Transformação Digital

É possível substituir a moeda atual por bitcoins?

Primeira moeda digital mundial descentralizada, o bitcoin é tido por muitos como o responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre

Especial de Conteúdo

Será que vai chegar o dia em que todas as transações vão ocorrer apenas pelo meio virtual? Essa é uma pergunta que ainda não tem resposta, mas já existe no mercado uma moeda, assim como o Real ou o Dólar, encontrada apenas no formato virtual. Essa moeda é o bitcoin, que tem ganhado popularidade nos últimos anos.

“Elas são ‘produzidas’ por uma rede de computadores que são remunerados para processar as transações de trocas da moeda. Este processamento é chamado de ‘mineração’, então a cada transação processada o ‘minerador’ é ressarcido com novas moedas”, explica Leonardo Almeida, especialista em Gestão da Tecnologia da Informação e professor do Centro Universitário Jorge Amado.

Foto: Reprodução
Considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, o bitcoin é tido por muitos como o responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Com essa moeda, é possível realizar transações financeiras sem intermediários, mas que podem ser verificadas por todos os usuários, uma vez que essas transações estão gravadas em um banco de dados distribuídos. Esse banco de dados é o chamado blockchain.

Transações com bitcoins
Atualmente, há três formas de se conseguir obter bitcoins. A primeira delas é por meio da compra, observando sempre a cotação da moeda no dia da compra. A segunda opção é receber bitcoin, uma vez que muitas lojas aceitam a moeda virtual como forma de pagamento barata, rápida e segura.

Uma terceira opção é disponibilizar computadores para permitir que a rede que controla a moeda continue ativa. A mineração é importante para manter o funcionamento do blockchain, que é a estrutura descentralizada do bitcoin. Em troca, o minerador é remunerado com bitcoins.

Mas como funcionam as transações com bitcoins? As transações com bitcoins acontecem por meio de blockchain. “A blockchain é o coração das moedas virtuais, seus algoritmos e sua rede de computadores é que viabilizam a existência das criptomoedas”, diz o professor.

Uma das vantagens e segurança das transações acontecerem por meio de blockchain é a segurança que esse sistema permite, uma vez que é um processo criptografado. “Uma vez que se cria essa cadeia de blocos, ela permite que você faça essa validação inúmeras vezes de forma descentralizada. Se em algum momento esse bloco cair, ele se une a outro para que a cadeia continue seguindo”, esclarece Cristiano Kanashiro, CEO da Kanamobi e especialista em tecnologia e telecomunicações.

Bitcoins vão substituir as moedas atuais?
Mas será que uma tecnologia nova como as criptomoedas possuem chances de substituir as moedas atuais? Essa é uma pergunta que muitos podem se fazer, mas ainda é difícil chegar a uma resposta final.

Para o especialista Leonardo Almeida, a tecnologia ainda está em um período de testes e as informações são insuficientes para precisar se essa substituição seria viável. “Acredito que estamos no período de teste da tecnologia, identificando o seu comportamento e suas fragilidades. Por outro lado, pode ser uma realidade bem próxima, já que muitas das transações feitas atualmente são no formato digital, usando cartões, caixas eletrônicos aplicações dos bancos ou a internet. A sua adoção depende também dos governos e das instituições financeiras atuais”, avalia o especialista.

Se ainda não é possível afirmar se essa substituição será algum dia possível ou viável, algumas vantagens das moedas virtuais já são percebidas. Elas são moedas universais, que podem ser usadas em qualquer lugar que aceite criptomoedas, sem a necessidade de conversão. Além disso, elas não são controladas por governos. Nesse cenário, seria possível você sacar o seu dinheiro em um caixa eletrônico de outro país, eliminando assim a necessidade de viajar com dinheiro em mãos.

Mas, como qualquer coisa, as bitcoins também possuem algumas desvantagens. “As desvantagens estão ligadas à dependência da computação para efetuar transações e garantir sua segurança”, pontua Almeida.

Maioria dos bitcoins está em carteiras de investimento
Um novo relatório da indústria de criptomoedas e boletim de análise Diar aponta que a maioria de bitcoins em circulação está armazenada em carteiras de investimento. A análise mostra que 55% estão mantidos em carteiras avaliadas em mais de US$ 1,3 milhão, o que significa um saldo de mais de 200 bitcoins.

A criptomoeda apresentou um pico de preços em dezembro de 2017. Segundo o relatório, um terço de bitcoins dessas carteiras ainda não foi usado em transações de saída desde esse pico de preços por motivo de “chaves privadas perdidas, redução do suprimento real ou uma resolução muito forte dos apoiadores das criptomoedas”.

O estudo apontou ainda que 27% dessas carteiras continuam a acumular moedas, mas ressalta que as maiores carteiras pertencem a casas de câmbio. Além disso, foi informado que US$ 4,2 bilhões  de bitcoins encontra-se nas cinco principais carteiras administradas pelas exchanges de criptomedas.