Transformação Digital

Tecnologia traz mais produtividade e transforma o agronegócio brasileiro

Batizada de Agricultura 4.0, os novos modelos agropecuários aliam alta tecnologia, conectividade, produtividade e respeito ao meio ambiente e à saúde pública

Especial de Conteúdo

O crescimento constante e acelerado da população, aliado às novas tecnologias, têm proporcionado uma constante busca do aperfeiçoamento das técnicas de plantio e cultivo. Assim como outros setores, a agricultura também se beneficia da Internet das Coisas e da transformação digital.

Para garantir que a produção seja suficiente e diversificada, o agronegócio tem buscado inovar e se atualizar, de maneira a encontrar técnicas que garantam ganham de produtividade e mais eficiência e rentabilidade aos produtores.

Batizada de Agricultura 4.0, os novos modelos agropecuários aliam alta tecnologia, conectividade, produtividade e respeito ao meio ambiente e à saúde pública. “A Agricultura 4.0 está transformando não apenas a forma pela qual os agricultores realizam seu trabalho, mas também todas as partes envolvidas na cadeia alimentícia”, afirma Caio Bacci, head de marketing da Agrosmart.

Ele avalia que os empresários do setor agrícola passaram muito tempo tomando decisões na base da 'tentativa e erro' quanto às técnicas empregadas nas safras. As experiências bem-sucedidas eram passadas entre gerações e replicadas por quem tomava conta da lavoura. “Agora, a aplicação da Inteligência Artificial, Internet das Coisas e outras tecnologias da Indústria 4.0 na agricultura está transformando o cenário radicalmente”, afirma o especialista.

Agricultura conectada
Entre os anos de 2008 e 2014, o número de usuários com acesso à internet móvel na zona rural registrou significativo aumento de 4% para 24%. Isso mostra que, aos poucos, a conectividade também tem chegado às regiões agrícolas. E com o avanço cada vez maior das tecnologias, não é de se espantar que a agricultura também esteja se adaptando aos novos tempos.

"Nosso desafio é integrar todas essas tecnologias para continuar a ser protagonistas da produção e exportação agropecuária”, afirma Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária. Ela afirma que as novas tecnologias devem integrar dentro e fora da cadeia produtiva.

Ou seja, o conceito de Agricultura 4.0 é abrangente e envolve todas as etapas de produção agrícola, passando pela capacitação das equipes até o escoamento da produção. Por exemplo, na pré-produção, há o melhoramento genético e a bioinformática; na produção, há agricultura de precisão e equipamentos diversos; e na pós-produção, há melhorias na logística e transporte.

Com essa gama de possibilidades, existe ainda um déficit de startups voltadas à criação de tecnologias e ferramentas que insiram o agronegócio no processo de transformação digital. Das 180 startups cadastradas no Brasil, apenas 23 estão ligadas ao setor. “Temos aí um amplo espaço para ocupar, para que haja uma integração cada vez maior entre o mundo físico e o virtual a serviço do mundo agrícola”, pondera a pesquisadora.

Futuro é agora
A Agricultura 4.0 busca proporcionar soluções tecnológicas para os problemas e necessidades mais urgentes dos produtores. A empresa John Deere, uma das gigantes mundiais em equipamentos para o campo, lançou, este ano, a Conectividade Rural. Esta nova tecnologia proporciona ao produtor rural a possibilidade de se conectar à internet mesmo em locais onde não há alcance das operadoras móveis.

Com a instalação de torres de transmissão nas propriedades, a Conectividade Rural oferece uma conexão entre máquina, tecnologia e pessoas, resultando em maior eficiência e rentabilidade, de maneira sustentável.

Já é possível também encontrar no mercado aplicativos que possibilitam um controle da plantação, do maquinário automatizado, dentre outras ferramentas tecnológicas. Com esses aplicativos, o produtor pode acompanhar todas as alterações e previsões para cada hectare.

Essas inovações tecnológicas já começam a ser utilizadas no agronegócio. Drones, veículos autônomos e máquinas conectadas, além do uso de Internet das Coisas e do Big Data, já conferem um novo aspecto à produção agrícola. Quando são utilizadas de maneira conjunta, elas alavancam a produtividade e a eficiência na utilização de insumos, reduzem custos e diminuem os impactos ambientais causados pela atividade agrícola.

Melhorias em todas as áreas
Uma das áreas que tem passado por um crescimento constante é a agricultura de precisão. Essa técnica é caracterizada pela interferência - seja química, biológica ou física - a partir da geoestatística e da análise de dados de amostras georreferenciadas. O objetivo é estabelecer as condições ideais às espécies cultivadas na agricultura.

Mas esta não é a única maneira de garantir maior eficiência à produção agrícola. O uso da Internet das Coisas no campo tem permitido aos produtores fazerem um acompanhamento mais preciso sobre o clima, o terreno e o índice pluviométrico em diferentes épocas do ano, garantindo uma estratégia de produção mais eficiente.

Além disso, a Internet das Coisas permite relacionar a temperatura do motor à inclinação do terreno, de maneira a informar ao produtor rural a quantidade de combustível usada durante o trabalho. O uso do Big Data e de outras tecnologias permite ainda que a criação de equipamentos seja mais eficaz, tornando o campo cada vez mais participante do processo da transformação digital.