'De Resenha'

Espetáculo “O Salto” é um mergulho na identidade regional e rural baiana

Interpretado pela atriz Ninha Almeida, contemplada com o Prêmio Braskem na categoria Revelação (2022), a peça reúne teatro, dança e artes circenses

Arlon Souza
03/06/2022 às 15h30

3 min de leitura

Resultado de uma especialização na Escola de circo L’Academie Fratelinni, em Paris, o espetáculo “O Salto” mergulha no universo da cultura regional, interiorana e rural da Bahia – em particular, do Vale do Capão (Chapada Diamantina) que é, na verdade, um distrito do município de Palmeiras, cidade de nascimento da atriz Ninha Almeida.

A narrativa autobiográfica tem como eixo as memórias de infância da artista, porém a partir dessa incursão alcança uma dimensão ao mesmo tempo singular e universal, ao apresentar uma série de aspectos, hábitos, elementos e costumes transversais. E se torna um painel verossímil, principalmente, para quem tem vínculos afetivos e familiares com o interior da Bahia.

Ninha Almeida nos transporta, através de regionalismos, brincadeiras, objetos, sonoridades e de um mundo repleto de tradição cultural, para um Brasil profundo e, muitas vezes, inocentemente desigual. O candeeiro (em seu uso cênico) nos remete à ausência de serviços básicos que perdura até os dias de hoje; os bolinhos da farofa de jabá que a personagem enche a boca para matar a fome; e as histórias vividas pela atriz nessa sua jornada pessoal e artística; é um cenário muito autêntico que ainda possui uma ponte entre o passado e presente de muitas comunidades e povoados. Ou seja, a simplicidade para além de uma vertente romântica e poética, que se traduz também como condição social.

Foto: Divulgação / Yuri Zalcbergas

O tecido dessa montagem vai se alinhavando de uma maneira muito coerente e dinâmica, aliando teatro, dança, música e artes circenses, como malabares, acrobacias e o equilíbrio em arame. Há uma variação de nuances de interpretação que é fluida e estimulante. Aos moldes de uma boa contadora de “causos”, Ninha Almeida transita bem entre as diversas personagens que compõem o espetáculo.

Os momentos de equilíbrio e domínio técnico sobre o arame são realmente admiráveis e têm seu ponto alto quando a artista se desafia a andar – e até mesmo dançar – sobre ele, usando um salto e um vestido vermelho. Sendo esta passagem uma metáfora para o empoderamento feminino e para os diversos saltos, mudanças e vôos que alçamos na vida.

Dirigido por Lucas Mariani e orientado pelo ator Fábio Vidal, o texto é uma poesia escrita por Ninha. Com base nas rítmicas do Movimento Cabaçal, a trilha sonora é composta pelo diretor musical Ari Vinícius e com participações dos músicos Rowney Scott, Ivan Sacerdote, Cassio Nobre, Rodrigo Sestrem, Estevam Dantas, Arian Pinho, Maurício Sprovieri, Tiago Gusmão e Thiago Riedel. Além do Prêmio Braskem de Teatro, a montagem também foi contemplada com o “Prêmio Quali Cult” (2021), “FUNARTE – Estímulo ao Circo” (2021) e “Festival de Teatro Solos da Bahia” (2021).

Apresentação: Espetáculo “O Salto”

  • Quando e Onde: Mucugê: dias 03 e 04/06, 20h, na Praça do Banco do Brasil // Souto Soares: dia 10/06, às 20h, na Praça Orlando Batista, e no dia 11/06, em Segredo, na Praça Agripino Mendes, às 18h.
  • Ingressos: Entrada gratuita.
  • Classificação: livre
  • Mais informações: www.instagram.com/osaltoespetaculo

Leia mais sobre De Resenha no ibahia.com e siga o portal no Google Notícias