Saúde

Conheça os benefícios da arteterapia no tratamento terapêutico e de reabilitação

De acordo com a arteterapeuta Sheila Trinchão, a arteterapia é um processo rico, sensível e ao mesmo tempo profundo

Revista ABM

Pintura, colagem, recortes, costura, dança, argila, teatro, contos, mitos, música, poesia, desenho, dentre outras formas de expressão artística, se tornam processo terapêutico e de reabilitação através da arteterapia, que tem como função principal auxiliar o autoconhecimento através do despertar criativo e da imaginação, em qualquer idade. Desde 2017, a arteterapia passou a integrar a Política Nacional de Práticas em Saúde (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a arteterapeuta Sheila Trinchão, especialista também em outras terapias integrativas como reiki, constelação familiar e aromaterapia, a arteterapia é um processo rico, sensível e ao mesmo tempo profundo. “Através do lúdico e do criativo da expressão artística, a pessoa é convidada a explorar conteúdos do seu inconsciente de forma a romper com as barreiras do psicológico e aflorar a criatividade e a expressão mais genuína que carrega dentro de si”, explica.

Os benefícios da arteterapia

  • Ajuda na expressão e comunicação de sentimentos
  • Explora a imaginação e a criatividade
  • Ajuda a trabalhar a saúde mental
  • Diminui o estresse e a ansiedade
  • Promove equilíbrio emocional
  • Aumenta a autoestima
  • Contribui para a concentração, atenção e memória

Foto: reprodução / Revista ABM

 

Além disso, é bastante utilizada no tratamento de:

  •  Depressão
  • Síndrome do pânico
  • Autismo
  • Dependência química
  • Abusos de diversas formas, sejam eles de caráter sexual e/ou psíquico

Ajuda a liberar sentimentos

A arteterapeuta explica que através de cores, formas e texturas, pessoas de qualquer idade são beneficiadas ao liberar seus sentimentos, já que a arte oportuniza o enfretamento da dor com mais serenidade. “Arriscaria dizer que até com mais leveza, já que auxilia na diminuição de tensões, estresse emocional e físico”.

Ela reforça que a arteterapia auxilia também na estabilidade de doenças crônicas, ao permitir expressar tristezas, angústias, medos e raivas. “O que não se consegue externar através das palavras, é mostrado na produção artística e, dessa forma, é possível ressignificar dores, traumas, medos dentre outros sentimentos desafiadores. Tudo isso através de uma linguagem acolhedora, lúdica e criativa, que proporciona o rompimento das resistências psicológicas, respeitando sempre o tempo e o limite do paciente”, explica.

 

Terapeutas do Riso

Fundado há 22 anos pelo atores Edmar Dias e Dalvinha Gomes, o grupo Terapeutas do Riso se tornou referência de boas práticas em humanização na assistência à saúde, quando ainda era pouco conhecida a utilização da arte do palhaço no processo de reabilitação de pessoas hospitalizadas.

Os atores têm formação em teatro, artes ciências e música, e estão sempre em constante trabalho de pesquisa e qualificação. "Não se trata de um serviço voluntário, mas de uma assistência especializada, focada no bem-estar de pacientes hospitalizados de diversas faixas etárias, com trabalho desenvolvido de forma multidisciplinar, integrada com a equipe de saúde", explica Dalvinha.

De acordo com ela, o objetivo é a promoção do processo de cura, tirando o foco da dor, e aliviando o sofrimento da internação, inclusive para os que estão em UTI. “A doença coloca o ser humano em uma condição de isolamento e introspecção e, muitas vezes, falta de esperança. É nesse contexto que nosso trabalho surge como um sopro de luz capaz de transformar a vida do espectador solitário, através do contato com a arte e a possibilidade de transmitir o riso apropriado.  São crianças e adultos com diferentes histórias de vida e expectativas. Para cada um dele, levamos as intervenções cênicas individualizadas, cujo termômetro é o próprio motor e as aventuras do paciente”, explica.

Teconsulta 

Em função da pandemia, há um ano os Terapeutas do Riso já atenderam 577 pessoas no Brasil e em Portugal, através de consulta 100% online e personalizada, parodiando uma consulta médica tradicional. “É uma experiência inovadora, destinada não apenas aos pacientes crônicos de longa permanência, mas também para a equipe de saúde”, explica Dalvinha. A consulta acontece por vídeochamada através do WhatsApp. Na hora marcada os “Doutores Palhaços” entram em contato com o número cadastrado no agendamento, em parceria com equipe multidisciplinar.

Além da experiência em humanização e acolhimento hospitalar, o grupo desenvolve consultoria, palestras, cursos dinâmicos, workshops e oficinas de capacitação.