Além dos line-up: no Scream Festival, palestrantes debatem desafios e responsabilidades de fazer festivais em Salvador


Foto: Renato Rios / Divulgação

Salvador combina com música e música combina com festa. A capital que recebe a maior festa de rua do mundo – o Carnaval – também é palco de festivais, que atraem soteropolitanos e turistas. Esse universo foi debatido nesta sexta-feira (4), no último dia do Scream Festival Salvador, na palestra que abriu a programação no Fera Palace.

Gabriela Gaspari, head de marketing e eventos da Bahia Eventos, Leide Laje, consultora para sustentabilidade, e Haloá Sousa, representante do Festival Afropunk, com mediação de Rodrigo Almeida, da Criativos, falaram sobre os desafios e responsabilidades de organizar festivais na capital baiana.

Em 2023, um dos principais eventos de Salvador está de volta. O Festival de Verão voltou ao Parque de Exposição e lançou um line-up com encontros de diversos artistas. Para chegar no conceito de hoje, o evento da Bahia Eventos precisou se reiventar. Gaspari explicou como foi o processo de “montagem” da nova edição.

“O Festival de Verão não só uma questão de reposicionamento. Ao longo dos anos os projetos precisam ser revisitados. O Rock in Rio sempre está repensando, mesmo que esgotem em 15 minutos. O FV foi perdendo o espaço, o protagonismo […] A primeira coisa que a gente fez foi rodar uma pesquisa, a gente queria ouvir: o que vocês querem? O FV hoje tem valores de inclusão, sustentabilidade, devolução para sociedade e precisa ajudar quem mais precisa”, resumiu a head.

Diferentemente do Festival de Verão, o Afropunk não nasceu na Bahia. Nem no Brasil. O festival é o maior de cultura negra no mundo e acontece há mais de 15 anos. Em Salvador, acontecerá nos dias 26 e 27 de novembro, com shows de nomes como Emicida e Ludmilla.

O ponto de partida do evento é a diversidade. “É um espaço sem preconceito. O protagonista do festival está no público. As pessoas enxergam o afropunk como um espaço em que elas podem se expressar como quiserem”, pontuou Haloá, que também destacou o preço do ingresso.

“A gente não podia fazer um festival para o público negro e não dar condições eles de participar. Além disso, é fazer o máximo para o dinheiro circular entre pessoas pretas. A equipe é majoritariamente feminina e preta”, completou.

Sustentabilidade

Não é só de música que vive um festival. Ou pelo menos não deveria ser. A arquiteta e urbanisma Leide Laje, consultora de sustentabilidade, iniciou a participação na palestra mostrando exemplos do que não fazer em grandes eventos quando o assunto é sustentabilidade.

“A gente vê cobrança por resíduo, mas o passivo que o evento deixa é muito mair do que isso. A gente vê um material que geraria renda sendo completamente descartado”, pontuou.

“O universo de eventos é complexo e preciso pensar na sustentabilidade de uma forma mais criteriosa e científica. Precisa ser na parte de alimentação, cenografia, entre outros. A gente gerou esse resíduo e depois? Ele está gerando renda para quem? Está se transformando em que? Qual é a marca que a gente tá deixando na comunidade?”, completou.

Foto: Renato Rios / Divulgação

Festival de Verão

Para esta edição, o festival traz como mote o slogan “Somos Mundo”, que estimula os conceitos de liberdade, inclusão, acolhimento e diversidade. A partir dessa proposta, a Bahia Eventos, empresa de entretenimento da Rede Bahia e realizadora do Festival, inovou em diferentes frentes, entre elas a área artística, que trará um novo formato estrutural com 16 shows, divididos em dois palcos principais não-simultâneos, o que permite ao público aproveitar os mais de 8 shows por dia.

O Festival de Verão Salvador é realizado pela Bahia Eventos, empresa de entretenimento da Rede Bahia, e tem a correalização da Salvador Produções e da Luan Promoções.

“O soteropolitano abraçou o Festival de Verão como dele. Para a gente isso é ótimo, mas como você agra todas as pessoas? Então a gente precisou rodar pesquisa, entender que aspectos eram questões inegociáveis. E chegamos a esses pontos como a volta pro Parque de Exposições, um line up com uma mistura de ritmos, onde encontros improváveis acontecessem”, explicou Gaspari em entrevista ao iBahia.

Entre os encontros que serão promovidos pelo FV em 2023, a ideia foi misturar. Se Caetano e Gilberto Gil já são velhos conhecidos dos palcos – e já estão garantidos no festival – alguns feats são novos, como Luísa Sonza e Alcione.

“Surpreendeu bastante porque a gente propôs para 2023 uma line-up que tem um posicionamento político. Ele traz muito do que do que são os artistas. Nós temos artistas trans, LGBTQIAPN+, negros, da favela, artistas que estão crescendo, artistas mais consolidados e temos os encontros desses artistas.

Confira programação completa do Festival de Verão.

Festival Scream Salvador

Scream Festival
Foto: Valter Pontes / Secom

O Scream Festival Salvador é considerado o maior evento de criatividade e inovação do Norte e Nordeste. Neste ano, o projeto está na quinta edição e tem como objetivo abordar novos conceitos, possibilidades e novas formas de lidar com desafios e as oportunidades de negócios.

abertura das discussões aconteceu na manhã desta quinta-feira, com uma cerimônia realizada no Teatro Gregório de Matos. O encontro contou com a presença de profissionais de diversas áreas, além de autoridades. Entre elas, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, que destacou a importância da iniciativa para o setor econômico.

“O setor da criatividade, da tecnologia, da informação, a gente enxerga como um novo vetor de crescimento na cidade. Esse setor tem capacidade de gerar oportunidades, empregos, renda, além de remunerar bem os profissionais. Esse festival vai, mais uma vez, discutir as tendências, novos conceitos e analisar como esse mercado está funcionando”, frisou.

O presidente da Empresa Salvador Turismo (SALTUR), Isaac Edington, também ressaltou que ter um evento como esse em salvador amplia a visão para o que há de novo no mercado.

“Eu acho que é um momento que a gente chega, próximo ao final de ano, com esse tipo de discussão, com o esforço de transformar mente de pessoas e organizações, no sentido de transformar a cidade cada vez melhor, tendo a criatividade como o carro chefe”, disse Edington.

O evento se estende até a sexta-feira (4). A programação acontece no Teatro Gregório de Matos e no Fera Palace Hotel. Além de palestras, bate-papos, painéis e concursos, o projeto conta ainda com oficinas temáticas.

Uma das novidades deste ano é que o evento está tendo transmissão simultânea para as cidades de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna, Barreiras e juazeiro. As inscrições para o Festival podem ser feitas através da plataforma Sympla e custam R$50 (meia) e R$100 (inteira).

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