Salvador

"Quem vai ficar no lugar dele agora?", lamenta filha de taxista morto no Barbalho

Motorista de 78 anos, que fazia ponto na Barra, foi arremessado do próprio táxi, um veículo Prisma, na Rua Artur Cesar Rios

Redação do Correio 24 Horas, com Tailane Muniz

Manuel dos Reis Alves, 78 anos, vivia para o trabalho e amava a profissão de taxista - que atuava havia cerca de 50 anos. Ele foi morto na tarde desta terça-feira (13) e teve o corpo arremessado do próprio táxi, um veículo Prisma, na Rua Artur Cesar Rios, no Barbalho. Os bandidos fugiram levando o carro.

Inconformados, familiares estiveram na manhã desta quarta-feira (14) no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) para cuidar da liberação do corpo e organizar o sepultamento do motorista, marcado para às 16h30 de hoje no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas.

"Como eu fico agora, filho? Sem pai? Quem vai ficar no lugar dele agora? Por quê isso?", disse a filha mais velha, Fátima Alves, 56. Consolada pelo filho, ela andava de um lado para o ouro no IMLNR implorando para ver o pai.

Manuel morava em Pernambués, começou a rodar táxi no Campo Grande, mas atualmente fazia ponto no Porto Farol Apart Hotel, na Barra. "Muito tranquilo, um homem de bem. Vivia para o trabalho e para a família. E é isso o que os nossos governantes querem, que a gente morra trabalhando", reclamou um parente do taxista.

Fotos: Reprodução

"Ele foi estrangulado, um senhor idoso. Essa pessoa não é gente, é monstro", completou outro familiar que preferiu não se identificar. Manuel deixa sete filhos. Procurada, a assessoria da Polícia Civil disse que ainda não tem informações sobre a investigação. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, na noite de ontem, que determinou empenho e celeridade na apuração do caso.

O crime

O corpo do taxista foi encontrado às 13h45. Em nota, a Polícia Militar informou que policiais da 2ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/ Barbalho) estiveram no local, mas já encontraram a vítima sem vida. Os militares isolaram a área e aguardaram a chega dos peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT).  

Manuel apresentava uma pancada na cabeça e tinha marcas de sangramento no pescoço compatíveis com estrangulamento. As testemunhas contaram aos policiais que dois homens teriam participado do crime. O presidente da Associação Geral dos Táxis (AGT), Denis Paim, disse que a instituição está acompanhando o caso.

"Ele era um taxista que foi vítima de latrocínio, ou seja, foi um roubo seguido de morte. Ele foi arremessado do carro. Não sabemos ainda aonde ele pegou o passageiro, mas o crime aconteceu no Barbalho. Vamos aguardar mais informações da polícia, mas amanhã faremos uma carreata depois do enterro", disse.