Saúde

'Falso magro': especialista em obesidade explica o que é como tratar

Edivana Poltronieri diz que pessoas com excesso de gordura e pouca musculatura, em muitos casos, têm propensão a desenvolver problemas como hipertensão, diabetes

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

Ter o manequim 38 não significa necessariamente saúde. É possível, pelo percentual de gordura existente no corpo, ser considerado um "falso magro", o que significa que a pessoa tem excesso de gordura, pouca musculatura e, em muitos casos, propensão a desenvolver problemas como hipertensão, diabetes.

Mas como identificar essas características? A especialista em obesidade adulta e infantil, Edivana Poltronieri esclarece as dúvidas sobre o assunto. “É possível detectar o falso magro por alguns exames, como bioimpedância. Este exame revela se a pessoa possui excesso de gordura em comparação à massa magra. Geralmente, essas pessoas também têm alteração no exame de sangue, especialmente nos níveis de açucares e colesterol, o que pode causar uma série de doenças”, explica Poltronieri.

Apesar de terem uma silhueta mais afinada, sendo considerados aparentemente magras, normalmente essas pessoas apresentam flacidez e pouca massa muscular. De acordo com a especialista, vários fatores podem influenciar nisso, como má alimentação, falta de atividades físicas, histórico genético familiar, insônia e até estresse.

“O importante é a pessoa ter consciência de que a definição de saúde está mais relacionada à qualidade de vida, ânimo para realização de atividades, e condições para prevenir doenças como diabetes, pressão alta, entre outras”, diz Poltronieri. Segundo ela, são três os fatores mais comuns para o quadro:

1. Sedentarismo: levar uma vida sem prática de atividades físicas está diretamente relacionado com a perda de massa muscular. Nesses casos, o acúmulo de gordura em locais específicos acontece com uma facilidade muito maior. Isso porque, quanto menor a quantidade de massa muscular de uma pessoa, mais lento tende a ficar seu metabolismo, o que resulta, diretamente, na gordura localizada e flacidez.

2. Alimentação: é comum que durante a infância, adolescência e juventude, a dieta alimentar de grande parte das pessoas se baseie em frituras, doces e refrigerantes. Isso acontece porque, nessas fases ainda não há noção das graves consequências para saúde que podem ser geradas. No entanto, por mais que não seja totalmente perceptível, o corpo perde massa muscular lentamente e acumula gordura. Na fase adulta, os efeitos começam a ser observados e os prejuízos, sentidos.

3. Genética: os genes FTO, MC4R e PPARG, presentes na informação genética de algumas pessoas, contribuem para o aumento do índice de massa corporal e acúmulo de gordura, quando alterados.

Tenha atenção
O falso magro normalmente acumula gordura em determinadas partes do corpo, em especial no abdômen, o que pode ser mais prejudicial quando comparado com quem acumula gordura de forma mais distribuída. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), homens com abdômen com circunferência igual ou superior a 94 centímetros possuem mais chances de obterem doenças cardiovasculares. Em mulheres é a partir dos 80 centímetros.    

O que fazer para evitar ou tratar?
Para ajudar a combater essa situação, Edivana Poltronieri indica: 

- Aumentar o consumo de fibras, presentes em legumes e vegetais, pois são essenciais para que o intestino funcione perfeitamente;

- Aumentar o consumo de proteínas magras como frango, maminha e peixes claros, pois são capazes de aumentar a quantidade de massa muscular e, consequentemente, acelerar a queima de gordura;

- Praticar exercícios físicos regularmente, incluindo os aeróbicos.