Salvador

Rodoviários voltam a circular em Marechal Rondon nesta manhã com policiamento reforçado

No início da manhã, os coletivos estavam seguindo até a Estrada de Campinas de Pirajá, onde faziam o retorno em frente ao supermercado Todo Dia

Redação Correio 24h
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Os ônibus que fazem linha em Marechal Rondon voltaram a circular pelo bairro por volta das 9h desta terça-feira (18). Antes, os rodoviários não estavam completando o itinerário por conta de boatos de toque de recolher na região. Segundo os motoristas que trabalham nos coletivos Integra/Plataforma, a passagem até o final de linha foi liberada após constatar que há policiamento reforçado pelo bairro.


"É muito complicado para um pai de família ter que andar até a saída do bairro, mas é uma questão de segurança e não podíamos entrar sem a segurança grantida. Mas agora tudo voltou a normalidade", disse o motorista Moisés Pereira, de 48 anos. Ele circula com a linha Marechal Rondon/Barra. "Trabalho aqui em Marechal há 7 anos e foi a primeira vez que vi o transporte ser suspenso", comentou.


No início da manhã, os coletivos estavam seguindo até a Estrada de Campinas de Pirajá, onde faziam o retorno em frente ao supermercado Todo Dia. O final de linha do bairro fica a cerca de um quilômetro de distância do local que estava sendo usado pelos motoristas.


"Estamos fazendo o final de linha em Campinas de Pirajá. Aguardamos uma segurança plena no bairro. Por enquanto, que há suspeita de conflitos, a gente quer conduzir os passageiro com uma margem de segurança confortável. A gente não pode ficar sabendo do que está aconteceu e ficar circulando com o passageiro para lá e para cá", explicou o diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota.


Os ônibus pararam de entrar no bairro nesta segunda-feira (17) por conta da sensação de insegurança. Segundo Mota, mesmo com o aumento do policiamento motoristas e cobradores estavam se sentindo inseguros no bairro.


Após uma disputa entre facções rivais deixar três mortos na noite do sábado (15), houve especulações sobre um novo confronto entre os traficantes. Alguns comércios fecharam as portas na tarde de ontem, após os boatos se espalharem. Hoje o comércio voltou a funcionar normalmente aos poucos e o clima nas ruas era tranquilo, mas os pontos continuaram vazios.


Dificuldades

A população reclamou da falta de atendimento no Centro de Saúde de Marechal Rondon. Segundo os moradores, não havia médicos para atender os pacientes. Uma funcionária que não quis se identificar informou ao CORREIO que somente atendimento de pediatria estava sendo realizado pela manhã, pois os médicos não tinham chegado.


A aposentada Joana Maria de Jesus, de 78 anos, mora no bairro de Pirajá e pegou um ônibus para ir até ao posto que fica no final de linha. "Sou diabética e marquei essa consulta no dia 18 do mês passado. Quando chegamos em Campinas, o motorista falou que não ia entrar e mandou todo mundo descer. Andei até aqui e quando cheguei o médico não estava e pediram para aguardar para ver se ele vai aparecer. Eu vi a notícia de insegurança, fiquei assustada, mas tive que vir pois não podia perder essa consulta", disse a idosa.


Segundo o major Romeo Nascimento, comandante da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (Pirajá), cinco viaturas estão fazendo policiamento na região, além do apoio da Rondesp, Operação Apolo e Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto).


"É muito difícil trabalhar com boatos. Desde ontem recebemos pelo Whatsapp mensagens de que estaria ocorrendo toque de recolher no bairro. Aumentamos o efetivo por medida de segurança. Mesmo sendo boato é uma questão de precaução", afirmou Nascimento.


Ontem, a Polícia Militar garantiu, através de nota, não haver toque de recolher no bairro. O policiamento foi reforçado com o apoio da Rondesp BTS, além do efetivo da 9ª CIPM (Pirajá). O comunicado foi enviado à imprensa depois de boatos de toques de recolher e supostos confrontos terem se espalhado em redes sociais.


A PM informou que o comércio e o fluxo de ônibus estavam funcionando no local. A nota afirmava ainda que a PM "garante a segurança e a tranquilidade com a presença ostensiva de guarnições e a realização de abordagens na região".

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