Transformação Digital

Cultura maker pode ser ponto de partida para o empreendedorismo

Empreendedores, de uma maneira geral, são conhecidos por colocarem a mão na massa e transformar em real algo que estava no papel

Especial de Conteúdo

Quem costuma frequentar a blogs e canais no YouTube, certamente já se deparou com algum conteúdo no estilo Faça Você Mesmo (ou “Do It Yourself”, no inglês). Essa cultura maker acredita que mesmo sem a formação técnica, é possível para você construir, consertar, fabricar e criar objetos com as próprias mãos.

“Para que esses espaços realmente funcionem, é preciso que haja sinergia com a educação. A fórmula mágica é conhecimento + tecnologia + partilha. Além de colocar a mão na massa, você é estimulado o tempo todo a compartilhar o que sabe, gerando assim uma grande rede de makers”, explica Ícaro Guimarães, consultor em Marketing Digital.

Foto: Reprodução
O movimento maker tem se tornado cada vez maior e mais forte, principalmente graças ao seu acesso fácil e barato a ferramentas dos mais variados tipos. Além disso, a internet condensa muitas informações sobre técnicas e tecnologias, o que possibilita o compartilhamento de informação em um nível macro.

“Atualmente, o Movimento Maker já está dentro de salas de aulas, multinacionais, garagens de casas e laboratórios equipados com máquinas de fabricação digital, tornando a lógica do “faça você mesmo” um fenômeno tecnológico e coletivo. Nesse contexto, o movimento reúne adeptos em espaços físicos equipados com máquinas de fabricação digital (impressora 3D, cortadores a laser, fresadores CNC), chamados Makerspaces ou Fab Labs”, afirma a professora e consultora empresarial Maria Helena Nunes.

Tudo a ver com empreendedorismo
Uma área que tem dialogado bastante com esse movimento é o empreendedorismo. “O empreendedorismo é forte e presente no Movimento Maker, já que cada vez mais vemos fazedores criando novas empresas que nasceram de seus projetos pessoais. Uma nova geração de inventores está criando pequenas indústrias graças à ajuda de ferramentas como as impressoras 3D, que moldam peças e objetos com base em desenhos de computador, a facilidade de comunicação e troca de informações pela internet”, afirma Nunes.

Os empreendedores, de uma maneira geral, são conhecidos por colocarem a mão na massa e transformar em real algo que estava no papel. É assim que começam o seu novo empreendimento. E essa característica dialoga bastante com o que a cultura maker propõe.

Através desse movimento, os empreendedores obtêm boas oportunidades de negócios, aprendendo e desenvolvendo novos produtos, através de inspiração que encontram na área. Eles contam também com o estímulo de espaços makers compartilhados, que permite a você encontrar outras pessoas da área e usar ferramentas disponíveis. A Oficina Lab (São Paulo), o FAZ (Belo Horizonte) e a Área 21 (São Paulo) são alguns dos chamados MakeSpaces mais populares do Brasil.

“Os makers se beneficiam da cultura de colaboração nascida com a disseminação da internet. Há uma facilidade de encontrar parceiros interessados em colaborar para o desenvolvimento de um novo produto, fornecer peças e insumos necessários para que um projeto seja concluído e até mesmo, gente disposta em financiar o desenvolvimento de novas ideias”, explica Nunes.

Se as coisas ainda estão em processo de desenvolvimento e disseminação aqui no Brasil, há lugares onde o movimento maker já se encontra em um estágio mais avançado. “Em países europeus, como a Alemanha, já é possível utilizar serviços de impressão 3D no mesmo modelo das gráficas rápidas brasileiras: em uma ou duas horas de trabalho, com o apoio dos profissionais e por um custo reduzido, um objeto ganha existência física”, finaliza a especialista.

Espaços físicos
Cultura maker também tem tudo a ver com espaço físico, que podemos definir como os laboratórios onde máquinas e ferramentas são disponibilizadas para que ocorram as fabricações. Essas ferramentas podem ser impressoras 3D, cortadoras a laser, dentre outras ferramentas.

É possível encontrá-las em todo o mundo, inclusive no Brasil, podendo estarem relacionadas à área da educação, iniciativas de empreendedorismo ou inovação em startups e grandes empresas. A depender desses laboratórios físicos, o público, a atividade e o viés serão diferentes, assim como as máquinas e ferramentas serão compatíveis com as suas necessidades.

E essa cultura maker, quando reunida em espaços coletivos e empresas, estão resultando em soluções para o cotidiano. Um exemplo interessante foram as incubadoras para hospitais que alguns jovens quenianos criaram em Nairóbi, apenas com esse movimento maker.