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Lauro de Freitas tem Centro de Referência de acolhimento à mulher

Em unidade especial, mais de 1.400 mulheres foram atendidas somente de janeiro a outubro de 2018

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No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é preciso destacar a importância de serviços públicos que acolhem as mulheres vítimas de violência. Em Lauro de Freitas, por exemplo, o Centro de Referência Lélia González (CRLG) é o espaço onde as vítimas podem se sentir devidamente amparadas para que possam, então, estarem seguras o bastante para o próximo passo.

Localizado em Vilas do Atlântico, o equipamento atendeu, de janeiro a outubro do ano passado, 1.449 mulheres vítimas de alguma forma da violência doméstica. O local tem um ambiente leve, por causa da presença da natureza e de sua decoração, mas acolhe histórias tristes de longos anos de abusos e direciona para que novos capítulos de resistência e superação sejam escritos na vida das assistidas.

Segundo a coordenadora do CRLG, Sule Nascimento, além dos serviços de assistência psicológica, social, pedagógicas e de orientações jurídicas, uma rede de atendimento foi incorporada nos últimos dois anos para abranger e otimizar o acolhimento das mulheres que buscam o auxílio do equipamento.

“Trabalhamos em transversalidade com algumas secretarias municipais a exemplo da saúde, social, trabalho e educação. As necessidades são muito vastas e ao mesmo tempo individuais. Muitas chegam aqui com filhos menores fora da escola e já saem com este encaminhamento; o mesmo acontece para aquelas que precisam de atendimento médico ou social com apoio dos Creas e Cras”, explica.

O Centro de Referência foi implantado em Lauro de Freitas há 13 anos, mas foi ganhando novidades com o passar do tempo. As assistidas no CRLG, por exemplo, contam com medida protetiva desde março de 2018. Com isso, a Ronda Maria da Penha tem papel importante. Um deles é quando a mulher precisa ser acompanhada pela viatura da guarnição até sua residência e assim fazer valer as determinações judiciais.

“Há mulheres que precisam retirar seus pertences das residências e preferem ser acompanhadas, ou em outros casos. É destinada pelo juiz para a mulher e seus filhos, e a polícia retira, se necessário, o agressor resistente da residência”, acrescenta Sule.

A pedagoga Simone dos Anjos explica que muitas mulheres aprendem a identificar os diferentes tipos de violência a partir das atividades desenvolvidas no Centro. “Às vezes o processo de agressões inicia anos antes até chegar a violência física propriamente dita. Muitas só conseguem reconhecer o tapa como agressão quando ela pode ser também psicológica, sexual, patrimonial e moral”, destaca.

Neste mês de março, o equipamento voltou a receber uma programação de oficinas e atividades terapêuticas em grupos, como a biodança, dança do ventre, arteterapia, reiki e a utilização da fotografia, como elemento de elevação da autoestima.

“O papel do CRLG é salvar as vidas das mulheres, garantir que essa mulher se reestruture e comece a escrever uma nova história para a vida delas. Possibilitar que elas tenham acesso a qualificação e assim conquistar sua autonomia financeira e, claro, se libertar do jugo do agressor”, finaliza Sule.