Saúde

Ingestão de placenta pode apresentar riscos, alerta especialista

Bela Gil falou sobre a receita de shake de placenta que ingeriu durante o pós-parto

Agência O Globo
Em entrevista recente à Revista ELA, a apresentadora Bela Gil falou sobre a receita de shake de placenta que ingeriu durante o pós-parto de Nino, seu filho de 9 meses. O uso do órgão como alimento, no entanto, pode apresentar sérios riscos à criança e ao bebê, segundo a endocrinologista Lenita Zajdenverg, chefe do serviço de nutrologia do hospital universitário da UFRJ.
Com pesquisa que foca em gestantes com problemas endocrino-metabólicos, Lenita informa que a comunidade médica ainda investiga se a ingestão da placenta é segura e pontua que já há casos de contaminação por bactérias. — Em 2016, tivemos o relato de um caso nos Estados Unidos a respeito de uma criança que estava contaminada por estafilococos. Após exames, descobriram que a mãe estava contaminada e que estava consumindo cápsulas de placenta que também continham a mesma bactéria — relata.

A professora destaca que a placenta é um órgão biológico e, por isso, está sujeita à contaminação por bactérias da mesma forma que alimentos como carnes e queijos. — A Bela (Gil) fala em bater a placenta crua no shake, mas isso é a mesma coisa que bater um pedaço de carne crua com banana. Não sabemos qual vai ser a condição de armazenamento da placenta, ainda mais se a bolsa da mulher estourou muito antes do parto. Também há o risco de infecção hospitalar, que no Brasil é muito comum — detalha.
A "moda" de ingerir a placenta após a gravidez é especialmente popular nos Estados Unidos, mas já começa a se popularizar no Brasil. Na maior parte dos casos, as mães optam pela ingestão em cápsulas. Foi o que fizeram, por exemplo, Kim Kardashian e January Jones. A justificativa para o hábito é de que a placenta seria rica em nutrientes que as mulheres precisam repor após o parto. Aqui no Brasil, outra adepta da prática é a atriz Quitéria Chagas.
"Placenta no pós parto é tudo, para mim funcionou. Fiz em forma de cápsulas como fazem na Europa e em outros países, ingeri como medicamento", comentou a atriz no Instagram, a respeito dos comentários de Bela Gil na entrevista.
Segundo Lenita Zajdenverg, por conter muito sangue, a placenta é rica em ferro, além de conter gordura e colesterol. O hábito da ingestão dela é comum no mundo animal. Mas, se na natureza o consumo da placenta é uma estratégia de sobrevivência, no mundo contemporâneo, a realidade é diferente.
— Não vejo nenhuma necessidade disso no caso de mulheres que vivem em um centro urbano. A maioria das gestantes, mantendo uma alimentação saudável e um bom cuidado pré-natal, não vai precisar de nenhum tipo de aporte diferente de nutrientes. O que elas precisam é de uma dieta rica em proteínas, ácido fólico, ferro e cálcio. Tudo isso pode ser alcançado com alimentação saudável e, se necessário, com o consumo de suplementos, conforme orientação médica — orienta.