Saúde

Consumo de pornografia faz o cérebro ficar mais 'juvenil'; entenda

Estudo defende que o exagero no consumo desse conteúdo pode trazer consequências negativas, como depressão e disfunção erétil

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

Consumir conteúdo pornográfico faz o cérebro regredir a um estado 'juvenil'. É isso que afirma um artigo escrito pela pesquisadora Rachel Anne Barr, publicado em novembro de 2019, no site The Conversation. 

O estudo defende que o exagero no consumo de pornografia pode trazer consequências negativas à saúde mental e ao desempenho sexual do indivíduo, como depressão e disfunção erétil. 

Foto: Reprodução

A pesquisadora explica que, com base em análises sobre a fiação neural subjacente aos processos de aprendizado e memória feitos no laboratório que trabalha, chegou a conclusão de que a pornografia em vídeo pode ser um gatilho poderoso para a plasticidade, que é a capacidade do cérebro de mudar e se adaptar após uma experiência. 

Consequências 

Outro ponto levantado no artigo é que, a longo prazo, o consumo de pornografia pode ocasionar disfunções sexuais, principalmente em relação à capacidade de atingir a ereção ou o orgasmo, trazendo prejuízos também na estabilidade conjugal e o comprometimento do casal. 

O artigo cita também os estudos que traçam um paralelo entre o consumo de pornografia e o abuso de substâncias. A explicação é que o cérebro humano está programado para reagir a estímulos sexuais com "doses" de dopamina, hormônio relacionado à sensação de felicidade. Esse hormônio também atua para programar memórias e informações no cérebro, ou seja, fazer lembrar de onde voltar ou o que fazer para repetir aquele momento de prazer.

A partir disso, em vez de procurarem um parceiro para satisfazer suas vontades sexuais, os consumidores excessivos de pornografia vão direto para a internet buscar pelo conteúdo. 

“A pornografia atende a todos os pré-requisitos para a mudança neuroplástica. Quando os pornógrafos se gabam de que estão empurrando o envelope ao introduzir temas novos e mais difíceis, o que eles não dizem é que precisam, porque seus clientes estão construindo uma tolerância ao conteúdo", explica o psiquiatra Norman Doidge no artigo. 

A pornografia é um gatilho estimulante que leva a secreção de dopamina a níveis não naturais, com isso, há a chance de danos no sistema de recompensa do hormônio, o que faz com que o corpo não responda a fontes naturais de prazer no futuro, que explica os casos de disfunção erétil. 

Outros prejuízos

Mas além das consequências físicas, o artigo cita estudos mostram que a desregulação na transmissão da dopamina no corpo pode permitir com mais facilidade o desenvolvimento transtornos mentais como depressão e ansiedade. 

Outro fator apresentado no artigo afirma que os consumidores compulsivos de pornografia sentem desejo e necessidade de mais conteúdo pornográfico, mesmo que não gostem necessariamente. 

Estudos também correlacionam o consumo de pornografia com a danos no córtex pré-frontal, que é a região do cérebro capaz de abrigar funções executivas como moralidade, força de vontade e controle de impulsos. 

Essa estrutura é subdesenvolvida durante a infância, e é por isso que as crianças se esforçam para saber regular suas emoções e impulsos. A erosão no córtex pré-frontal do cérebro, na idade adulta, é chamada de hipofrontalidade, o que causa ao ser humano uma pré-disposição a comportamentos compulsivos e tomar decisões equivocadas.

Ou seja, a pesquisa conclui que o consumo deste tipo de entretenimento adulto pode fazer com que o nosso cérebro regrida para um estado mais "juvenil".