Saúde

Vacina contra o HPV cura câncer de pele em paciente

Uso experimental foi indicado porque não havia outras opções de tratamento

Agência O Globo

O carcinoma de células escamosas é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, com tratamento relativamente simples por remoção cirúrgica, mas em casos extremos pode gerar complicações. Foi o que aconteceu com uma paciente de 97 anos que procurou o Sylvester Comprehensive Cancer Center, em Miami, na Flórida, com a perna direita coberta por tumores.

— Ela não era candidata a cirurgia por causa do número e do tamanho de seus tumores — explicou a dermatologista Anna Nichols, que atendeu a paciente. — Também não era candidata à radioterapia pelos mesmos motivos.

Sem opções, Anna recorreu a uma solução ainda experimental: a vacina Gardasil contra o HPV. Testes anteriores, realizados pela própria pesquisadora, reduziram o número de novos tumores em dois pacientes após o uso do medicamento. Contudo, a droga é aprovada apenas para a prevenção de cânceres cervical, anal, na vagina e na vulva provocados pelo vírus do papiloma humano.

— Eles decidiram tentar e funcionou — disse a paciente. — Matou todos.

A idosa recebeu duas doses da vacina no braço, com um intervalo de seis semanas entre as aplicações. Algumas semanas depois, a droga foi injetada diretamente na maioria dos tumores, em quatro aplicações ao longo de 11 meses. O caso foi relatado na revista “JAMA Dermatology”.

— Todos os tumores desapareceram completamente 11 meses após a primeira injeção direta e ela não teve recidivas — celebrou Anna. — Já se passaram cerca de 24 meses desde que começamos com o tratamento.