Se essa rua fosse minha

Alto da Sereia: uma comunidade com borda infinita

Local é uma comunidade quilombola que foi o berço da festa de Yemanjá

@seessarua_fosseminha (falecomseessarua@gmail.com)
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Da próxima que você passar entre a Praia do Surf e a da Paciência, no Rio Vermelho, olhe pra cima e observe o morro que nasce ali e que muitas vezes a gente não percebe no nosso dia a dia. Foi nele que vivemos um sábado diferente, entre casas esculpidas pelos próprios moradores e um mar que reina absoluto por todos os cantos da comunidade.

Rua Aiocá, onde a maioria das casas tem pinturas e mosaicos feitos pelos próprios moradores
O Alto da Sereia é uma comunidade quilombola. Muitos quilombos se tornaram urbanos com o passar dos anos e acabaram anexados às cidades, e com a Sereia não foi diferente. Também foi aqui que nasceu a festa de Yemanjá, muito provavelmente pela quantidade de pescadores que moram no local. Os desafios sociais dos moradores são nossos velhos conhecidos: desemprego, falta de coleta de lixo e até de água. É aí que entra o quesito “magia da Sereia”, que une as famílias do local em torno de atitudes simples, mas que fazem toda a diferença, como pintura de corrimãos, limpeza das escadarias e mutirão para retirada do lixo. O resultado é uma comunidade limpa, organizada e muito receptiva.

A comunidade está sempre impecável para abrigar moradores e receber visitantes
Logo nos primeiros degraus (e olha que são muitos, se prepare para pôr o fôlego em dia), uma moradora comentou: “contando com essas aí, já deu pra mais de vinte gringos que subiram hoje”, o que nos faz ter a certeza de que a Sereia está na rota alternativa de quem visita Salvador.

A subida é cansativa, mas o visual compensa qualquer esforço
Deve ser por isso que é bem fácil encontrar estrangeiros morando por lá. Nos anos 70, a comunidade foi endereço de Dorival Caymmi, Edgard Navarro e Raimundo Sodré. As festas do morro reuniam a intelectualidade baiana e tinham fama de serem homéricas.

Longe dos holofotes está seu Raimundo, que tem um bar há mais de 15 anos, de onde sai cerveja gelada e petiscos ainda não gourmetizados. Tudo fresquinho e feito pela única funcionária, que também é moradora da comunidade
A partir das 13h já é possível pedir um peixe frito no bar de seu Raimundo
Se depois da descida você ainda tiver energia, vá andando até Ondina. Lá tem um tesourinho guardado pra você: a piscina artificial construída (reza a lenda) por um militar da década de 70. Um lindo lugar para finalizar seu passeio exatamente como ele começou: de frente para o mar.
Logo atrás da praça e das quadras está a piscina artificial de Ondina
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Serviço:


Bar de Seu Raimundo
Local: Rua Merici, no final do Beco do Rato
Horário de funcionamento: Segunda a domingo