Transformação Digital

Golpes na internet atingem usuários e empresas; saiba como se proteger

Inúmeras armadilhas mostram a fragilidade da nossa segurança no ambiente virtual

Especial de Conteúdo

A internet é certamente uma das tecnologias mais presentes em nosso cotidiano atualmente. Apesar de podermos fazer uma infinidade de atividades através dela, há sempre os perigos de golpes virtuais, que vem enganando muitas pessoas todos os dias.

Recentemente, uma promessa de internet grátis para qualquer operadora de telefonia móvel no Brasil foi divulgada pelas redes sociais. O golpe se propagou no final do mês passado e, de acordo com o monitoramento do 'dfndr Lab', organização especializada em cibersegurança, conseguiu fazer incríveis 45 vítimas por minuto. De acordo com a organização, em 4 dias, o golpe já havia vitimado mais de 65 mil pessoas. 


Golpes como esse mostram a fragilidade da nossa segurança no ambiente virtual. “Hoje, em nossa sociedade, a informação tem muito valor. As principais empresas brasileiras já afirmam que possuem muito mais medo de um ataque virtual do que um ataque físico. E você hoje tem danos para o usuário comum e para as empresas com esses golpes relacionados à informação”, afirma Thiago Vieira, advogado especialista em crimes cibernéticos.

Empresas são os alvos preferidos
Ainda segundo o advogado, as empresas são os alvos favoritos dos golpistas cibernéticos, uma vez que são mais vantajosas. “Um ataque que tem sido bastante explorado é o sequestro de dados. O criminoso criptografa os seus dados e exige um pagamento em bitcoins para liberar esses dados, que ficaram inacessíveis para o usuário ou a empresa”, conta Vieira.

Com esse golpe, por exemplo, mesmo com os dados ainda presentes no computador, a empresa não consegue ter acesso a eles, pois estão criptografados. De acordo com o advogado, as moedas digitais também facilitaram que esses golpes fossem feitos, inclusive, por criminosos situados em outros países. “As bitcoins tornam mais difícil o rastreamento desse dinheiro, tornando esses crimes economicamente viáveis”, explica.

O roubo de informações – de usuários ou empresas – pode acontecer por meio do phishing, em que os criminosos “pescam” os dados pessoais ou bancários do usuário, muitas vezes por meio de e-mails com links maldosos. Com essas informações, os criminosos podem clonar uma identidade e efetuar a abertura de cadastros, realizar transações bancárias ou compras em nosso do usuário clonado.

Uma dica para não ter suas informações roubadas é evitar compartilhar informações pessoais – como senha e informações bancárias – em sites que não possuam certificado de segurança ou em links duvidosos de e-mails.

Golpes mais populares
É necessário bastante cuidado no ambiente virtual, principalmente porque os golpes são diversificados. Um dos golpes mais comuns, principalmente em empresas, são redes que atacam diversos computadores e colocam eles para acessarem de uma única vez um mesmo site, sobrecarregando o servidor dele.

Para o usuário comum, porém, o envenenamento do DNS é dos golpes mais perigosos, principalmente quando o usuário não configura adequadamente o seu roteador. “Nesse tipo de ataque, ao invés de você acessar o site de banco ou compra que você quer, você é remetido para uma página falsa. E ao você colocar os seus dados, os criminosos conseguem roubá-los”, esclarece Thiago Vieira.

Golpes envolvendo pagamento e falso aviso de nome sujo na praça assustam os usuários
O medo de ficar com o nome sujo na praça também é explorado pelos criminosos. Eles enviam um link, pedindo que o usuário preencha um cadastra para regularizar sua situação, mas na verdade está informando os seus dados pessoais e bancários aos criminosos.

Tome cuidado também com os e-mails de milionários bondosos, que afirmam terem ganhado na loteria e quererem dividir o prêmio com outras pessoas. Nesses casos, eles pedem os seus dados pessoais e bancários e um depósito para que ajudar na retirada do prêmio. Após o dinheiro ser depositado, os supostos milionários somem.

“As dicas para se proteger de qualquer caso são sempre as mesmas. Tenha cuidado com o que você abre em seu computador e com os links em que clica. Além disso, mantenha sempre os softwares atualizados e roteadores bem configurados. Nos casos de um sistema operacional mais vulnerável, como o Windows, é sempre bom ter um antivírus instalado”, alerta o advogado.

Cuidados com compras on-line
Uma das comodidades proporcionadas pela internet foi a possibilidade de efetuar compras ou adquirir serviços sem precisar sair de casa. Porém, é necessário adotar algumas medidas de segurança para evitar dores de cabeça no futuro.

O primeiro passo é verificar com muito cuidado o site onde a compra será realizada. Veja as informações que são disponibilizadas pelo site, busque saber se ela possui uma loja física e se ela os telefones disponibilizados para contato ainda estão ativos. O cliente deve ainda verificar o CNPJ da loja, além de buscar por comentários e avaliações sobre ela em sites como Proteste, Reclame aqui e nas páginas do Procon.

No momento de efetuar o pagamento da compra, é preciso também alguns cuidados. Verificar se o site é seguro, observando se aparece um cadeado na barra de endereço do navegador na web, antes de informar os seus dados bancários é outro cuidado recomendado. Evite realizar essas compras em computadores de uso público, como em bibliotecas e lan houses.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), os produtos vendidos pela internet costumam ser mais baratos do que nas lojas físicas. O órgão, porém, alerta para que o consumidor desconfie de ofertas muito abaixo da média e evite clicar em e-mails com promoções que pareçam inacreditáveis. A atenção deve ser redobrada se o remetente do e-mail for alguma loja desconhecida. Isso porque os arquivos podem ter sido enviados contendo vírus ou conteúdo maldoso.

“Se você não tiver certeza sobre a origem daquele e-mail, o melhor é não clicar. Ligue para a loja e busque confirmar se a promoção ou ofertas são realmente válidas. Mas entre em contato com a loja por meio de telefone ou outro e-mail diferente dos oferecidos no e-mail suspeito”, aconselha Vieira.

Bahia não tem delegacia voltada para crimes cibernéticos
Na Bahia, ainda não há uma delegacia específica voltada para a denúncia de crimes cibernéticos. De acordo com o advogado Thiago Vieira, o boletim de ocorrência deve ser feito em uma delegacia comum, que encaminhará a investigação para o Grupo Especializado de Repressão aos Crimes por Meio Eletrônicos, da Polícia Civil.

“A Bahia ainda carece de uma delegacia especializada. O núcleo da Polícia Civil funciona como um núcleo de apoio a outras unidades, mas precisamos de uma delegacia com capacidade e recursos humanos e tecnológicos para atender a população. Ela precisa evoluir de um grupo de apoio e se tornar uma unidade especializada em crimes cibernéticos”, opina o advogado.

Uma opção viável para quem deseja fazer uma denúncia sobre algum crime cibernético é procurar o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (NUCCiber), criado no âmbito do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim) pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). A instituição é qualificada para combater os crimes praticados no ambiente cibernético, dando apoio às atividades dos promotores de Justiça e recebendo e apurando denúncias de crimes praticados na rede mundial de computadores. O MP-BA foi o segundo do país a criar uma estrutura voltada ao combate de crimes cibernéticos.

Mesmo com as dificuldades, o especialista acredita que é possível chegar aos autores desses crimes virtuais. “Não há um ambiente em que a impunidade é certa. É possível chegar a autoria dos crimes a partir do rastreamento do registros digitais, como os rastros financeiros. O que vai diferenciar é o nível de dificuldade e alguns casos serão mais difíceis de se chegar a autoria do que outros”, diz Vieira.