Saúde

Câncer do rim, que afeta Adriana de ‘O outro lado’, apresenta sintomas em fase avançada

Advogada descobriu que estava com câncer em um de seus ruins e que precisaria fazer uma cirurgia às pressas

Agência O Globo

A espera pelo diagnóstico foi longo, mas na última sexta-feira a personagem Adriana (Julia Dalavia), de “O outro lado do paraíso”, recebeu seu veredito. A advogada descobriu que estava com câncer em um de seus ruins e que precisaria fazer uma cirurgia às pressas. A falta de sintomas no começo da doença atrapalha sua detecção.

— Como se trata de uma doença silenciosa é difícil estabelecer um protocolo de sintomas que identifiquem o início de uma doença renal. A principal medida de prevenção é manter hábitos saudáveis que evitam as doenças que estão frequentemente associadas como a obesidade, a hipertensão e o diabetes. E no caso destas duas últimas doenças já existirem, cuidar para sempre manter um ótimo controle dos níveis de pressão e da glicose — destaca a nefrologista Ana Beatriz Barra, gerente médica da Fresenius Medical Care.

O rim tem como função principal remover as substâncias tóxicas e o excesso de água do organismo. O câncer nesta região se desenvolve com mais frequência em homens, a partir dos 60 anos. A doença normalmente é identificada por acaso: em exames de imagem durante um check-up de rotina ou ao outras suspeitas. Assim, grande parte dos diagnósticos é feito com a doença em estágio avançado ou metastático, que pode ultrapassar os 90% segundo pesquisa brasileira publicada na revista científica da Sociedade Americana de Oncologia Clínica. Nestes casos, as chances de cura são menores.

— É fundamental estar atento a qualquer sinal atípico, como perda de peso repentina, febre intermitente, fadiga constante, dor abdominal ou lombar e presença de sangue na urina. A presença desses sintomas requer uma análise aprofundada de um especialista — reforça Fernando Maluf, oncologista clínico e um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer.

O tratamento pode ser feito através de cirurgia ou com medicação, dependendo do estágio em que o tumor maligno é diagnosticado.

— Tentamos sempre realizar nefrectomias parciais, com objetivo de manter a função renal. A retirada completa do rim só é feita em doença volumosa — explica Carlos Augusto Vasconcelos de Andrade, oncologista e diretor da Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico (RJ).

No caso da personagem, foi realizada a retirada total de um dos rins. No decorrer dos capítulos, Adriana vai se sentir mal e descobrirá que precisará fazer um transplante do órgão. De acordo com o Ministério da Saúde, 20 mil pessoas estão em lista de espera para receber transplante de rim, com tempo médio de 18 meses até conseguir um órgão. A diálise é a opção até o transplante ou para pacientes que não querem ou não podem transplantar por outros motivos de saúde. O procedimento cumpre o papel que os rins doentes não podem fazer.