Saúde

Apenas 37,1% dos baianos praticam algum tipo de atividade física

Os baianos, inclusive, estão mais sedentários que a média nacional, onde 37,9% afirmam que praticam algum tipo de esporte, aponta Pnud

Priscila Natividade, do Correio 24h

Em média, seis em cada dez baianos em idade adulta não praticam nenhum tipo de atividade física e esportiva. Entre aqueles que tem menor renda, a situação é ainda mais crítica. Entre os de maior renda, que vivem com mais de cinco salários mínimos, quase 70% se exercitam. Já entre os que ganham menos de um salário mínimo apenas 28,7% afirmam praticar atividades físicas, segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional 2017, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).  

Os baianos (37,1%), inclusive, estão mais sedentários que a média nacional, onde 37,9% afirmam que praticam algum tipo de esporte. Os dados foram levantados com base no suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e mostram ainda que, em média,  os homens praticam atividade física 28% a mais do que as mulheres. Características além da renda e do gênero também interferem no perfil do brasileiro, entre eles questões de raça e escolaridade. 

“Os dados analisados reforçam a compreensão de que realizar atividade física e esportiva não se restringe somente a uma decisão individual, mas é também produto de como a sociedade pauta a vida coletiva. Isso significa que aconselhar os indivíduos a praticar mais exercícios, sem criar oportunidades efetivas para as pessoas se engajarem com as práticas, nem enfrentar os condicionantes sociais que limitam o envolvimento, dificilmente mudará o cenário”, diz o relatório.

O Distrito Federal (50,4%) é a unidade da Federação em que as pessoas mais praticam atividade física, enquanto Alagoas (29,4%) tem o menor percentual. 

Segundo o estudo, ser homem, jovem, branco, sem deficiência e de alto nível socioeconômico e educativo significa praticar muito mais atividades físicas e esportivas do que o restante da população. Em contrapartida, as mulheres de baixo nível socioeconômico e educativo, as pessoas idosas, as pessoas negras e as pessoas com deficiência são a maioria entre os não praticantes. “É necessária uma nova visão para o Sistema Nacional do Esporte que invista na melhora das condições para que todas as pessoas possam praticar, sempre e quando essa seja a sua escolha”, recomenda a Organização das Nações Unidas (Onu). 

Saúde

 A preocupação com o sedentarismo tem um bom motivo. Segundo o educador físico Renato Figueiredo, os benefícios da atividade física estão conjugados com a prevenção e tratamento de doenças. Logo, não se trata apenas uma questão “estética”, mas um problema de saúde pública. 

“Cada vez mais temos uma sociedade obesa e hipertensa e vários estudos científicos comprovam o papel da atividade física e esportiva como um grande aliado para reduzir, prevenir e tratar estes casos que tem o sedentarismo como grande fator de risco”, destaca o especialista.

De acordo com ele, muitos exercícios podem ser feitos em casa e sem comprometer muito a rotina, por mais corrida que ela seja: “Não é mais necessário passar 1h em uma academia fazendo uma atividade física. Hoje com 10 a 15 min diários já é possível aproveitar estes benefícios. Alongamento, caminhada, agachamento, exercícios de panturrilha e abdominais não exigem equipamentos e aliados a uma alimentação balanceada conseguem promover uma melhor qualidade de vida”.

Essa é a estratégia que o aposentado Alcyr Sampaio, de 82 anos, tem utilizado para manter o pique. Ainda que não se tenha notícia sobre qual é a fórmula da longevidade, a dica de seu Alcyr é uma só: não ficar parado. “Dou minhas caminhadas, deixo de pegar Ônibus para andar um pouco e tudo isso acaba contribuindo para que a gente tenha qualidade de vida. Sem dúvida, o exercício prolonga a vida”, defende.

Desde os 17 anos, o aposentado pratica atividade física. “Na juventude, eu praticava boxe na Vila Militar, mas também fui goleiro de praia. Não é por nada não, mas até hoje eu ainda agarro muito. Se manter ativo com uma boa alimentação dá uma esperança de uma vida mais saudável”, garante. 

A estudante de Farmácia, Samara Primo deu um tempo na academia nos últimos meses, mas reconhece que precisa voltar a praticar exercícios. “A falta de tempo me obrigou a dar uma parada. Ficou difícil encaixar no bolso e na rotina. Mas coloquei como meta voltar a malhar no próximo mês. Além de você se sentir melhor, com mais disposição, praticar exercícios acaba sendo uma válvula de escape para todo esse stress diário que a gente vive”, conta.

O aposentado Alcyr Sampaio se exercita diariamente com o treino montado pelo educador físico, Renato Figueiredo (Foto: Rodrigo Piscini/Divulgação)

Samara acorda às 5h da manhã, chega ao trabalho às 7h onde permanece até às 17h. A aula na faculdade começa às 18h50 e vai até às 22h. “Tenho grande probabilidade a ficar com o colesterol alto quando estou sedentária, por isso minha pressa em retornar. A atividade física também me ajuda muito nisso”, explica.  

Dez passos para sair do sedentarismo

Check-up Antes de iniciar qualquer atividade, procure um médico para identificar se há alguma restrição na prática de exercícios e conferir também se há riscos, sobretudo, cardíacos.

Orientação  É importante também buscar ajuda de um educacador físico para que ele possa prescrever corretamente os exercícios mais adequados e tornar o treinamento mais eficaz. 

Alimentação  Dê preferência a uma alimentação balanceada composta por alimentos com baixo índice glicêmico  como batata doce, inhame e aipim. Também aposte nas proteínas.  

Caminhada  Uma boa forma de  sair do sedentarismo é com a prática de caminhadas. Inicialmente, um trajeto leve de 30 minutos é o ideal. 

Repouso  Uma boa noite de sono é outra prática fundamental para quem quer se exercitar. Isto por que é o descanso que vai permitir que o corpo se recupere para  a atividade do dia seguinte.

Rotina  Organize-se e planeje seu dia da melhor forma para que a prática de atividade física não deixe de ser prioridade. 

Alongamento  O exercício pode ser feito até mesmo em casa. É importante para melhorar a flexibilidade. Não deixe de alongar a parte superior da coxa e a lombar.

Agachamento  Outro exercício que dá para fazer sem problemas. Com ajuda de uma cadeira, faça o movimento em 2  séries, com 10 repetições em cada. 

Panturrilha  É só ficar na ponta do pé e depois voltar para a posição inicial. Faça duas séries com 10 repetições em cada. 

Abdominais  Mais um exercício para compor o treino: duas  séries de 10 repetições é o suficiente.