura da 5ª Delegacia (Periperi), onde ele trabalhava, e estava usando o veículo no crime. Ele e outros dois comparsas foram autuados também por adulteração de sinal identificador de veículos automotor.

Em outubro de 2015, a polícia desarticulou outra quadrilha de sequestradores formada por policiais. Quatro pessoas foram presas na época, sendo três policiais militares na ativa e um da reserva. Um comerciante e um mototaxista que atuavam na quadrilha como informantes também foram presos.

Os investigadores chegaram até eles depois que perceberam um aumento no número de ocorrências envolvendo sequestro mediante extorsão ou chantagem praticadas por pessoas que se identificavam como policiais. A identificação aconteceu após um cruzarem os dados de delegacias e outras unidades especializadas.

A polícia informou, na época, que os policiais escolhiam os alvos acreditando que, por serem pessoas com atividades ilícitas ou processadas no passado por algum tipo de crime, jamais fariam alguma denúncia na polícia. A quadrilha agia com violência e, apesar de formada em parte por policiais militares, se apresentava sempre como integrantes da Polícia Civil, inclusive os informantes.