Saúde

Apneia do sono atinge uma em cada três pessoas; conheça o distúrbio

Síndrome ainda tem pouco conhecimento da população e médicos

Revista ABM


A SAOS (Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono) ou, simplesmente, apneia do sono, atinge uma a cada três pessoas, mas ainda é pouco tratada e diagnosticada no meio médico.

Alguns fatores contribuem para isso: é considerada uma doença relativamente jovem para a ciência, com pouco conhecimento da população e dos médicos, além de pouco acesso aos métodos diagnósticos. E, de acordo com os especialistas, os pacientes têm dificuldade em associar os sintomas à síndrome, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Foto: Revista ABM

“A SAOS é uma doença sistêmica com múltiplas repercussões clínicas e cognitivas que muitas vezes mascara o diagnóstico, contribuindo para abordagens terapêuticas inapropriadas”, revela o médico e professor Francisco Hora, especialista em medicina do sono e coordenador do Laboratório de Sono do Hospital Português, em Salvador.

Os sintomas mais comuns são:
• Roncos;
• Pausas respiratórias testemunhadas pelo parceiro (a);
• Micção noturna acima de duas vezes;
• Sonolência excessiva diurna causada pelo despertar excessivo;
• Sono não reparador;
• Alterações cognitivas, como déficit de concentração e memória;
• Dor de cabeça matinal;
• Fadiga ou insônia;
• Mau humor;
• Redução da libido;
• Engasgos

Afeta a qualidade de vida
A apneia do sono afeta a qualidade de vida, conforme explica Amaury Gomes, especialista em otorrinolaringologia e medicina do tráfego, e coordenador do Laboratório de Sono do INOOA – Centro Otorrino da Bahia. “Pode afetar desde problemas conjugais pelo ronco, até o risco aumentado de acidentes de trafego e do trabalho, devido à sonolência excessiva, além de risco de associação de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, AVC, arritmias cardíacas e também resistência a insulina, diabetes, dislipidemia e disfunção sexual”.



Tratamento
O principal método diagnóstico é a polissonografia tipo I, conhecido também como polissonografia de noite inteira ou basal, realizado em laboratório de sono.

Estabelecido o diagnostico, o tratamento deve ser individualizado. Para os casos moderados ou graves, o aparelho de Pressão Positiva Contínua Não Invasiva, conhecido como CPAP, é o mais indicado.
Foto: Revista ABM

Outra modalidade de terapia para casos leves ou moderados, é o uso de aparelho intraoral (AIO) de avanço mandibular, indicado pelo médico e avaliado pelo ortodontista, que fará o acompanhamento.

A avaliação médica deve observar a história clínica do paciente, fatores de risco, exame físico, aferição da PA, peso, altura, circunferência do pescoço, tipo de oclusão dentária, exames da bioquímica sanguínea e dosagens hormonais, incluindo os tireoidianos.

As intervenções cirúrgicas se reservam a casos muito bem selecionados, embora a cirurgia bariátrica também contribua para o controle da síndrome.

Recomendações para quem tem apneia do sono
• Praticar atividade física;
• Controlar o peso;
• Restringir o consumo de cafeína e similar;
• Ter cuidado com uso de alguns medicamentos como relaxantes musculares e benzodiazepínicos;
• Controlar a rinite, a sinusite e o refluxo gastroesofágico;
• Dormir com cabeceira elevada;
• Evitar refeições substanciais à noite, assim como uso de álcool e fumo.

Fatores de risco
Como se trata de doença multifatorial e evolutiva, a SAOS apresenta vários fatores de risco. Entre os mais comuns se destacam: obesidade, a circunferência do pescoço; idade avançada, gênero masculino, mulheres na menopausa, hipotireoidismo, hipertrofia das tonsilas palatinas, refluxo gastresofágico, síndromes tipo Down, alterações crânio faciais (retrognatia), via aérea estreita, dentre outros fatores.

Também afeta crianças
Dr. Amaury alerta que os distúrbios respiratórios do sono também atingiem as crianças com repercussões importantes na saúde, na qualidade de vida e no desenvolvimento físico e intelectual.

Os sintomas, além do ronco, são hiperatividade, mau aproveitamento escolar, atraso no desenvolvimento físico, sudorese durante o sono, deformidade craniofacial, e em casos graves pode chegar a cor pulmonale (uma forma de insuficiência cardíaca).