Salvador

Quatro lendas urbanas quase exclusivas de Salvador

Quem nunca ouviu histórias como A Loira do Banheiro? Que tal sair desses clichês e conhecer lendas que só a cidade de Salvador pode contar para os seus moradores e visitantes? Confira e saiba o que é mito ou verdade!

Por Ana Raquel Barreto e Vanessa Brunt, do Não Óbvio

Quem nunca ouviu sobre lendas como A Loira do Banheiro, Curupira, Boto-cor-de-rosa, Saci e tantas outras?  Muitas crianças já tentaram invocar a própria Loira do Banheiro ao falar o nome dela três vezes em frente ao espelho da escola.

Se as luzes ficaram piscando ou nada aconteceu, o lado bom é que você está aqui hoje para contar a história, ou conhecer novas.

Como a nossa mente é incrível para criar ou contar tramas que aconteceram com a gente, a cidade de Salvador não deixa de ter as suas próprias criações, e o NÃO ÓBVIO separou lendas urbanas (quase) exclusivas da nossa cidade baiana.

Inclusive, temos certeza que uma das histórias você achava que realmente tinha acontecido, mas não era possível. Confira as histórias e descubra a verdade sobre elas!

1. O Mercado Modelo e sua maldição

Foto: divulgação
O Mercado Modelo, localizado no Comércio e considerado como um belíssimo ponto turístico, foi inaugurado em fevereiro de 1912 no objetivo de suprir a necessidade de um centro de abastecimento na Cidade Baixa da cidade.

O seu subsolo, carrega diversas histórias que pelos cálculos, não poderiam ter ocorrido como o afogamento dos supostos escravos que ficavam no local durante as noites de maré cheia.

De qualquer forma, um dia o Vigia noturno do local, Edimar Mota, realizava uma de suas rondas quando uma enorme parede de vidro desabou, causando um som ensurdecedor.

Ele então, chamou outros seguranças para ver o que tinha acontecido e acionar as autoridades competentes. Mas, ao voltar ao local, a parede estava intacta, como se nada tivesse acontecido.

Após o ocorrido, dois funcionários pediram demissão. Além desse episódio que ocorreu em 2015, quem trabalha no local – que já passou por 5 incêndios – afirmam ouvir com frequência gritos e vozes pedindo socorro, principalmente perto da entrada para o subsolo, que já está a muito tempo interditada.

2. Loira Fantasma do Palácio Rio Branco


Imagem meramente ilustrativa.

Há uma lenda em que o Palácio do Rio Branco, antiga sede do governo da Bahia, é assombrado por uma loira.

Durante o carnaval, uma funcionária da Secretária andava pelos corredores silenciosos do lugar, e ao contrário de só ouvir os sons das músicas dos trios, ela afirma ter visto a loira fantasma no local após ouvir um grito desconhecido.

O que assusta é que tanto a mulher quanto um dos quadros do palácio possuíam a mesma característica: o vestido e o cabelo loiro, metade preso por um pente e metade desarrumado.

3. A Voz Misteriosa do Carmo

Foto: divulgação
Há 20 anos atrás, 10 amigos resolveram jogar bola na frente da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, no Centro Histórico.

Não existindo mais ninguém no local além deles, iniciaram então a partida. A cada gol os gritos e comemorações entre eles eram altos, mas ninguém da vizinhança parecia se importar.

Mas, em um certo momento, um deles ouviu uma voz pedindo silêncio, bem baixinho. Ao pensar ter sido coisa da imaginação, continuou. A voz então repetiu o pedido, e dessa vez todos escutaram.

Logo após, os portões da igreja tremeram estrondosamente, mesmo sem motivo aparente, como ventos fortes. Como era noite, os meninos, é claro, saíram correndo e nunca mais jogaram no local.

4. Os Tesouros Perdidos na Fonte Nova

Imagem meramente ilustrativa – Foto: N.

Quem não gosta de lendas que envolvem tesouros perdidos? Na década de 1920, era muito comum diversos baianos perderem o sono só para imaginar formas de encontrar supostos tesouros escondidos nos subterrâneos da Bahia.

Algumas vezes, o assunto surgia na mídia baiana, nas opiniões de historiadores tendo Teodoro Sampaio entre eles, confirmando a existência de túneis cavados na rocha, mas para qual finalidade não tínham uma resposta exata.

E como a imaginação nos leva a teorias mirabolantes (as vezes nem tanto), alguns pensavam que os tesouros eram apenas galerias pluviais, outros achavam que eram escavações feitas por religiosos ou famílias riquíssimas que queriam proteger o seu patrimônio de possíveis invasões dos holandeses em 1624 e 1625.

Um desses supostos tesouros, escondido na Fonte Nova, seria um tipo de arca feita de ferro, madeira ou bronze, que guardava um valor inestimável de ouro, prata e jóias de valor. É claro que essa possibilidade despertou o lado mais aventureiro e recheado de cobiça em alguns moradores da região, e alguns perderam dias e noites em escavações na esperança de encontrar o tal desejado e misterioso tesouro.

De acordo com a lenda, o tesouro estaria enterrado nas proximidades do nascedouro da fonte, entre a Ladeira dos Galés e a rua que dá acesso hoje ao estádio, a Arena Fonte Nova.

Durante anos, muitos boatos foram espalhados sobre o tesouro e a sua suposta localização. Mais pessoas intensificaram suas aventuras após a reportagem sobre o assunto ser publicada no jornal A Tarde em julho de 1915. Em 1928, um crucifixo de ouro foi noticiada pelo mesmo jornal informando que foi encontrado em volta da nascente de água. O Governo teve que agir prontamente e o fez, ao proibir as escavações.

O fato é que o Tesouro nunca foi encontrado, e se existia, está preso para sempre embaixo de estacas, cimento e um estádio.

EXTRA: A mulher de roxo – Ela era real?


Na lenda da Mulher de Roxo, a figura sempre presente na Rua Chile (rua que até os anos 80 era comercial e um dos mais badalados da cidade), onde algumas pessoas sentiam medo da mulher misteriosa que parecia uma bruxa, com os seus cabelos desgrenhados, olhos alucinantes e terríveis, sua bata enorme e roxa.

A verdade é que essa mulher existiu, e pelos seus costumes habituais, acabou se tornando uma figura lendária e mitológica, marcada na mente e cultura do povo de Salvador.

Nascida em 1917, alguns dizem que ela vinha de uma boa família, era instruída e teria enlouquecido por conta de uma desilusão amorosa.

Sempre de roxo e com roupas que lembravam o hábito usado por freiras, ela costumava perambular pela Rua do Chile e imediações tanto em dias chuvosos como em dias de sol. Bastava as portas dos comércios abrirem que ela estava lá a caminho da entrada da Slopper. Andando de um lado para o outro, falando sozinha e sempre pedia dinheiro com muita educação.

Além da sua roupa roxa, andava descalça, com um torço e um crucifixo enorme. Nesse combo de vestes, ela dava o ar de santa, uma certa loucura, e a impressão de ser meia andarilha e mendigo.

Algumas vezes, já desfilou com uma roupa de noiva, com buquê, véu e grinalda. Toda esse ar contraditório despertou na população uma mistura de sentimentos que variam entre medo e respeito, pena e carinho.

Essa mulher, conhecida como Florinda, já cedeu uma entrevista exclusiva para o jornalista Marecos Navarro, tornando esse documento um dos mais raros para ouvir a voz dela. Ela também e sua história acabou sendo fonte de inspiração para documentários e filmes como o de Glauber Rocha, chamado O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969).

Inclusive, Jack Reis afirma já ter encontrado a mulher de roxo algumas vezes, “Enquanto eu andava pelas ruas, conhecendo a cidade, vivenciando, indo ao cinema ou indo aos shows de rock do movimento Punk, me batia muito com a mulher de roxo. Intrigante, com sua calma… E eu perguntava ao meu pai: o que ela fez? Quem é ela. É a pergunta de todo adolescente.” afirmou Jack Reis, professor de filosofia.

Hoje, dona Florinda ou a dama de roxo, é apenas uma lembrança. Se ela foi uma famosa ou anônima, presa em si mesma, a verdade é que ninguém conheceu a sua verdadeira história. Mas ela conseguiu permanecer no imaginário popular como uma personagem lendária!

Conteúdo divulgado em parceria com o site Não Óbvio