Saúde

Paciente derrama lágrimas após 15 anos em estado vegetativo

Homem ficou com danos cerebrais graves, em coma profundo, após sofrer um acidente de trânsito em 2001

Agência O Globo
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Um homem em estado vegetativo derramou lágrimas depois de 15 anos sem mostrar nenhum sinal de consciência em relação ao mundo exterior. A reação aconteceu depois de o paciente, de 35 anos, receber um implante feito para estimular seu sistema nervoso.

O homem ficou com danos cerebrais graves, em coma profundo, após sofrer um acidente de trânsito em 2001. Surpreendentemente, poucas semanas depois do implante, feito para estimular o chamado nervo vago, que liga o cérebro a quase todos os órgãos vitais do corpo, o paciente apresentou sinais de consciência.

Foto: Divulgação

O tratamento, realizado em 2016, na cidade de Lyon, na França, contradiz uma máxima da medicina segundo à qual um paciente não tem esperanças de retomar a consciência depois de 12 meses em estado vegetativo. O artigo que descreve a terapia foi publicado nesta segunda-feira pelo periódico científico "Current Biology".

Graças ao implante, o homem começou a seguir objetos com os olhos, que se arregalaram de surpresa quando uma médica fez um movimento repentino, aproximando bruscamente seu rosto ao do paciente. Além disso, o homem passou a se manter acordado enquanto alguém lia uma história para ele. Ainda de acordo com os responsáveis pelo experimento, ele começou a mexer lentamente a cabeça quando solicitado.

— Ele ainda está paralisado, não pode falar, mas pode responder. Está mais consciente — explica a cientista Angela Sirigu, que liderou o experimento no Institut de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod, em Lyon.

A cirurgia para implantar o dispositivo que estimula o nervo vago durou cerca de 20 minutos. O pequeno implante foi feito ao redor do nervo, no pescoço do paciente. Depois de um mês de estímulos, o homem começou a demonstrar sinais mínimos de consciência.

O monitoramento cerebral do indivíduo revelou mudanças notáveis, com o acréscimo de atividade elétrica entre regiões do cérebro, especialmente nas áreas ligadas a movimentos, sensações e consciência.

Agora, os cientistas querem aplicar essa técnica em pessoas com sequelas menos severas. Com isso, os responsáveis pelo implante esperam uma recuperação ainda mais rápida e significativa dos pacientes.