Saúde

Tempo excessivo de sedentarismo está associado a maior risco de morte

Movimentar-se a cada 30 minutos pode mitigar efeitos negativos de passar muito tempo sentado, mostra estudo com 8 mil pessoas

Agência O Globo

Que o sedentarismo faz mal para a saúde não é uma novidade para praticamente mais ninguém, mas um novo estudo indica que, além do tempo total de inatividade, a forma como ele se acumula ao longo do dia, isto é, se em pequenos períodos entrecortados ou longos estirões sem fazer nada, pode alterar significativamente o risco de morte de uma pessoa independente de outros fatores como idade, gênero, etnia, sobrepeso ou obesidade e até se costuma praticar exercícios. Diante disso, os pesquisadores sugerem que se movimentar a cada 30 minutos, nem que seja minimamente, como levantar para pegar um copo d’água, pode ajudar a mitigar ao menos um pouco os efeitos negativos do sedentarismo.

"Tendemos a pensar no comportamento sedentário como simplesmente a quantidade de tempo que ficamos parados sem fazer nada todos os dias", justifica Keith Diaz, pesquisador do Departamento de Medicina do Centro Médico da Universidade Colúmbia, em Nova York, e líder do estudo, publicado nesta segunda-feira no periódico científico “Annals of Internal Medicine”. "Mas estudos anteriores já sugeriam que os padrões de sedentarismo, se um indivíduo acumula seu tempo sedentário em diversos períodos curtos ou longos períodos de tempo, podiam também ter um impacto na sua saúde".

Foto: Pinterest

Assim, no novo estudo, os cientistas analisaram dados de quase 8 mil americanos negros e brancos, de ambos sexos e com mais de 45 anos participantes de um amplo levantamento, ainda em curso, sobre fatores de risco para derrames nos EUA, intitulado Regards (sigla em inglês para “razões para as diferenças regionais e raciais em derrames”, numa tradução livre).

Mas à diferença de quase todas outras pesquisas sobre o sedentarismo e suas consequências feitas até agora, em que as informações sobre as atividades físicas diárias são provenientes de relatos dos próprios voluntários, e por isso mais sujeitas e erros, todos participantes do Regards que tiveram os dados analisados no novo estudo usaram um acelerômetro – aparelho que mede a aceleração e vibração de alguma coisa, e por isso usado para detectar sua movimentação – preso à cintura por pelo menos quatro dias mais de dez horas diárias, fornecendo uma rara medida objetiva dos seus níveis de atividade.

Os cientistas dividiram então estes quase 8 mil voluntários em quatro grupos de acordo com dois parâmetros básicos: tempo total de comportamento sedentário ao longo do dia; e duração média dos períodos de inatividade como contribuição para este tempo total. Disto resultaram também quatro grupos gerais: pessoas menos sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos curtos; pessoas menos sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos mais longos; pessoas mais sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos curtos; e pessoas mais sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos mais longos.

Todos participantes também foram acompanhados ao menos mais quatro anos após usarem o acelerômetro, ao fim dos quais 340 haviam morrido de qualquer causa. Cruzando esta informação com a classificação dos grupos e usando diversas ferramentas estatísticas para excluir outros fatores de risco, os cientistas verificaram que as pessoas mais sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos mais longos tinham mais do dobro do risco de morrerem do que as do grupo de referência, as menos sedentárias que acumulavam o tempo paradas em períodos curtos.

Além disso, eles observaram que os participantes incluídos no subgrupo de períodos mais curtos de sedentarismo, menos de 30 minutos, apresentavam um risco menor de morte no geral, daí a recomendação de fazer intervalos para se movimentar a cada meia hora.

"Então, se você tem um emprego ou estilo de vida em que tem ou fica sentado por prolongados períodos de tempo, sugerimos que faça um intervalo para se mexer a cada meia hora", conclui Diaz. "Esta é uma mudança comportamental que pode reduzir seu risco de morrer, embora ainda não saibamos precisamente o quanto de atividade seria o melhor para isso".