Se essa rua fosse minha

Da arquitetura tradicional ao suco mais gostoso das galáxias: bem-vindos ao Barbalho

Bairro histórico tem muitos problemas, mas guarda surpresas que vocês vão adorar descobrir

Ive Deonísio e Luriana Morais
- Atualizada em

Que saudade que a gente estava de vocês :) O @seessarua_fosseminha dessa semana escolheu um lugar querido pelos soteropolitanos para passear, e o resultado são histórias incríveis que estavam guardadas pelas ruas do Barbalho. Pra começar, um resumo de como tudo começou: foi em meados do ano de 1600 que as posses de seu Luiz Barbalho Bezerra deram origem ao bairro tal como o conhecemos hoje, ou seja, o Barbalho tem mais de 400 anos de história.

As casas são bem características do bairro
Quem pensa no Barbalho lembra logo da quantidade de escolas na região. O bairro é um polo estudantil com mais de 10 mil alunos. Dá gosto entrar no ICEIA, por exemplo, e ver que um colégio com tantos anos está lindo, bem cuidado e cheinho de alunos orgulhosos por fazerem parte dessa história. São quase 200 anos com carinha de 20, bebê. Não é pra qualquer um.
A quadra do ICEIA
Não dá pra falar de escolas sem se lembrar do Rangra, que vende os lanches atômicos e sucos mais gostosos da cidade. Muito aluno já matou aula e a fome nas mesinhas dessa lanchonete que é querida da galera. Pra quem paga quase 10 dinheiros em um copo de suco no shopping, vai se amarrar na fartura e no precinho do Rangra. Vale pela visita e pelas boas lembranças que traz.
Rangra, melhor slogan (!!!!!!)
Talvez um dos locais mais legais para conhecer no Barbalho seja o forte, que está ali há muitos séculos. Palco de uma das histórias mais tristes que o Brasil já viu (foi o principal centro de tortura de presos políticos na Bahia) o local hoje oferece aulas de dança, teatro, música e circo. Mais uma bonita história de ocupação de um espaço que se reinventou e hoje é um importante centro de cultura e lazer.
A beleza e a imponência do Forte do Barbalho
Outra característica do bairro é a grande presença de ladeiras, que levam para vários outros bairros vizinhos. A Ladeira do Funil, por exemplo, conduz seus pezinhos até as Sete Portas.

Ladeira do Funil
Todo mundo tem uma prima rica que já deu um festão em alguma casa de festas da cidade, né? Um desses lugares certamente é a Maison Habib, que guarda um espaço enorme e cheio de personalidade por trás da fachada branca. Júlio César Habib comanda o espaço, que não por acaso leva seu nome. Habib é o coração e a alma da casa, que entre outras lindezas, promove bazares beneficentes.
Já queremos fazer uma festa nesta casa, hein?
Pra fechar com chave de ouro, apresentamos seu Antônio, o dono da Barbearia Cachoeira, toda decorada com motivos de frescobol. Se ele joga? Não, ele apenas tem um “setor de inteligência filosófica do frescobol para a cura das carências técnicas do esporte mundial”. Você entendeu? Nem a gente, mas isso é o que menos importa diante da simpatia e do maravilhoso corte de cabelo (os clientes fiéis garantem) oferecidos por seu Antônio há 25 anos.
Seu Antônio e suas impagáveis histórias
Mesmo com tantas histórias legais, o Barbalho sempre esteve à margem das políticas públicas e de práticas que tragam ocupação para as ruas. Apesar de fazer parte do Centro Antigo, nem de longe o bairro é tão valorizado quanto seu vizinho Santo Antônio, por exemplo. É preciso um olhar mais cuidadoso dos governantes e uma força extra nossa, que somos os verdadeiros donos da cidade. E aí, será que a gente conseguiu deixar vocês minimamente curiosos pra fazer esse passeio? Entra lá no @seessarua_fosseminha e conta pra gente :)
Vem com a gente, vem <3



SERVIÇOS
Rangra 1
Rua Emídio dos Santos, 388
Aberto todos os dias
Suco 500 ml - R$3,50

Barbearia Cachoeira
Rua Siqueira Campos, 40

ICEIA
Praça do Barbalho, s/n
Maison de Eventos Habib
Rua Siqueira Campos, 07

*O projeto "Se Essa Rua Fosse Minha"

visita diversos bairros soteropolitanos, carinhosamente chamados de

ruas, numa das muitas licenças poéticas que você vai encontrar nos

textos. Ali, as publicitárias Luri Moraes e Ive Deonísio se encantam com

as pessoas, conversam animadamente com os moradores e se deixam levar

por esse mar de amor que emana das ruas de Salvador.  Mais histórias e

fotos em @seessarua_fosseminha