Saúde

Psicoterapia ajuda a ter mais saúde e qualidade de vida

Técnica é o principal procedimento de tratamento psicológico da área da saúde mental

Revista ABM

A psicoterapia deve e pode ser procurada quando tudo nos faz sentir oprimidos e nos causa sofrimento, ou nos impede de funcionar do melhor modo possível. A técnica é o principal procedimento de tratamento psicológico da área da saúde mental, que tem como objetivo lidar com os problemas psíquicos e dos relacionamentos.

Na psicoterapia o processo é interativo e colaborativo entre paciente e psicoterapeuta, que trabalham juntos para resolver as questões desejadas. A técnica deve ser exercida por psicólogo ou médico, especialistas em psicoterapia.

Uma das principais ferramentas utilizadas na psicoterapia é a fala, pois é através dela que o paciente expressa seus pensamentos em consultório. E também pode ser em grupo, em família, e até em forma de imersão durante um final de semana (“maratona”).

Infelizmente, o preconceito ainda é o maior obstáculo para ser procurar esse tipo de ajuda, conforme explica o psicoterapeuta Antônio Pedreira, médico especialista em psicoterapia, e autor de vários livros na área. “É muito comum ouvir que “isso é coisa de maluco”, mas eu digo que fazer psicoterapia é uma aventura de autoconhecimento que pode fazer toda a diferença para se alcançar ou manter a saúde mental e a qualidade de vida”.

Segundo Dr. Antônio, outro obstáculo bastante observado é não querer parecer "fraco" aos olhos dos outros por não conseguir resolver seus problemas e se "deixar chegar" ao desequilíbrio ou instabilidade emocional, o que leva a pessoa a percorrer caminhos que não vão ajudá-lo e, muitas vezes, só pioram o quadro.

"Não é incomum as pessoas procurarem primeiro o "Dr. Google" para buscar orientação, ou ir atrás de banhos de descarrego, procurar um coaching ou blogueiras da moda e influenciadores digitais, ou mesmo buscar alívio no abuso de bebida alcoólica e uso de drogas. Depois de toda essa trajetória é que procuram a ajuda de um profissional qualificado".



Quando perceber que precisa de ajuda
De acordo com o psicoterapeuta muitas são as pistas que podem sinalizar a necessidade de buscar ajuda.

“Toda vez que um paciente com muitas queixas faz a peregrinação com médicos de diferentes especialidades em busca de respostas, e sem encontrar fundamento orgânico algum, está na hora de buscar a psicoterapia. E também é indicada para quem sofreu uma perda significativa, ou esteja vivenciado uma situação de estresse agudo e precisa de ajuda para lidar com suas angústias e conflitos”.

Ele indica os principais sinais:   

  • Funcionar fora de seu padrão habitual, evidenciando pensamentos distorcidos, tipo: alucinações e delírios; pensamentos intrusivos ou obsessivos;
  • Mudanças fortes e duradouras de humor;
  • Comportamento de risco para si próprio e para os outros;
  • Quadro depressivo, com forte instabilidade emocional, com risco de suicídio ou ideias de autodestruição;
  • Desinteresse por tudo e por todos, e uma anestesia afetiva: nada mais emociona.
  • Alterações drásticas de aspectos fisiológicos com relação ao sono, apetite, incansabilidade ou a fadiga fácil, ou mesmo comportamento lento, fora do habitual, sem causa física;
  • Conduta agressiva para se libertar de suposta culpa;
  • Comportamentos compulsivos, limitantes, de abandono, ou ideias obsessivas de fuga, ruina, culpa, desesperança, desconfiança, e perseguição infundadas;
  • Fantasias de futurologia catastrófica, com a sensação recorrente de pânico, com o medo de perder o juízo e/ou de vir a fazer algo insano (por exemplo: sair correndo pela rua, gritos incessantes, etc);
  • Medo de doenças graves não confirmadas pelos médicos, e quadros hipocondríacos;


O especialista alerta que muitos desses quadros vão necessitar de acompanhamento medicamentoso, adequado para cada caso.

“Nunca é demais lembrar que, como seres que funcionamos em bases eletroquímicas, as modernas medicações psicoativas irão regular os mecanismos elétricos e químicos interneuronais. Contudo, sozinhas elas não conseguirão elaborar os conflitos psíquicos subjacentes. Esse é o papel fundamental da psicoterapia”.

Foto: Revista ABM

Os objetivos da psicoterapia junto ao paciente são:  

  • Buscar restaurar o equilíbrio psíquico do paciente;
  • Levar o paciente a entender as causas dos seus sofrimentos secretos ou explícitos;
  • Treinar no paciente as habilidades que lhe faltam para o devido enfrentamento de situações temidas ou indesejadas. E pode ser qualquer coisa, como, por exemplo, falar em público e pegar elevador;
  • Buscar empoderá-lo no sentido de se sentir capacitado;
  • Ajudar a desenvolver no paciente todo seu potencial para o enfrentamento das suas atividades do cotidiano;
  • Oferecer um modelo compreensível da sua personalidade e de opções para dar novo significado ao seu modo de pensar, sentir, falar e agir;
  • Solucionar os entraves e impasses que impedem o paciente de fazer mudanças significativas em sua vida pessoal e interpessoal;
  • Auxiliar a decodificar questões existenciais;
  • Superar as dificuldades psíquicas decorrentes de uma limitada competência emocional na família, no trabalho, nos estudos e no ambiente social.
Foto: Revista ABM

Aconselhamento em casos especiais
De acordo com o psicoterapeuta, o objetivo da psicoterapia não é dar aconselhamento, uma vez que o que um conselho pode servir para um mas não para outro. “No cenário terapêutico, o que pode ocorrer é uma análise da situação conflitiva na qual as possíveis alternativas venham a ser encontradas e aplicadas pelo próprio cliente”.

Mas há casos eventuais em que o psicoterapeuta é procurado para aconselhamento, principalmente por pais e familiares em busca de orientação para lidar com determinada situação:

  • Pais em busca de informação do especialista na condução da educação dos filhos;
  • Orientação de como atuar com pessoas da família que passaram por situações traumáticas de acidentes de veículos, sequestros e experiências de quase morte;
  • Pais com filho que faz uso abusivo de drogas – lícitas ou ilícitas;
  • Casos em que há dificuldade de aprendizado escolar, repetência e bullying. “Essa análise poderá ser efetuada pelo psicoterapeuta principalmente quando o principal implicado se nega a ir”, explica Dr. Antônio Pedreira.


Dr. Antônio Pedreira é médico, educador, escritor e psicoterapeuta individual e de casais, especialista em Análise Transacional (AT) com atendimento na área psicoterápica e psiquiátrica.