Por que testes rápidos podem dar negativo em pessoas infectadas com Covid-19?


Foto: Reprodução

O recente aumento de casos de Covid-19 no Brasil tem levado cada vez mais pessoas a realizarem o teste rápido de antígeno após apresentarem sintomas típicos da doença. Mas, após realizar o procedimento, o resultado tem sido negativo. Os sintomas persistam e, ao repetir o exame, aí sim, o resultado confirma a infecção pelo coronavírus. Mas, o que pode causar o resultado negativo em infectados?

O médico infectologista e professor da Escola Baiana de Medicina, Robson Reis, chama atenção para o fato de que nenhum exame na medicina, principalmente na parte referente as doenças infectocontagiosas vai apresentar uma sensibilidade 100%. Ou seja, será possível identificar todas as pessoas que tenham a doença. E no caso da Covid-19, não é diferente.

O especialista explica que, enquanto o exame “padrão-ouro”, o RT-PCR, apresenta cerca de 2 a 3 pacientes com resultados negativos, mas que ainda assim estão infectados, os testes de antígeno ou testes rápidos têm uma taxa maior.

“RT-PCR tem uma sensibilidade de 70 a 80%, isso significa que a cada 10 pacientes com Covid-19, 2 a 3 podem ter o resultado ‘não detectável’, ou seja, negativo, e ainda assim ter a doença. Esse valor é um pouco maior para pacientes com teste do antígeno. Este teste, dependendo de qual seja, pode ter uma sensibilidade de 70% aproximadamente. Às vezes menor, às vezes maior. Então, a cada 10 pacientes que tem Covid, 3 deles podem ter resultado não reagente para a doença”, explica.

O médico reforça que nenhum exame na medicina, principalmente na parte referente as doenças infectocontagiosas, garante 100% de certeza quanto ao seu resultado.

“Ou seja, nenhum exame vai apresentar uma sensibilidade de 100%, de identificar 100% dos pacientes que realmente tenham a doença, e muito menos uma especificidade de 100%, ou seja, de afastar 100% dos pacientes que não tenham aquela doença. Lógico que muitos exames se aproximam disso, mas nenhum exame vai ter essa precisão”, explica o médico.

Alguns fatores podem explicar porque isso acontece. De acordo com o infectologista, dentre os motivos, tem a própria capacidade do teste em detectar a doença. Além disso, também pode ocorrer por conta do tempo ideal de coleta. Segundo o médico Robson Reis, os testes rápidos, teste do antígeno, devem ser realizados entre o 1° e o 7° dia de sintomas, sendo ideal entre o 2° e o 5° dia.

“Se ele for coletado fora desse período, ele pode ter um falso negativo. Outro motivo também é que muitos pacientes, antes de realizarem a coleta do exame, erroneamente fazem lavagem nasal, e com isso eles acabam eliminando secreção do nariz, da mucosa nasal, que poderia conter o vírus. Então, isso também pode fazer que dê um falso negativo como nós chamamos.”, afirma o infectologista e professor.

Outro fator que pode estar atrelado, segundo o médio, é a maneira como as pessoas realizam a coleta do material.

“Uma vez que é autoteste, muitas pessoas não tem habilidade, não sabem introduzir aquela haste flexível no nariz, a swab, e realizar os movimentos necessários. Ou até mesmo realizar as etapas do teste. Por isso que é importante, leia a bula e, principalmente, na medida do possível, ver vídeos de como esses testes são realizados. Isso é importante também. Então, essas são algumas das causas dos exames de Covid-19 dar para esses pacientes o que nós chamamos de falso negativo.”, afirmou.

A Ômicron pode ter algumas relação com isso?

A variante e sub-variantes da Ômicron tem sido estudadas desde o surgimento. De acordo com o médico infectologista Robson Reis, o que se sabe é que o processo de replicação viral em vias aéreas superiores é iniciado pela variante.

“Isso faz com que esses sintomas de vias aéreas superiores se iniciem, lógico, antes daqueles sintomas de vias aéreas inferiores, ou seja, da tosse, muitas vezes até mesmo da febre, até porque raramente o paciente vacinado vai apresentar febre no contexto atual da Ômicron. A gente não tem visto muito febre como um sina, um sintoma prevalente. Isso é importante chamar atenção.”, destaca o especialista.

Ainda segundo ele, em geral as doenças infectocontagiosas, no início dos sintomas ainda não está no pico de replicação viral, sendo um dos motivos para que a realização dos exames, em especial o RT-PCR, seja realizado entre o o 3° e o 5° dia, quando há a maior quantidade de vírus.

“Em relação à Ômicron, não está muito ligada aos sintomas, está muito ligada a como ela inicia a replicação em vias aéreas superiores, sua multiplicação. Então, muitas das vezes as pessoas acabam iniciando os sintomas de forma mais precoce e um pico mais precoce, mas não é relacionado ao início dos sintomas em si. Vai depender muito da data da contaminação. O período de incubação da Ômicron é menor.”, analisa.

Apresentei sintomas, mas o teste rápido deu negativo. E agora?

A recomendação médica, para quem apresenta sintomas da Covid-19 como tosse, febre e coriza, e tenha realizado o teste rápido com resultado negativo, é que mantenha o isolamento e repita o procedimento após 24h a 48h.

“Como nenhum teste para Covid-19 é 100%, apesar de ser excelentes testes e ter boa sensibilidade, boa especificidade, independente se for o teste do antígeno, se for RT-PCR, se o paciente tem sinais e sintomas compatíveis com Covid-19, e o teste do antígeno der não reagente, ele deve manter isolamento e repetir esse teste após 24h ou 48h.”, recomenda o médico infectologista.

Ele explica que, a longo da pandemia, testes foram surgindo. O considerado “padrão-ouro”, o teste de preferência para diagnosticar o paciente com Covid-19 é o RT-PCR. Mas, a chegada a do teste rápido ou teste de antígenos foi muito importante para o processo.

” É um teste chamado teste do antígeno, no qual é procurado como o próprio nome já diz, um antígeno. Ou seja, uma proteína do vírus, e aí nós conseguimos identificar [a infecção] através de um teste simples, que é de rápida realização, independente se ele for realizado em laboratório, ou na farmácia, ou se for o próprio auto teste.”, conclui.

*Sob supervisão do repórter Lucas Salles.

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