Salvador

Professora universitária morta em Itapuã reagiu ao assalto

A polícia não disponibilizou as imagens, mas a câmera de um posto de gasolina mostra toda a ação. Ao ser abordada, ela se não entrega bolsa e entra em luta corporal com bandidos

Clarissa Pacheco e Amanda Palma (mais@correio24horas.com.br)
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A  professora de Antropologia da Unifacs Anamaria Morales, de 59 anos, foi morta, na tarde de domingo, em Itapuã, ao reagir a um assalto. Ela lutou com os bandidos, que tentaram puxar sua bolsa. Durante a briga, um dos homens atirou na cabeça da vítima.


Anamaria tinha escolhido a noite de domingo para participar da Caminhada da Lua Cheia – percurso de cerca de 6 quilômetros entre a orla de Itapuã e a de Stella Maris, com intervalos para meditação e ioga, que acontece uma vez por mês em Salvador. “Ela ia se encontrar com amigos para fazer a caminhada, mas demorou, os amigos sentiram falta e foram procurá-la”, contou Rafael Chaves, ex-enteado de Anamaria.


A busca pela paulistana, que vivia há mais de 20 anos em Salvador e morava sozinha em uma casa, no bairro do Rio Vermelho, acabou por volta das 17h30, quando um dos amigos, identificado como Christopher, encontrou o corpo dela na entrada da Rua das Dunas, em Itapuã. Imagens do circuito de segurança de um posto de gasolina em frente ao local do crime mostram toda a ação.


A gravação mostra que Anamaria estaciona seu carro, um CrossFox preto, na rua, e, em seguida, é abordada por dois homens, que chegam a pé. Ela se nega a entregar a bolsa, puxando a alça do acessório, e acaba entrando em luta corporal com um deles. Nesse momento,  um tiro é disparado (pelas imagens, não é possível perceber qual dos dois bandidos atira). Em seguida, a professora cai no chão e a dupla sai correndo, sem levar nada. A bolsa fica caída na rua. As imagens mostram ainda que um terceiro homem aguardava pelos dois bandidos na esquina da rua. A polícia não disponibilizou as imagens.


Uma moradora da Avenida das Dunas que viu a ação dos bandidos, mas não quis se identificar, contou que, ao notar a ação do trio, um policial civil à paisana que estava no posto de combustível  foi em direção ao local. “O policial estava dentro do carro, no posto de gasolina, e depois que a mulher caiu, ele veio atirando”, contou. Um dos bandidos disparou contra o carro do policial, que recuou.


Segundo o delegado Antônio Carlos Magalhães Santos, titular da 12ª Delegacia (Itapuã), que apura o caso, o policial que participou da troca de tiros com os três rapazes é lotado na 5ª Delegacia (Periperi). “Ele chegou ao posto e viu os homens agredindo uma mulher. Ele perseguiu a dupla, mas foi atingido por disparos e não acertou nenhum deles”, afirmou. Os três fugiram a pé pela Rua Calasans Neto, uma rua deserta que dá acesso às dunas do Abaeté.


O delegado disse ainda que trabalha com a linha de latrocínio (roubo seguido de morte) e que já tem alguns suspeitos. “Espero que nas próximas 24 horas a gente elucide o crime e apresente os culpados”, completou.


Tranquila
Natural da cidade de São Paulo, Anamaria vivia em Salvador há pelo menos 20 anos. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), ela tinha certificado de proficiência em francês pela Universidade de Nancy/Aliança Francesa de Salvador, mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (Ufba)  e doutorado em Antropologia pela Ufba.


Antes da Unifacs, onde dava aulas no curso de Serviço Social desde agosto do ano passado, ela já havia trabalhado na Universidade Católica do Salvador, na Faculdade Módulo e, nos últimos anos, na Ufba, onde trabalhou por sete anos.


Ontem, a Unifacs emitiu uma nota de pesar pelo falecimento da professora. No texto, a universidade “presta condolências a familiares e amigos enlutados pela irreparável perda”.


Ex-aluno de Anamaria no curso de francês da Ufba, Fabiano Parish também lembra da professora como uma pessoa tranquila. “Ela era uma pessoa supercalma, parecia ter poucos amigos aqui em Salvador. Ela era na dela, cheguei a pensar que ela fosse mesmo francesa, pelo jeito dela”, disse Fabiano.


“Exclusão social, violência e os principais problemas dos grandes centros urbanos sempre foram temas de estudos em sala de aula”, disse Nalvinha Alves de Andrade, aluna de Serviço Social da Unifacs. “Ela era uma professora dedicada e inquieta com a ‘questão social’ e tinha um bom relacionamento com os alunos”, disse.


Além da filha, Isadora, que vive em Sydney (Austrália), o irmão, uma irmã e o pai de Anamaria estão vivos. Até as 17h de ontem, o corpo  não havia sido liberado do Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IML). Segundo o ex-enteado, o sepultamento deverá ser em Salvador na quinta-feira.


Matéria original do Correio

Professora universitária morta em Itapuã reagiu ao assalto