Salvador

Saiba como economizar até 30% no supermercado

Pesquisa revela que um terço dos alimentos vão para a lata de lixo

Graciela Alvarez e Priscila Natividade ((mais@correio24horas.com.br))

Com a conta do supermercado cada vez mais cara, a solução para economizar pode estar dentro do próprio carrinho de compras. Isso significa que, se houver um bom planejamento e uma lista de itens adequada à real necessidade de consumo da família, é possível economizar pelo menos 30% por mês nas despesas com o supermercado. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu, organização não governamental que atua na  mobilização para o consumo consciente. Ainda segundo o estudo, no Brasil, cerca de um terço dos alimentos comprados pelos consumidores vai parar na lata de lixo, seja porque estragou ou por opção do consumidor. Desperdício que sempre acaba acontecendo na dispensa da dona de casa Marcely Motta, principalmente quando o assunto é lanche. “Por causa dos meus filhos, passo sempre do básico, principalmente em se tratando de chocolate, salgadinho e biscoito”, conta.  




A dona de casa Marcely Motta admite que gasta mais do que precisa no supermercado. “Passo sempre do básico, principalmente em se tratando de chocolate, salgadinho e biscoito”.(Foto: Betto Jr)


Os meninos  –  um de 10 e outro de 15 anos – costumam desperdiçar, e “muito”, como afirma a mãe. “Compro várias bandejas de Danone. O menor toma uns quatro de vez e depois não quer saber mais. Resultado: sempre jogo uma placa ou mais no lixo por causa da validade”. Com os biscoitos não é diferente. “Eles abrem toda hora um pacote, não comem tudo e depois não querem mais saber da bolacha que ficou mole”. O supermercado é uma despesa que pesa bastante no orçamento. A dona de casa gasta pelo menos R$ 800 por mês. Mas com idas diárias para compras complementares, o montante chega a R$ 1,5 mil. “Vou ao mercado toda hora para comprar uma coisa ou outra. Acabo comprando além da conta, porque não levo só o amaciante que fui comprar, mas um monte de outras coisas que no meio do caminho vão entrando no carrinho, principalmente se estiverem em promoção”, diz.   Ela confessa que muita coisa que compra não é tão necessária. “Se tiver em promoção, levo até em quantidade”, completa. Ainda assim, ela ressalta que tem se esforçado para controlar o desperdício. “Estou comprando menos lanches, porque se acabar eles ficam sem. Mas quando reclamam e vou ao supermercado, acabo cedendo”. Hábitos

Comprar além do necessário tem relação com a história da economia do país, como explica a gerente de Comunicação e Campanhas do Instituto Akatu, Gabriela Yamaguchi.“Na época que a inflação era mais alta, e os preços dos produtos variavam muito de um dia para o outro, as pessoas compravam em quantidade para estocar. Muitos consumidores continuam fazendo a mesma coisa, gerando assim o desperdício”, explica. Gabriela conta que, de acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 60% do que vai para o lixo é de material orgânico, por exemplo: restos de alimentos. As frutas, legumes e as verduras  são os campeões do desperdício doméstico. “Eles estragam com mais facilidade, na maioria das vezes, antes mesmo de serem utilizados”, diz a gerente do Akatu. “Além da questão cultural, a falta de planejamento resulta na compra desnecessária”, acrescenta, para ressaltar que os consumidores costumam comprar mais do que precisam para a semana. Dicas

O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz chama a atenção do consumidor para adquirir apenas o essencial. Para ele, a lista de compras é um dos principais aliados na hora de combater o desperdício nos supermercados. “Se todos levarem lista de compras para o supermercado, optarem por produtos da estação e evitarem supérfluos, teremos uma redução das despesas e do desperdício”.   Braz tem outra dica para aliviar o custo do supermercado: aproveitar as promoções,  sempre observando a validade das mercadorias. “Cada família terá uma despesa específica e diferentes níveis de flexibilidade para mudar o consumo. Por exemplo, famílias com crianças dificilmente poderão abrir mão do leite, mas uma família de adultos pode fazer isso com facilidade”. Exemplo

Desempregada e grávida de quatro meses, Siara Araújo garante que na sua casa, onde mora com os dois filhos e o esposo, não se joga dinheiro no lixo. “Até a pele do frango afervento e dou para o cachorro. Comida está muita cara para jogar fora”, diz. Sobras do almoço nunca são descartadas. “Transformo tudo. A carne que sobra, coloco na sopa. A mesma coisa faço com o feijão. O resto compro apenas o que uso na semana”. Ela diz não admitir que ninguém, nem filhos e marido, mexa na cozinha. “Só em passar o olho sei o que tem e o que não tem”, argumenta, dando um bom exemplo de consumo consciente. Setor supermercadista registra queda de 2,1% na variação anual

Redução de 1% nas vendas frente ao mês anterior e o pior resultado da história para o mês de julho. Este é o retrato  do varejo brasileiro apresentado pela Pesquisa Mensal do Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada esta semana. O mesmo estudo aponta que o que mais contribuiu para o resultado foi a queda do setor de alimentos e bebidas, que apresentou redução de 2,1% na variação anual, e de 1% na variação mensal. Para a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), entidade que representa o varejo e administra o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o resultado leva em consideração os efeitos nocivos do aumento dos preços, do desemprego e do baixo crescimento dos salários dos trabalhadores. Segundo o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, quando os indicadores atingem com tanto peso esse setor, é porque certamente a retração já chegou à ponta da cadeia produtiva varejista. “A queda no setor varejista de alimentos e bebidas mostra que o brasileiro já está reduzindo o consumo de produtos considerados básicos e normalmente pagos à vista”. Armazenagem correta aumenta a durabilidade dos alimentos

A armazenagem feita de forma errada faz com que os alimentos estraguem mais rápido. Resultado? Dinheiro jogado fora. A nutricionista Jackeline Santos, especialista em produção de alimentos para coletividade, explica que a geladeira, por exemplo, prolonga a validade dos alimentos, mas é preciso saber utilizá-la de forma certa, aproveitando corretamente a divisão do equipamento. “Os modelos atuais têm compartimento extra frio, que normalmente fica abaixo do congelador, para alimentos prontos, por exemplo. Já os legumes crus devem ser colocados na gaveta inferior”. Os ovos também merecem atenção. “Eles devem ser guardados dentro da geladeira, em local sem muita oscilação de temperatura”. Segundo a nutricionista, o mais importante é colocar os alimentos mais sensíveis na parte superior da geladeira, já que o ar frio circula de cima para baixo. Para as carnes, a orientação da especialista é limpar e temperar antes do congelamento. Ela ainda chama atenção para a necessidade de se separar as carnes em porções para consumo de uma só vez, evitando o recongelamento, caso o produto não seja consumido integralmente. Já as conservas, quando abertas e não consumidas integralmente, precisam ser transferidas para embalagens de vidro ou plásticas. “Isto porque a lata, após aberta, pode enferrujar e contaminar o produto que contém”, reforça ela. Por fim, a nutricionista explica que os alimentos secos devem ser armazenados por ordem de validade, na frente sempre os que vencem primeiro, e em local seco e bem ventilado. “Desta forma, a conservação é mais eficiente, aumentando a durabilidade do alimento e sem pôr em risco a saúde do consumidor”.