Saúde

Hábitos saudáveis podem dar até dez anos de vida a mais; saiba como

Estilo de vida mais saudável não apenas diminui a incidência dessas doenças crônicas, como também melhora a sobrevida após o diagnóstico

Revista ABM

Uma pesquisa assinada por 13 cientistas e publicada na Inglaterra, no último mês de janeiro, concluiu que hábitos saudáveis podem dar até dez anos a mais de vida para as mulheres e sete anos a mais para os homens. E são mais anos de vida sem câncer, sem problemas cardiovasculares e diabetes tipo 2.

De acordo com a oncologista Renata Cangussu, do Núcleo de Oncologia da Bahia, adotar um estilo de vida mais saudável não apenas diminui a incidência dessas doenças crônicas, como também melhora a sobrevida após o diagnóstico.

“É importante valorizarmos o nosso estilo de vida para termos mais anos de vida com qualidade, e livre de doenças crônicas. E seria muito bom que as autoridades de saúde pública estimulassem medidas de incentivo nesse sentido, pois isso também traria benefícios a todo o sistema de saúde”.

Nesse estudo foram considerados os seguintes fatores: dieta alimentar, tabagismo, atividade física, consumo de bebida alcoólica e o índice de massa corpórea (IMC), que está diretamente ligado à obesidade, conforme parâmetros adotados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O IMC saudável tem que estar na faixa de 18,5 a 24,9.

Segundo Renata, estudos anteriores já mostraram que hábitos e estilo de vida com esses fatores de risco contribuem com até 60% das mortes prematuras, além da perda de 7 a 18 anos na expectativa de vida. “Esses fatores aumentam o risco de doenças crônicas, que são consideradas  a principal causa de morte prematura.  Portanto, evitar é essencial para prevenir essas doenças e prolongar a expectativa de vida”.



O risco de câncer
Com relação ao câncer, uma doença ainda bastante temida, a oncologista ressalta que apenas de 5 a 10% dos casos são considerados hereditários. Os outros 90 a 95% são adquiridos ao longo da vida, como consequência de nossos (maus) hábitos.

E evitar esses fatores de risco pode significar uma diminuição entre 35 a 40% de novos casos. “Não temos nenhuma medicação disponível no mercado, hoje, que consiga esse benefício! Então, está claro que isso é muito importante, e reduzir as chances de se deparar com o diagnóstico de câncer está em nossas mãos, e em nossas escolhas diárias”.

A importância da atividade física
Dentre os fatores de risco, o sedentarismo é uma das maiores preocupações de médicos e órgãos de saúde. A falta de atividade física impacta diretamente na qualidade vida, além de ser fator de risco para hipertensão, diabetes e controle do colesterol.
Foto: Revista ABM

Praticar atividade física regularmente melhora a qualidade de vida de diversas maneiras, e em todas as fases da vida, da infância à velhice, trazendo benefícios não apenas para a saúde física, mas para a saúde mental e o convívio social. “O exercício físico combate, indiretamente, outros fatores de risco”, explica o urologista Frederico Mascarenhas.

Alguns benefícios de praticar atividade física regularmente:

• Ajuda a controlar o peso

• Contribui para o controle da glicemia, colesterol e hipertensão

• Melhora as habilidades e coordenação motora

• Permite lidar com dificuldades e frustrações

• Ajuda na sociabilização em grupo, e na interação com outras pessoas

• Estimula a disciplina

• Incentiva a superação de limites

• É uma excelente maneira de combater o estresse

• Na velhice é essencial: melhora o tônus muscular, reduz o risco de queda e fraturas, melhora a massa óssea, o equilíbrio, a memória e o nível de atenção.

Dr. Frederico, além de médico, também é atleta de corrida de rua e sempre praticou atividade física, desde a infância. Mas ele mesmo já sentiu o impacto negativo que o sedentarismo pode causar. “Ao ficar sedentário durante um bom período, em virtude das atribulações com a faculdade, e depois com o início da minha carreira profissional, ganhei peso, meu nível de colesterol e triglicerídeos subiu muito, e eu sempre estava indisposto e cansado”.

Aos 30 anos de idade o médico foi retornando às atividades físicas gradativamente, e ao longo de um ano já tinha perdido 12 quilos, melhorado seu condicionamento físico, e passou a se dedicar ao esporte de forma profissional. Desde então, não interrompeu mais as atividades físicas. “Treino e faço musculação, e estou conseguindo manter o peso ideal, que é o mesmo dos meus 18 anos! A atividade física ativa minha mente e meu corpo, e é essencial para meu bem estar”.

Nunca é tarde para começar
Pessoas com 50 anos ou mais, e que levaram uma vida mais descuidada, sem uma dieta adequada e equilibrada, sem fazer atividade física, e fumando ou exagerando na bebida, podem ganhar mais saúde ao mudarem o estilo de vida. De acordo com o urologista, nunca é tarde para começar. “Independente da idade, sair do sedentarismo sempre traz benefícios”.
Foto: Revista ABM

Segundo o médico, a pessoa que parar de fumar, por exemplo, e iniciar a atividade física vai ter uma melhora no condicionamento cardiovascular maior do que aquele que malha, mas persisti no vício.

E segundo o médico, o exercício físico tem também a capacidade de mudar os hábitos alimentares, uma vez que a prática regular na busca de um bom desempenho tende a melhorar a dieta. “Essa busca ocorre de forma natural, sem precisar entrar numa dieta alimentar forçada. Passa-se a ingerir menos álcool, menos gordura e açúcar, e a dormir melhor. Desta forma o ganho tende a ser mais perene e durador”.

Por que a expectativa de vida é maior para as mulheres
As mulheres vivem mais do que os homens porque se cuidam mais, frequentam mais os serviços de saúde, fazem uma medicina preventiva, antecipando-se aos problemas, e faz de maneira correta o diagnóstico precoce e o tratamento.

De forma geral, os homens são mais negligentes com os fatores de risco e acreditam menos no trabalho de prevenção: não se alimentam adequadamente e preservam hábitos nada saudáveis como excesso de bebida alcoólica, tabagismo e falta de atividade física.

Mas as mulheres acabem trazendo benefícios à saúde dos seus companheiros. Segundo estudos, homens casados, ou que tenham parceiras próximas em seu convívio, tendem a viver mais e ter doenças menos graves quando comparados aos solitários e solteiros. “Isto ocorre porque as mulheres estimulam e proporcionam aos homens que eles busquem os serviços de saúde de maneira preventiva e se tratem tão logo surjam os problemas, assim como elas fazem consigo mesmas”, explica o urologista.