Saúde

Realidade virtual ameniza dor em crianças durante vacinação

Distraídos, pacientes têm percepção da picada da agulha reduzida

Agência O Globo

O uso da tecnologia de realidade virtual pode amenizar o desespero e a dor das crianças quando são vacinadas, aponta estudo realizado pelo médico Chad Rudnick, professor da Universidade Atlântica da Flórida, nos EUA. O medo de agulha, ou aicmofobia, está entre os temores mais comuns entre crianças, e, durante a infância, elas são expostas constantemente à situação. Além de dificultar a vacinação e causar desconforto entre os pais, médicos e pequenos pacientes, a fobia pode até mesmo levar ao adiamento de consultas.

Especializado em pediatria, Rudnick teve ao ideia ao receber em seu consultório um paciente de 8 anos com um óculos de realidade virtual. A criança entrou, se sentou, colocou o equipamento e recebeu uma injeção, sem qualquer reação. Até mesmo a mãe do menino duvidou que a vacina havia sido dada.

— Foi quando a lâmpada acendeu na minha cabeça. Me fez pensar se esse resultado foi um incidente único ou se poderia funcionar novamente — contou Rudnick.

Pesquisas anteriores já demonstraram têm a capacidade de atenção limitada: se uma pessoa está concentrada em um estímulo, ela irá perceber um segundo estímulo, no caso a picada da agulha, de maneira menos severa. Então, Rudnick resolveu testar a teoria na prática, com apoio de dois estudantes de medicina, Emaan Sulaiman e Jillian Orden, coautores da pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista “Pain Management“.

Rudnick usou um óculos de realidade virtual pareado com um aplicativo de smartphone que dava às crianças a opção de escolher entre passeios de montanha russa, de helicóptero ou de balão. Com o equipamento funcionando, o pediatra aplicou as vacinas nos pacientes. Os participantes tinham entre 6 e 17 anos, e responderam a questionários antes e após a injeção, usando escalas de medo e dor padrão. Os pais ou responsáveis também preencheram os formulários.