Lançamentos: ‘Aleluia’ – Cascadura

Depois do aclamado ‘Bogary’, o Cascadura tinha como desafio superar o álbum anterior que os havia elevado a um outro patamar da música brasileira. Para Fábio Cascadura o desafio se fez ainda maior, segundo ele mesmo, quando ouviu os discos ‘Cha Cha Chá’, do Retrofoguetes, e ‘Frascos, Remédios e Compressas’, de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. Duas preciosidades da música baiana lançadas por contemporâneos seus em 2009. Fábio se sentiu na obrigação de prestar sua colaboração para aquele novo momento da música da Bahia, que deixava as amarras de lado e tomava de volta a possibilidade de mexer com os ritmos, a realidade, as sonoridades da grande Salvador, sem deixar de lado sua própria personalidade. A resposta ao desafio aparece agora com ‘Aleluia’, quinto álbum da banda que está sendo lançado pelo selo Garimpo, primeiro em formato digital e, em agosto, no formato CD.

Um álbum ousado, ainda no mercado atual, não apenas por ser duplo e conter 22 músicas, algo difícil de se ver no Brasil, mas também por trazer um conceito bem definido, algo ainda mais raro hoje em dia. E é esse conceito que sustenta a pretensão de fazer um álbum com essa envergadura, repleto de convidados e que quer dizer muito mais do que apenas aparentam as músicas. Uma obra criada como fruto de uma vivência de Fábio com Salvador, trazendo seus problemas e suas belezas. Segundo ele, feito em Salvador e pra Salvador, fruto de suas andanças pelos diversos cantos e ruas da cidade. As cuidadosas letras trazem pedaços da história da cidade, muitas vezes esquecidos, bem como de personagens, posturas, tristezas,  características peculiares e abandonos. Uma relação complicada para qualquer morador da cidade, que a banda tenta contar através das 22 faixas.

O disco repetiu a fórmula do anterior, ‘Bogary’, com arranjos coletivos, produção de andré t, co-produção de Jô Estrada e a banda reduzida a seu fundador, Fábio Cascadura, nos vocais, composições, letras, baixo, violões… e Thiago Trad, na bateria, vibrafone, tímpanos e algumas percussões. O time de convidados é riquíssimo, passando por um apanhado de boa parte do rock baiano (Pitty, Mauro Pithon, Ronei Jorge, Jajá Cardoso e Jorge Solovera), importantes músicos da Bahia (Letieres Leite, Gabi Guedes, e a própria Orkestra Rumpilezz, Paulo Rios Filho e Du Txai), além de convidados da música nacional (Beto Bruno, Siba, Móveis Coloniais de Acaju e Nando Reis). Fábio compôs as 22 músicas, sendo que algumas poucas em parceria, com Candido Sotto (“Aleluia”), Ronei Jorge (“Dava pra Ver”), Beto Bruno (“Sonho de Garoto”), Nando Reis (“Nunca Imaginei”) e com os parceiros envolvidos no disco, Thiago Trad, andré t e Jô Estrada (“Cantem: Aleluia”).

Em “Aleluia”, o Cascadura decidiu ir além do rock e trouxe pra si um discurso e um conceito que era evidente que respingaria na música. Sabendo o que queriam, mas sem saber o que viria, Fábio, Thiago, andré e Jô mergulharam em possibilidades. Uma delas, a mais estranha e ousada para a banda, tinha como ponto de partida os toques de candomblé. A rica e cheia de simbologias percussão dos terreiros deu origem a um punhado das canções do disco. O mais impressionante é como não soou como algo estranho. A combinação rock e candomblé, guitarras e percussão casaram tão bem que nem parece algo totalmente novo, mas como algo que estava ali tão claro, só esperando alguém fazer daquela forma.

“To Your Head” é um desses encontros, percussão e sopro da Orkestra Rumpilezz, aliado a um mesmo riff  de guitarra repetido durante toda música.  ”Lá Ele!” aparenta ser uma canção mais com a cara do Cascadura de sempre, mas com uma percussão servindo como base e um baixão dando as coordenadas. Talvez a mais radical nessa junção seja “Uma Lenda do Fogo”, uma canção tipicamente roqueira que ganha contornos marcantes e ganha força com a presença percussiva. Ou “O Cordeiro”, que assim como as duas anteriores traz os atabaques de Gabi Guedes da Rumpilezz marcando o ritmo, com guitarras rasgadas atravessando a canção enquanto Fábio entoa sua letra cortante. Não poderia ser de outra maneira que isso tudo viria à tona senão em um disco falando sobre Salvador.

Se essa junção de sons soa natural, não poderia ser diferente quando o Cascadura fosse fazer rock mais tradicional. “O Delator” e “A Mulher de Roxo” são alguns exemplos, certeiras, urgentes e mostrando a banda com a velha forma em criar hits aliando riffs e refrões. As canções mais suaves também aparecem, como em “Chorosa”, à base de piano; em “Os Reis Católicos”, quase toda a base de violão; na delicada “Simples como a Vida”; ou ainda na parceira com Nando Reis “Nunca Imaginei”, que traz o lado mais doce do disco. Em “O Tempo Pode Virar” e “O Sonho de Garoto” há algo de Beatles e Beach Boys  e daquele rock melódico infalível. As faixas mais normais também mantêm o nível alto, caso de “O Rei do Olhar” ou “Resumindo”, com guitarras, baixo, bateria e a voz de Fábio funcionando como sempre.

Há ainda os momentos mais provocadores, como o blues experimental “Um Engolindo o Outro”, com acento não convencional e uso de um berimbau; a meio erudita meio pop “A Verdadeira” e a meio moura meio nordestina “Columbo”. Outro destaque é “Soteropolitana”, canção típica do Cascadura, que vai crescendo até terminar de forma natural num samba-reggae. Elementos que dão uma nova roupagem às composições de Fábio, das percussões aos sopros dos Móveis Coloniais de Acaju, que abrem o disco na faixa que o batiza, “Aleluia”. O triunfo do Cascadura foi dar a tudo isso uma unidade, seguindo um conceito bem definindo e não tão fácil. Um verdadeiro tratado sobre Salvador, que pode ser absorvido de diversas formas e em níveis diversos de interpretação. Um daqueles álbuns para ser ouvido e absorvido aos poucos, e ir descobrindo detalhes e significados.

Revelando uma Salvador de fora dos cartões postais, como pouco se fez até então com a tão cantada capital baiana, o Cascadura traz os ritmos afro, a negritude, a baianidade, mas também o preconceito racial, a realidade dos cordeiros, o machismo, os personagens quase ocultos e os não tanto, o sofrimento de se viver em Salvador. Uma ode à cidade feito num dos momentos em que ela atravessa uma fase de crise, com problemas expostos, sem ainda uma cicatriz. Mas é o próprio Fábio quem dá uma luz em “O Tempo Pode Virar”: “já consumimos muito tempo nos testando, nos negando algum valor/ já crescemos o quanto podemos e sabemos o que é melhor/ ou talvez não/ Já que chegamos aqui, restamos caminhar/ pra onde eu não sei não/ não há o ponto final”.

Se parece estranho uma das bandas mais tradicionais do rock baiano chegar aos seus 20 anos inserindo tantos elementos diferentes do que costumava, isso só demonstra um desapego ao que já estava consolidado. Um novo disco repetindo o que deu certo no anterior, com belas e inspiradas canções, guitarras criativas, refrões melódicos e ótimas ideias – o que já não é simples de fazer -, seria o caminho mais fácil. E se o desafio era justamente superar o ‘Bogary’, que se encaixava neste universo, com “Aleluia”, um outro lado da praia foi alcançado. A vivência em Salvador pode provocar diversas reações, no Cascadura a consequência foi uma homenagem sincera e tocante. Uma proposta que coloca a banda num novo patamar.

CONFIRA O FAIXA A FAIXA COM FÃBIO CASCADURA COMENTANDO AS 22 MÚSICAS DE “ALELUIA”


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Faixa a faixa: ‘Aleluia’ – Cascadura

Um álbum conceito, repleto de significados, muitas histórias e ideias. Nada melhor do que seu mentor, Fábio Cascadura, para contar tudo sobre ‘Aleluia’, novo disco da banda Cascadura. Um álbum duplo, com 22 músicas, diversos convidados e um tema, Salvador, seus problemas, suas particularidades, seus personagens e suas belezas. Fábio conta numa faixa a faixa as inspirações, ideias e conceitos de cada uma das músicas. Confira

Aleluia
“A música que abre o e batiza o disco e também foi uma das primeiras a ser concluida como composição. Era um riff do Candido Sotto, que estava na banda. Ele me mostrou numa passagem nossa pelo Rio, acho que foi quando tocamos no Teatro Odisséia para o lançamento do ‘Bogary’. Eu guardei o riff e desenvolvi uma harmonia. Mostrei à ele e ele curtiu a ideia e deu sugestões. Na hora de escrever a letra, veio a ideia de falar de um relacionamento entre um cara que não enxerga e outra pessoa, não necessariamente cega… Dai eu já tinha a ideia de um disco chamado ‘Aleluia’, para se opor ao ‘Bogary’ que fica dentro da Bahia, em Itapagipe…  Aleluia é outra praia, do litoral oceânico (N.E.: a praia fica na parte norte de Salvador)… O conceito do disco já estava na cabeça: um disco falando de Salvador, das coisas de Salvador e muito diferente do ‘Bogary’… por isso o nome

CD1 – 01 Aleluia by bandacascadura

O Rei do Olhar
“A intenção de “O Rei do Olhar” é a de fazer uma analogia entre o artista de rua, o ilusionista, o vendedor de “garrafada” e os políticos populistas, que se colocam como salvadores da pátria… sacou? Isso tudo acontecendo num contexto do centro de Salvador – ” da rua do cabeça aos aflitos” – acho que tem gente que mora aqui e nem sabe onde isso fica…”

CD1 – 02 O Rei do Olhar by bandacascadura

Lá ele!
“Faz parte do bloco que chamamos “as do candomblé” que é uma parte do disco que veio a partir de uma pesquisa que fizemos, primeiro com umas gravações feitas por andré t de toques do culto afro-baiano. Ele tinha essas gravações e me deu para escutar. Depois fui a terreiros e ouvi e assisti algumas cerimônias, já havia lido e estudado os arquétipos litúrgicos. Daí juntei alguns elementos em músicas diversas. “Lá ele!” toca no aspecto muito bruto e violento do crack, que sabemos é uma epidemis social e assola Salvador como assola outros centros urbanos. Observe que há no refrão: “Ah! Terra que contorna o Sol, vem cuidar dele… Ah! Vento que sopra em nós… Vem cuidar dele!”. São referencias à Omolu e Iansã, por meio dos elementos de seu domínio: terra e vento. Essas são divindades associadas à morte… São os guias que ajudam na passagem entre esse e o outro lado.” (N.E.: o nome da música vem de uma expressão popular em Salvador em resposta a frases ambíguas)

CD1 – 03 Lá Ele! by bandacascadura

A Mulher de Roxo
“Dentro do conceito do disco reservei um espaço para falar das personagens reais da cidade, mas não queria fazer “uma musica pra Bule-Bule”, “uma música para o Velhinho-da-Mágica”, “uma música para o Guarda Pelé”… Queria contextualizar as personagens em suas representações. A Mulher de Roxo (N.E.: uma senhora que vestia roxo e vivia como louca nas ruas do Centro de Salvador) emerge como figura reprimida e louca, tal qual a própria cidade! É o foco no machismo repressor dessa sociedade, da qual fazemos parte, que tão habilmente se perpetua de diversas formas… Essa música se comunica muito bem com “A Verdadeira”, que fala da “periguete”… Mas “A Mulher de Roxo” foi construida nesse contexto de abordar uma figura “histórica” que é capaz de entregar seus dias à loucura e à lucidez da Rua Chile. Na música há ainda citações diversas que me são muito caras: França Teixeira, “É gol! E vai buscar no fundo” que era o bordão de Fernando José como cronista esportivo. Apesar de ter sido o 2º pior prefeito da história da cidade (o 1º está no cargo agora), foi um importante personagem da crônica esportiva na Bahia. Além da Pça Castro Alves, Rua Chile e da “Escrava Isaura”… Essa música é muito importante pra mim. Um exercicio de construção muito intenso. Pitty veio para ajudar a contar a história e contribuiu muito com a voz e o estilo dela!

CD1 – 04 A Mulher de Roxo by bandacascadura

Simples como a Vida
“Essa é dedicada à Ticiana, minha noiva. Esse é o titulo de um fotolog que ela tinha, quando nos conhecemos… Mas a música, além de falar do amor que sinto por ela é também uma reflexão sobre o amor que sinto pela cidade, no sentido de que “A cidade é os seus cidadãos” (Cicero, Sec. I a.C). “Aqui da janela de casa eu vejo rostos felizes” é quase um desejo de ver uma cidade melhor que essa que temos hoje, desumana e egoísta… Ainda tem a parte “americanas dizem boys… americanos dizem girls… Eles só deveriam saber que o mundo inteiro quer o amor”… Nãos ei se me fiz entender aí… Americano vende a ideia de que ser feliz é ser como eles… E não é isso, né? Não há fórmula…”

CD1 – 05 Simples Como a Vida by bandacascadura

Sotorepolitana
“Essa veio como proposta de dar um olhar panorâmico sobre a cidade… Meio contextualizando geograficamente, as coisas dos bairros e suas características com a vida cotidiana das pessoas da cidade. Passa pelo olhar sobre o comportamento da “elite” soteropolitana (“Velha ordem de bacana que estampa sorriso no jornal”) e pela questão do negro na cidade (“os que a fizeram foram tantos, pretos vindos de outros cantos, carne nova pro Sr. Freguês…”)… O contexto de SSA como cidade do medievo e como entreposto avançado na venda de gente como mercadoria ainda se repete em muitos comportamentos… Mas há também o lance de dizer que, ao contrário do que a propaganda superficial propõe, a cidade é negra, mas não somente negra… Nem as cidades da Ãfrica sub-saariana podem se dar a esse luxo. Por mais que negros sejam uma maioria. Só isso dá uma matéria, mas a construção cultural, a partir da partilha social, da convivência e do contato, é bem mais complexa. Assim, Salvador também é (e muito) galega, ibérica e mais recentemente vai se nordestinizando (e o Nordeste é um universo amplo em si só). “Soteropolitana” serve para olhar esse processo… ou parte dele. Na verdade, “Soteropolitana” combina o Samba-Reggae (Não o pagode) com “Street Figth Man!” dos Rolling Stones. As duas levadas se combinam sem qualquer esforço… Não existe truque ou mágica. Somente tocamos um riff clássico dessa obra e pusemos uma levada de samba-reggae, como tocado nos blocos afro da Bahia para acompanhar… tudo se encaixou perfeitamente. E se destrincharmos o processo de CONTATO, veremos que as duas abordagens são geradas a partir da diáspora africana… E assim como Salvador, o porto de New Orleans também recebia carne negra para suprir a demanda de mão de obra nas lavouras de algodão e tabaco (mais ao sul, no Caribe, o açúcar e as bananas). Se pensarmos que os Rolling Stones beberam da fonte de criadores formados lá nas margens do Delta do Mississipi, próximo à Luisiana (A música alude ao estado sulista – “Mãe do Rio, irmã da Luisiana”)…”

CD1 – 06 Soteropolitana by bandacascadura

Os Reis Católicos
“Essa por sua vez é uma música que se comunica com “Colombo” (isso acontece em todo o disco) para falar do processo de expansão ultramarina dos ibéricos, e depois dos europeus em geral, que realizaram a empresa da colonização… A música é imersa na ironia. É uma canto apaixonado de amor entre o Rei de Aragão (Fernando) e sua esposa e Rainha (Isabel de Castela). Financiaram a viagem de Colombo e com isso chegaram às Américas. Veja que ele usa de imagens parnasianas: bela, nos demos as mãos, jardim, além de onde o sol se põe… Por outro lado também dá a “real”: escravidão dos índios, os portugueses trariam a escravaria para dar conta da exploração das riquezas da terra. “Ah! Por que você não contextualizou com os portugueses, já que o disco aborda Salvador?” Porque o título “Os Reis Católicos” funciona bem mais e é bem mais bonito… Essa música tem um arranjo de trompas que acho fantástico. Escrito por Paulo Rios Filho, que também fez o arranjo para “A Verdadeira”… Ah! É graças a esse processo de corrida na navegação entre Portugal e Espanha que Salvador veio a ser fundada… Isso depois de franceses e holandeses entrarem no jogo, aqui pelo Atlântico Sul…”

CD1 – 07 Os Reis CatóÂlicos by bandacascadura

Uma Lenda de Fogo
“É o “Grand Funk Railroad no Ilê Axé Opô Afonjá”! A ideia foi misturar um Alujá, toque cerimonial de Xangô, Grand Funk, com sua batida soul-rock, Jimi Hendirx, que Jô Estrada trouxe magistralmente, executando as guitarras (como em quase todas as músicas do disco)… Poxa. Essa foi uma das experiências mais legais. E faz parte daquele bloco de músicas baseadas nos toques dos orixás, do qual falei. Veja que nada é solto, nada é por acaso: o toque é um Alujá, toque cerimonial de Xangô e a letra trata da citação à uma lenda muito conhecida da tradição oral no candomblé, que inclusive já foi reproduzida por Pierre Verger e Reginaldo Prandi… É a história em que Xangô pede à Iansã que vá buscar o fogo para lhe trazer… Quem pesquisar pode ouvir a música e comparar com o que há na lenda. Mas a música tem sua própria história. Ela apenas cita, respeitosamente, esse episódio porque essas narrativas diferenciam Salvador de outros tantos lugares…”

CD1 – 08 Uma Lenda do Fogo by bandacascadura

Resumindo
“Queria falar do atual estado de abandono da cidade. E lembrando que falo mais do povo que da “cidade geográfica”… É essa relação de amor e ódio… Nela a cidade é uma menina malcriada, uma velha soberba, uma garota de programa… Desde a composição básica, no violão ou piano, a idéia era usar de recursos relacionados à Stevie Wonder. A música é quase uma de qualquer do estilo dele. Eu pedi isso e andré t foi conduzindo isso sob meu pedido… Ele é um grande conhecedor da obra e dos recursos que circundam a música feita por S. Morris. A música ficou um tempo sendo chamada de “Steviana” – na relação em que Villa-Lobos fez as Bachianas, em referencia à influencia de Bach à música dele… Olha bem, não estou comparando Cascadura à Villa-Lobos, nem a Stevie Wonder, muito menos à J. S. Bach… Entendeu? É a contextualização das coisas.”

CD1 – 09 Resumindo by bandacascadura

Chorosa
“Eu vinha andando numa paleta (N.E.: longa caminhada no dialeto baiano) pela Av. Euclides da Cunha, na Graça e ouvi aquele chamamento de vendedor de vassoura… A voz do cara era igual a de Otis Redding… Fiquei chocado! A rua de Salvador tem muito dessas coisas. O material humano é diverso e exposto. Ãs vezes até enche o saco (especialmente pra quem vive aqui), todo mundo é artista… Mas, a distância que separa a voz de Redding da do vassoureiro era pequena. É essa brincadeira da canção: Redding é “o vigia ao meu redor”, o cara que vem lembrar sempre que “o blues é a mãe e o pai”… O rock atualmente, salvo algumas exceções tem se afastado um monte do blues… melhor: tem se afastado do negro e isso não é bom… Eu me ressinto muito disso… Tem umas coisas que eu fico ouvindo; “não sei quem fez um disco que mistura rock e música negra…” como assim? Chuck Berry é rock, rei! “Chorosa” é a voz da rua de Salvador quando canta com o coração de verdade…”

CD1 – 10 Chorosa by bandacascadura

Colombo
“Queríamos escrever alguma música no Festival da Educadora (N.E.: festival promovido pela rádio Educadora de Salvador) como exercício para saber se estávamos “viajando” dentro do nosso próprio conceito… (N.E.: a música foi a primeira a ser conhecida pelo público). Escolhemos “Colombo” porque na época era a que estava mais completa e era uma das mais diferentes da nossa proposta musical anterior… A nossa “sorte” é que ela, além de muito bem posicionada no álbum, por estar relacionada com “Os Reis Católicos”, por tratar da relação difícil entre colônia-metrópole, exploração-explorado, colonizador-colonizado, ainda conta com a magistral participação de Siba. Esse elemento reposicionou a música. Porque ele trouxe uma abordagem que é universal, é nordestina… Mais, é brasileira e nos traz um balanço de maré danado… Aqueles timbres de Idade Média, Magreb na Peninsula Ibérica… E ele fez aquilo num piscar de olhos! Além de ser um cara culto e extremamente simpático!”

CD1 – 11 Colombo by bandacascadura

O Delator
“Uma música bem simples, né? Um riff, refrão… Eu gosto. E foi massa convidar o Jajá. Eu gosto muito da Vivendo do Ócio. Você que me falou a primeira vez deles, na época do Jam Session Rock. Eu realmente sou fã deles. E o Jajá é um cara sensacional: bom cantor, bom compositor, poeta, desenha muito bem… Tem muita coisa pra fazer na música e na arte ainda. A banda toda é legal! Quando mostrei a música pra andré, Jô e Thiago e falei do Jajá eles acharam legal, mas, depois, quando ele gravou a galera pirou no timbre de voz dele… Arrebentou! Veja que ela se comunica muito bem com “Cabeça-de-nêgo”, as letras percorrem um mesmo caminho: delação, inveja… e desemboca em “Lá ele!” é o universo marginal, escuso e ao mesmo tempo presente em cada esquina da cidade (no Pelourinho, inclusive). O detalhe é que, na propaganda, apagam da foto…”

CD2 – 01 O Delator by bandacascadura

Cabeça-de-nêgo
“Sabe que cabeça-de-nêgo é o nome daquela pedra usada no calçamento urbano no periodo colonial, né? Tipo “Ladeira do Pelourinho”. Pire aí: “pisar na cabeça-de-nêgo”. Sacou? Mas, tem uma bomba que usavam pra pescar, lá na Península de Itapagipe (N.E.: região tradicional localizada na parte da Cidade Baixa de Salvador) que também tinha esse nome… “Explodir que nem cabeça-de-nego”… Sacou? Esse papo de que não há racismo… Esse papo conservacionista, meio “democracia racial” tá por fora. E usam a coisa do negro de toda forma: propaganda, pra atrair turista… Na hora de dividir: “amarra os pé e sai do chão!”… “Sai do chão… Sai do chão… Sai do chão…”. Sacou? E, não atoa, tem a voz poderosa de Mauro Pithon  ali… (N.E.: vocalista veterano do rock baiano, tendo passado por Úteros em Fúria, Sangria e agora à frente da Bestiário). O nome original era “Piru de fora”, na citação ao termo “piru” (que fica se metendo onde não é chamado)… Cabeça-de-nêgo tá ligada!”

CD2 – 02 Cabeça-de-Nêgo by bandacascadura

Dava pra Ver
“Essa era uma vontade antiga, já que somos amigos, da mesma geração, mas nossa amizade mesmo é coisa mais recente… E acho Ronei Jorge um cara muito fora de série! Tinhamos essa ideia guardada: um soul que pudesse dialogar com uma levadinha no tamborim, um lance meio samba discreto e triste… Eu falei com Ronei, perguntei se ele topava ajudar a gravar e cantar. Eu achava que não bastava uma coisa ou utra, a experiência seria boa se pudesse ser completa: escrever e cantar! Ele topou e foi bem tranquilo e muito divertido. A sessão com Ronei foi das melhores… Construímos a ideia de um apocalipse a partir de Salvador. Tem aquele filme “2012″ que mostra o armagedom em Paris, N. York, Pequim, Sidney… Imagens do Mundo todo… Tem o Rio, o cristo Redentor e não tem Salvador (aí, aquela coisa bairrista ao extremo: “Porra, véi! E a Bahia?”)… Baiano tem essa mania ufanista… Até o apocalipse tem que ter aqui também… Hahahaha!! Sacou? A brincadeira é essa! “Chegou o final! Oh, tenha dó! De lá, abriu-se o chão e engoliu o Farol!”. É isso… Soul + sambinha!!!”

CD2 – 03 Dava Pra Ver by bandacascadura

A Verdadeira
“Eu tinha falado num texto lá no blog A Ponte que fez a ligação entre as duas praias: Bogary e Aleluia. (aqui a gente revela mais um detalhe na conceituação de todo o processo, não só da obra): Se a “Falsa Baiana” de Geraldo Pereira (que era mineiro do Rio) “não entra na roda, só fica parada, não samba, não mexe, não bole, nem nada… não sabe deixar a mocidade louca…”, a verdadeira baiana só pode ser a piriguete, né, não?! Queria fazer esse confrontamento de modo bem humorado, mas com poesia. Daí tem citações à outras músicas do cancioneiro moderno brasileiro: “Jeito de corpo”, “Folhetim”… E essa poesia veio no arremate do arranjo que foi bolado pelo Paulo Rios Filho, que faz parte do OCA (Oficina de Composição Agora), junto com Alex Pochat e outros compositores eruditos de Salvador. Atrair esses elementos dispersos também fazia parte de nossa ideia básica: OCA, Rumpilezz, Ronei… a boa produção local e em diversos campos musicais. O arranjo foi executado para flauta, fagote, oboé, violino e clarinete, aí Thiago pôs uma darbuka da Tunísia (que quando ele comprou eu tirei o maior sarro da cara dele e ele acabou mostrando o quanto esse instrumento é útil e bonito). Fez aquela ponte com aquelas coisas de Norte da Ãfrica, sabe? O mesmo Magreb que invadiu a Península Ibérica, que veio parar aqui em naus… E com andré criou aquela parte final com baixo e bateria… Essa me surpreendeu! Acho que a galera vai estranhar mas vai curtir…”

CD2 – 04 A Verdadeira by bandacascadura

To Your Head
“Essa música foi uma colcha de retalhos. Porque eu comecei a fazê-la a partir daquele exercicio com os toques de candomblé que andré me mostrou… Lembra? Então… Ela é desse bloco de composições que vieram quase ao mesmo tempo… Tem “Lá ele!”, “Uma Lenda do Fogo”, “O Cordeiro”… Eu me baseei num trecho da execução de um ibí, que é o toque de Oxalá, que é um Orixá muito importante no processo de construção do disco. É um arquétipo associado à sabedoria, à assepsia e acho que a cidade precisa muito disso nesse instante… Enfim… Foi a partir da audição desse toque que escrevi a canção, pensando num mantra mesmo. Cada estrofe discorre sobre um arquétipo representado num orixá masculino do panteão do candomblé da Bahia, na ordem da semana… De segunda à sexta… Isso em inglês, porque eu queria ser o menos óbvio possível… Eu compus com o toque na trilha e montando pedaços de samples que eu tinha aqui em casa… Montei e mostrei primeiro a Graco Vieira, da Scambo, Bailinho… Ele achou que a ideia era boa. Até falou: “Lembrou uma mistura de White Srtipes com Rumpilezz…”. Eu fiquei com aquilo guardado. Já tinha conversado com Letieres (N.E.: o homem por trás da Orkestra Rumpilezz) da vontade de fazer algo com ele. Na real ele que puxou o assunto, falando que toparia algo com o Cascadura. Levei a ideia para andré que já tinha trampado com ele e Thiago apoiou 110%! Quem não quer trabalhar com Letieres? Além do grande músico, arranjador, da grande concepção musical, ele é um cara muito massa! Antropólogo natural! Contextualiza tudo! Foi massa! A sessão dele no estúdio foi algo a parte do processo todo porque ele mexeu com muitas coisas ali! E tudo muito bom, muito pertinente. Temos inclusive imagens dele regendo a Orkestra no estúdio: fenomenal! Só vendo pra entender… O massa é que nos aproximamos do esquema da Rumpilezz. Fomos nós quem saímos de nossa zona de conforto, por opção e nos entregamos ao conceito deles! E adorei fazer isso… Foi um risco calculado! Acho que deu certo.”

CD2 – 05 To Your Head by bandacascadura

O Cordeiro
“Essa discussão em torno do lance das cordas de bloco de Carnaval, que não é nova, nos levou a essa canção. Nos baseamos num vassi, toque cerimonial de Ogum, que é associado à guerra… O cordeiro no Carnaval está em meio a isso, né? Guerra, festa, confronto… Mas, a música não cria juizo de valor. Nem apoia ou condena a função do cordeiro. Apenas relata, contextualiza. Mas fica claro quando dizemos que “ninguém me convidou, mas aqui é minha casa…” Entendeu?! E há ali um entrelaçamento entre percussão, efeitos, bateria que é mágico! A galera pirou nessa música!

CD2 – 06 O Cordeiro by bandacascadura

Sonho de Garoto
“Era um desejo antigo também. Há tempos que Beto Bruno (Cachorro Grande) e eu combinávamos uma parceria. É uma canção simples, bem arranjadinha, muitas referências dos Beatles… É basicamente o que todos nós, que participamos do disco gostamos… Fomos gravar a voz do Beto lá em Sampa, no estúdio do Duda (N.E.: baterista de Pitty) e virou uma festa. No fim da faixa tem até a voz do Spencer  (N.E.:  Ricardo Spencer, direto de videoclipes) falando “Robertoooo!” Tava todo mundo na sala de gravação… E lá tivemos a ideia de citar “Chorando no Campo” de Lobão, como homenagem a ele… Ficou massa. Eu me amarrei! Levei a música quase pronta, mas sem letra. No estúdio de Duda, Beto deu os arremates e fizemos a letra ali, a quatro mãos… Foi rápido e pintou na hora… Dali surgiu a ideia de “o cinema é só ilusão”… Eu vejo como uma declaração de amor mal resolvido com o contexto da cidade… Tá ali pra dar leveza a todo o discurso também… Um disco se resolve assim também. A possibilidade plural é importante. A música cai como um balsamo. Eu gosto muito…”

2-07 Sonho de Garoto by bandacascadura

Nunca Imaginei
“Eu tinha o esboço dessa música havia muito tempo. Tinha um apego e um bloqueio com ela. Achava-a bonita, mas não conseguia escrever uma letra legal… Como já tinha conversado com o Nando (Reis) sobre a possibilidade de fazer algo juntos, liguei e perguntei se ele queria ouvir o esboço. Mandei uma demo caseira e ele me ligou dizendo que topava…. Uns dias mais tarde ele me ligou de novo e mostrou a letra e umas novas partes melódicas que ele havia bolado. Foi muito massa… Ele cantou as partes no telefone e já dava pra sacar que ia ficar legal ali mesmo… Foi isso. Quando eu mandei a demo eu expliquei o lance do conceito do disco, da abordagem e ele acabou oferecendo uma música muito leve pra falar de Salvador. Era um lance que tava faltando. Pra quem está dentro do processo todo, sob a cidade, mesmo amando-a, fica difícil dizer algumas coisas… E eu queria uma letra assim, com muito carinho e amor pela cidade, mas se eu fizesse só, talvez soasse piegas. Do jeito que ele propôs foi magistral. A canção ficou completa e o disco, mais ainda… Combinamos bem!”

CD2 – 08 Nunca Imaginei by bandacascadura

O Tempo pode Virar
“Acho que Jô que falou que “era a nossa ‘Breakaway’”.. Hahaha!!! Faz sentido. Power Pop com as coisas do Beach Boys e uma letra positiva. É uma abordagem esperançosa em relação ao que pode vir a ser, se formos suficientemente inteligentes… As vezes acho que só a moçada que tem hoje 8, 7 anos vai pegar uma Salvador realmente mais legal. A música fala dessa possibilidade…”

CD2 – 09 O Tempo Pode Virar by bandacascadura

Um Engolindo o Outro
“É blues… E a ideia era fazer uma faixa tão básica que tivesse somente o lance dos pés sobre o tablado e voz… Mas, acabamos experimentando outros recursos que foram ficando. Primeiro gravamos com uns amigos no Teatro Sitorne uma série de ritmos com pés sobre tablado e palmas, emulando aquele lance meio “work song”… uma coisa da tradição da musica do sul dos EUA. Tudo baseado no clima de blues rural… Uma vez, no estúdio, Du Txai (N.E.: guitarrista baiano) tava lá pra gravar um violão e um slide e acabou “brincando” com um berimbau que andré tem por lá. Na mesma hora a gente pediu pra ele experimentar nessa música e deu certo… E tem a ideia de fazer uma provocação: “berimbau no rock?”… Na verdade num blues… Bom… Jô tocou um violão com as cordas bem frouxas e debulhou… Ficou bala. Eu gravei a voz quase de cócoras… Tava sentada e bem curvado… Virou isso. Um reclame contra os programas “pinga-sangue” da hora do almoço… Ninguém merece. Acho que não tem nada pior na TV hoje em dia… É o tipo de coisa que não só nos nivela por baixo, mas nos põe pra baixo.”

CD2 – 10 Um Engolindo o Outro by bandacascadura

Cantem Aleluia
“Essa é a música que arremata toda a história. É a canção que fecha o álbum por vários motivos. Ela é a descrição da Salvador que parece se conservar mais autêntica: Subúrbio Ferroviário! São das imagens de lá que falamos em “Cantem Aleluia”… é outra provocação também, porque depois de tratar de tantas referências do candomblé, vamos a um texto repleto de referências Bíblicas. É quase um gospel! Eu refuto o preconceito ao debate com quem quer que seja. Acho somente que as pessoas tem que aprender a debater, respeitando as diferenças e pautando-se em argumentos sólidos… Lembra do lance da Salvador plural? Ela é evangélica também… Não quer dizer que eu esteja escrevendo para eles, mas não dá pra ignorá-los. O violão nela foi gravado por Du Txai… E é uma parceria entre mim, andré, Jô e Thiago. Foi a primeira vez que fizemos isso… E era a proposta mesmo.

CD2 – 11 Cantem Aleluia! by bandacascadura


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A volta e as novidades do Los Hermanos

Um novo retorno em uma turnê comemorativa aos 15 anos da banda, com mais shows, músicas inéditas e uma possibilidade de algo além. No rastro, os discos saem em vinil e em uma caixa, enquanto diversos nomes da nova música brasileira se reúnem num tributo à principal banda brasileira do século XXI.

Fotos: Rafael Passos (Divulgação/ Abril Pro Rock)

Depois de fazer enorme sucesso popular com basicamente uma música, mergulhar em trabalhos autorais e criar um imenso público de devotos, trafegando por diferentes ambientes enquanto recrudescia a crise na indústria fonográfica, a banda carioca Los Hermanos abriu um vácuo na música brasileira ao anunciar em 2007 que iria entrar em recesso por tempo indeterminado. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba haviam lançado quatro discos e estariam prestes a gravar o quinto, mas preferiram parar as atividades sem data para um retorno.

Ali já estavam inscritos na história da música popular brasileira, saindo da condição de banda do underground carioca para o de banda brasileira mais importante do século XXI. Como costuma ser sempre com quem traz elementos e referências novas ou esquecidas para determinado momento da história, eles deixaram uma marca forte e influenciaram boa parte da produção musical jovem dali em diante. Abriram possibilidades que pareciam adormecidas para o público mais novo de então. Seja a capacidade de garotos assumirem uma certa sensibilidade hétero, contrária a dominação da testosterona machista, exagerada e descerebrada. Seja em permitir que a música jovem não se resumisse a superficialidade do mainstream radiofônico e popularesco ou ao rock sujo, feio e malvado. Ao mesmo tempo reunia um pouco disso tudo.

Depois de dois discos fundamentais e presentes em quase qualquer lista de melhores discos dos anos 00, ‘Bloco do eu Sozinho’ e ‘Ventura’, lançaram o último trabalho, ’4′, mais brando e apontando cada vez mais para a música brasileira mais consagrada, apesar de ainda manter um nível de rock em algumas faixas. Não se sabe ao certo se não acreditavam mais num próximo álbum com a mesma qualidade, se estavam estafados da vida de se isolar para gravar e fazer turnês lotadas ou se simplesmente queriam apostar em seus próprios projetos ou se era tudo isso e mais alguma coisa. O fato é que, como bem disse Lorena Calabria em seu blog, “eles poderiam ficar enrolando, com disco ao vivo, disco de versões etc., deixando a banda no piloto automático e cada um com seus projetos paralelos. Nada disso. Saem de cena, mantendo a amizade e a sanidade. ”

Tal qual os Beatles – e a comparação aqui não é de valor musical ou importância, mas de constatar que ambas pararam em um ainda alto estágio de criatividade e popularidade -, a devoção pela banda só cresceu na sequência da interrupção. No caso do Los Hermanos, a influência se alastrou e quase todo garoto ou garota que passou a criar uma banda no Brasil, assumia sua veia roqueira aliada a uma pretensão em fazer letras mais sofisticadas e sensíveis, adicionando uma forte influência da música brasileira mais ligada a MPB tradicional. Se Chico Science alguns anos antes havia deixado o legado da antena ligada para ritmos diversos de fora aliados a uma inserção nos ritmos brasileiros tradicionais, a banda carioca mostrou outro caminho.

Os frutos acabam não variando, ou se tornam cópias mal feitas tentando seguir uma inexistente fórmula, ou influencia diretas para artistas mais talentosos do que criativos ou abre portas para um mundo que cresce para outros campos com o tempo. Nenhum dos quatro hermanos pode assumir isso como responsabilidade sua, é consequência da importância que tiveram. Cada um seguiu seu rumo, Marcelo Camelo criando uma carreira solo já com dois discos, Rodrigo Amarante participando da Orquestra Imperial e criando a banda Little Joy (a carreira solo com disco e turnê devem finalmente ganhar vida este ano) , enquanto Medina e Barba se tornaram músicos de acompanhamento de artistas do cenário nacional.

Após o recesso em 2007, a banda anunciou duas voltas para shows. Uma em 2009, abrindo as duas apresentações dos britânicos do Radiohead no Brasil, e no ano seguinte, tocando no festival SWU e em shows por três capitais do Nordeste, Recife, Fortaleza e Salvador. Nesses encontros nada de novo foi lançado, tocado ou apresentado. Apenas os principais hits dos quatro discos e nenhuma esperança de um retorno mais sólido ou alguma gravação nova.

Com o anúncio da nova turnê em 2012 em comemoração aos 15 anos da banda, a maior desde 2007, com 24 apresentações, passando por 12 cidades em várias regiões do país, com ingressos esgotados meses antes (veja datas abaixo), a expectativa era se a banda apresentaria alguma novidade. Músicas inéditas, versões, novos covers ou mesmo se decidiriam voltar para gravar algo.

20.ABR: Recife, Festival Abril Pro Rock (Ingressos Esgotados)
21.ABR: Fortaleza, Barraca Biruta (Ingressos Esgotados)
27.ABR: Manaus, Arena Amadeu Teixeira
28.ABR: Belém, Cidade Folia
05.MAI: Brasília, Estacionamento do Ginásio Nilson Nelson
06.MAI: Salvador, Concha Acústica do TCA (Ingressos Esgotados)
07.MAI: Salvador, Concha Acústica do TCA
10.MAI: São Paulo, Espaço das Américas (Ingressos Esgotados)
11.MAI: São Paulo, Espaço das Américas (Ingressos Esgotados)
12.MAI: Porto Alegre, Pepsi on Stage (Ingressos Esgotados)
13.MAI: Porto Alegre, Pepsi on Stage
18.MAI: Curitiba, Festival Lupaluna (BioParque)
19.MAI: Belo Horizonte, Chevrolet Hall (Ingressos Esgotados)
20.MAI: Belo Horizonte, Chevrolet Hall (Ingressos Esgotados)
21.MAI: Belo Horizonte, Chevrolet Hall(Ingressos Esgotados)
24.MAI: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
25.MAI: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
26.MAI: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
27.MAI: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
31.MAI: São Paulo, Espaço das Américas (Ingressos Esgotados)
01.JUN: São Paulo, Espaço das Américas (Ingressos Esgotados)
02.JUN: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
03.JUN: Rio de Janeiro, Fundição Progresso (Ingressos Esgotados)
09.JUN: Alegre (ES), Festival de Alegre

No primeiro show, no festival Abril Pro Rock, no Recife, um público de 15 mil pessoas (recorde nos 20 anos do evento) assistiram as duas horas de show, com 29 (!) músicas tocadas e algumas gratas surpresas para os fãs carentes por novidades. A principal delas veio em dose dupla. Duas músicas novas, nunca ouvidas anteriormente, ainda sem nome, de autoria de Rodrigo Amarante, foram executadas na apresentação e ampliaram as expectativas sobre novas gravações e até um novo disco. O próprio Amarante, segundo descrição do jornalista Marcos Bragatto em seu blog, havia dito que a primeira das músicas teve o arranjo concluído durante a passagem de som, na véspera do show. Bragatto, presente no show, descreveu a música como uma balada com um substancial crescente dramático. A outra música, executada durante o bis, foi descrita pelo jornalista como “um rockão de beira de estrada com riff pegajoso, uma gata surpresa que flerta com o som de bandas como Queens Of The Stone Age, talvez fruto da experiência internacional de Amarante com o Little Joy”. Ouça e veja as duas faixas nos vídeos abaixo:

Outra novidade foi a inclusão de músicas raramente tocadas pela banda em seus shows, como “Conversa de Botas Batidasâ€, do ‘Ventura’, e principalmente uma sequência matadora do primeiro disco, guardada para o fim do show, no bis: “Quem Sabeâ€, “Tenha Dóâ€, “Descoberta†e “Pierrotâ€, tocadas juntas e em sequência (algo não visto há muitos anos). Segundo o relato de Bragatto, o show contou ainda com mudanças sutis nos arranjos que devem marcar os shows da turnê. O jornalista conta como foram essa mudanças: “Em “Do Sétimo Andarâ€, por exemplo, Camelo chega a dizer que a performance ‘vai parecer a de uma banda nova’, em acordo com o discurso de Amarante, que pede para que o público prestigie as bandas novas dessa edição do festival, assim como eles foram bem recebidos em 1999. ‘Sentimental’, por sua vez, ganha um final diferente, depois de receber uma das maiores salvas de palmas da noite. “A Florâ€, espécie de “sobra†do primeiro álbum, se mostra contagiante como nos velhos tempos, e, em “Deixa O Verãoâ€, embora Amarante acredite que o público “não está muito a fim de novidadeâ€, o discreto Rodrigo Barba manda um mini solo de bateria.”

O repertório do primeiro show variou entre dez músicas do ‘Ventura’ (“Deixa o Verãoâ€, “O Último Romanceâ€, “O Vencedorâ€, “Samba a Doisâ€, “Do Sétimo Andarâ€, “Cara Estranhoâ€, “Além do Que Se Vêâ€, “Conversa de Botas Batidasâ€, “A Outra” e “Um Parâ€), seis do ‘Bloco do Eu Sozinho’ (“Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “Retrato pra Iaiáâ€, “Casa Pré-Fabricadaâ€, “Sentimentalâ€, “A Flor†e “Cadê teu Suinâ€) e cinco do disco ’4′ (“Dois Barcosâ€, “Paquetáâ€, “Pois Éâ€, “Morena†e “Primeiro Andarâ€), além das quatro citadas do primeiro álbum e duas dos discos solo de Marcelo Camelo. Veja o repertório:

Primeiro show da turnê 2012 – Recife
Set list completo

1- Além do Que Se Vê
2- O Vencedor
3- Retrato Pra Iaiá
4- Todo Carnaval Tem Seu Fim
5- O Vento
6- A Outra
7- Morena
8- Primeiro Andar
9- Mais Tarde
10- Do Sétimo Andar
11- Um Par
12- Sentimental
13- Cadê Teu Suin?
14- Acostumar
15- A Flor
16- Cara Estranho
17- Condicional
18- Deixa o Verão
19- Música nova
20- Pois é
21- O Velho e o Moço
22- Conversa de Botas Batidas
23- Último Romance
Bis
24- Música Nova
25- Casa Pré-fabricada
26- Quem Sabe
27- Tenha Dó
28- Descoberta
29- Pierrot

No embalo do retorno e da turnê da banda, a fábrica Polysom decidiu produzir em vinil quatro álbuns de estúdio mais o gravado ao vivo, ‘Los Hermanos na Fundição Progresso’ (de 2008), e lançá-los em uma caixa. Feita sob a supervisão dos músicos do grupo, a caixa Los Hermanos está chegando às lojas no fim deste mês de abril. Com exceção do disco gravado ao vivo em 2007 em show na Fundição Progresso, os outros quatro também serão vendidos de forma avulsa. O ‘Bloco do Eu Sozinho’ e o ‘Ventura’ foram reeditados em vinil na forma de LP duplo, enquanto os outros terão forma de LP simples.

Na comemoração dos 15 anos, o Los Hermanos ganhou também uma coletânea dupla, batizada como Re-Trato, reunindo alguns dos principais artistas da música brasileira atual com nomes mais novos prestando um tributo aos cariocas. São 33 versões gravadas por nomes de estilos diversos, vindos de oito estados diferentes, como Wado, Nervoso, Lula Queiroga, Do Amor, Maglore, Velhas Virgens, entre outros, e lançadas em dois discos virtuais disponibilizadas gratuitamente para download. Até o fechamento deste texto já haviam sido baixados mais de 40 mil vezes. Além das música, o projeto traz ainda uma série de 30 ilustrações exclusivas produzidas pela artista plástica, Luyse Costa e inspirada sem cada uma das músicas.

Coletânea Re-Trato Los Hermanos musicoteca | Disco 1 – 2012
(Download: Disco 1 – 2012 (98.29MB)

1. Todo Carnaval Tem Seu Fim – Do Amor
2. Vento – Quarto Negro
3. Morena – Tiago Iorc
4. Retrato pra Iaiá – nana
5. Último Romance – Graveola e o Lixo Polifônico
6. A Outra – Estrela Ruiz Leminski e Téo Ruiz
7. Condicional – Pélico
8. Além Do Que Se Vê – Cohen e Marcela
9. Primavera – Banda Gentileza
10. Deixa o Verão – Tibério Azul
11. Tá Bom – 5 a Seco
12. A Flor – Nervoso e os Calmantes
13. Anna Júlia – Velhas Virgens

Bônus Tracks:
14. Dois Barcos – A Banda Mais Bonita da Cidade
15. Onze Dias – Rafael Castro
16. Azedume (instrumental) – Fusile
17. Anna Júlia (english version) – Velhas Virgens

Coletânea Re-Trato Los Hermanos musicoteca | Disco 2 – 2012
Download: Disco 2 – 2012 (91.78MB)

1. Um Par – Dan Nakagawa
2. Cara Estranho – Leo Fressato
3. Sentimental – Phillip Long
4. Fingi na Hora Rir – Nevilton
5. Do Sétimo Andar – Érika Machado
6. De Onde vem a Calma – hidrocor
7. O Vencedor – Rodrigo Del Arc e Galldino
8. O Velho e o Moço – Maglore
9. Samba a Dois – Jô Nunes
10. O Pouco que Sobrou – Bárbara Eugênia
11. Conversa De Botas Batidas – Cícero
12. Pois é… – Transmissor
13. Casa Pré-Fabricada – Lula Queiroga

Bônus Track:
14. Morena – Wado
15. É de Lágrima – João e os Poetas de Cabelo Solto
16. Adeus Você – Nuvens


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Novidades na mídia destacam cultura e música da Bahia

Um dos maiores problemas no cenário cultural brasileiro ainda é o acesso a produções e artistas pelo grande público. Na Bahia, isso talvez seja ainda pior, devido as relações herdadas no tempo em que as gravadoras bancavam tudo e a Axé Music reinava. Se a indústria mudou, a história continua a mesma nos veículos de comunicação. As emissoras de TV ainda não abrem muito espaço para artistas que fujam da mesmice. Até cedem umas poucas esmolas, aqui e acolá, mas preferem apostar na mesma coisa de sempre. As rádios, com ainda mais espaço para música, são ainda piores.

A preguiça e desconhecimento dos produtores, aliados ao péssimo costume de só referendar trabalhos vendidos por gravador e o ainda pior hábito do jabá (que mudou de forma, mas ainda é fortíssimo) são entraves que deixam as rádios totalmente desvincilhadas do que acontece na música hoje. Tanto a produção baiana, quanto a nacional, ainda não é percebida no dial, com honrosas exceções. Na Bahia, ainda há um aspecto peculiar.

O axé criou um método que faz com que rádios consigam funcionar basicamente tocando a produção local, mesmo que seja restrita a ritmos ligados ao carnaval e carregue preconceitos com outros tipos de artistas. O problema, porém, é seguir a mesma lógica dos tempos áureos da indústria fonográfica, funcionando a base de troca e jabá, preocupando-se muito pouco em buscar ou apresentar novidades fora do esquema que envolve empresários negociando para o artista tocar.

Apesar da rádio ser ainda o principal meio no qual a população brasileira ouve música – algo que deveria ser mais bem tratado pela imprensa cultural, mas é desprezado até por grande parte dos artistas -, temos visto outras formas de se falar de música e de se apresentar artistas que estão fora da mídia. Quase sempre estas novas possibilidades estão na internet, mas há ainda publicações impressas e programas de rádio, por exemplo, tentando ampliar o leque de opções. Vamos conhecer alguns desses novos produtos que estão sendo lançados na Bahia.

A equipe do Mê de Música: Carol Morena, Camilo Froes, Igor Souto, Renata Hasselman, Ana Paula Matos, Júlia Gutmann e Leandro Afonso Guimarães (da esquerda pra direita)

Mê de Música
Novo programa de TV, sobre música, totalmente feito pra web. É cada vez maior essa tendência de utilizar vídeo na internet e criar programas com focos específicos, ainda mais com a banda larga se disseminando no Brasil. Nem é tão novidade assim, em Salvador mesmo tínhamos há alguns anos o Encarte, lembram? Durou algum tempo e umas 20 edições. Agora, porém, com maior acesso a equipamentos e a internet mais veloz, chegando ainda há mais gente, dá para fazer mais e melhor. É nesse pensamento que uma equipe de produtores resolveu unir forçar e criar o Mê de Música. A proposta é “apresentar o que há de diverso na cultura baiana, fortalecer o cenário musical da Bahia e expor debates sobre temas relevantes”, tudo isso em programas com cerca de 15 minutos de duração, veiculados na web a cada 15 dias e sempre com um tema diferente. Com uma linguagem moderna e de modo objetivo, cada tema é explorado com entrevistas e encontros musicais, mostrando a diversidade da cena musical baiana, sem preconceitos. Entre os temas já previstos estão “Música dá dinheiro?â€, que marca a estreia do programa, “Quem te botou nessa vida?” (mostrando como é o início do trabalho na música), um debate sobre “A internet está matando a música?”, uma provocação sobre “Salvador não tem nada para fazer” e por aí vai. O programa estreia no próximo dia 10 de maio.

Revista Plano B
Se em 2011 tivemos o lançamento da revista BeQuadro, totalmente voltada para a produção de música na Bahia (uma segunda edição está prevista ainda para 2012), agora temos o lançamento da Plano B, publicação mais abrangente que trata de cultura baiana, em geral. Na primeira edição, os destaques são para o cantor e compositor Gerônimo, o trabalho do Circo Picolino, além de matérias sobre Juliana Ribeiro, o Recôncavo Baiano, o rumpilé, entre outras. A publicação traz, também, colunas opinativas. Prevista para sair mensalmente, a revista vai sair encartada com o novo CD de Ênio e A Maloca, na próxima edição de maio. Ainda tímida na internet, a revista está anunciando em seu site um portal com novo conceito para pensar a cultura na Bahia.

Programas novos na Globo FM
Se as rádios vivem quase sempre uma pasmaceira, duas novidades apresentadas pela Globo FM (90,1) vão oferecer um algo mais no dial baiano. Dois programas, apresentados pelo jornalista Hagameno Brito, estreiam essa semana na emissora. O primeiro é o ‘Black Soul’, que vai ao ar às terças, às 21 horas, apresentando nomes nacionais e internacionais da Black Music e suas derivações, R&B, Soul, Funk etc. O outro programa, batizado de ‘Sangue Novo’, é ainda mais ousado para o dial baiano. Apesar de ser muito semelhante em repertório ao Radioca, que existe há quatro anos na Educadora FM, é um sopro de esperança uma rádio comercial (por sinal líder em seu seguimento). A proposta é abrir espaço para a nova geração da música brasileira, dando vez a nomes como Wado, Criolo, Tulipa, Lucas Santtana, Marcelo Jeneci e aceitando novidades também da música baiana. Que permaneça assim.


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Festivais pelo Brasil – Guia Lolapalooza – O que e porquê ver


Depois de alguns festivais de menor porte, o ano dos grandes festivais começa neste sábado (7) lá no Brasil, na verdade em São Paulo, com a primeira edição do badalado Lolapalooza. O festival começou em 1991, com o lider da Jane’s Addiction, Perry Farrell, anunciando o fim do grupo com uma grande festa de despedida. Acabou virando um festival e em pouco tempo se tornou um dos mais importantes do gênero nos Estados Unidos. Muito tempo depois, finalmente o Lolapalooza chega ao Brasil. De cara uma programação caprichada, diversa, mas com foco principal no rock e seus derivados. Abrimos com ele a série 2012 de festivais, com programação, mas também comentários sobre as atrações e quais shows o el Cabong indica para quem for não perder.

  • Sábado, 7 de Abril

- Foo Fighters***** – Uma das maiores bandas do mundo hoje, vivendo um de seus melhores momentos, liderado por o cara do rock, Dave Grohl, um ex-Nirvana. Depois de muito tempo a banda volta ao Brasil, agora como headliner absoluto. O tipo de banda que funciona para um público imenso, com hits poderosos. Nem precisa explicar muito, deve ser um dos melhores shows do ano na América do Sul. A apresentação que fizeram em Buenos Aires comprova isso, olha o set list. Imperdível.
– TV on The Radio**** - Uma daquelas bandas desconhecidas da maioria, bastante elogiada pela crítica, que não agrada a todo tipo de fã de rock, mas que pega alguns de jeito. Indie rock meio cabeçudo, mas muito bom. Na outra vez que vieram ao Brasil tiveram problemas e não conseguiram tocar com os próprios instrumentos, mas foi bom assim mesmo. Agora promete ser ainda melhor.
- Calvin  Harris
- Band of Horses*** – Sem alarde, a banda indie norte-americana pode se destacar no festival. Dona de petardos grandiosos, catárticos e com guitarras energéticas, é daquelas que devem surpreender.
- Cage The Elephant**** – Um dos melhores discos lançados em 2011 foi da Cage the Elephant. A banda, que tem um que de Pixies, com guitarras bacanas e vocais estranhos, já se destacou no show em Buenos Aires e deve ser um dos melhores shows do Lolapalooza.
- Joan Jett and The Blackhearts***** – O que falar de uma lenda? Pode ser apenas um show pra saudosistas, mas pode também fazer aqueles shows arrebatadores. Os clássicos dela já garantiriam isso, imagine ouvir coisas como ”Bad Reputation” e “I Love Rock ‘N’ Roll” ao vivo com milhares de pessoas cantando junto? Fundadora do The Runaways, Joan Jett é uma das melhores guitarristas de todos os tempos. Como perder com tantas credenciais?
- O Rappa* – Não é mais a banda relevante que já foi, mas é uma volta e pode render. Quem sabe?
- Bassnectar
– The Crystal Method* – Dupla que surgiu naquela levada da música eletrônica que rendeu Prodigy, Chemical Brothers e Fat BoySlim. Eram um dos pilares de um tal Big Beat, lembra? Passou, mas esses ainda insistem naquela mesma variação eletro.
– Perryetty V/S Chris Cox
– Peaches* – Piada que funcionou por um tempo e até divertiu, mas passou e hoje não tem muito sentido com tanta coisa melhor acontecendo por aí.
- Wander Wildner*** – Bardo gaúcho que sempre manda bem com suas canções poéticas com base punk brega.
- Marcelo Nova* – Grande nome da história do rock brasileiro, já não tem muito a oferecer, além de ótimas e polêmicas entrevistas e alguns hits do passado.
- Rhythm Monks
- Pavilhão 9* – Ainda existe?
- Ritmo Machine
– Veiga & Salazar
- Daniel Belleza & Os Corações em Fúria* – Fuja!
- Tipo Uísque
– Balls
– Marcio Techjun
– Zé & Cia – Trenzinho de Gente
– Sam Batera e Absolut
– Bichos do Mundo

  • Domingo, 8 de Abril

- Arctic Monkeys***** – Uma das bandas que surgiram na onda do novo rock mundial e uma das primeiras a estourar pela internet. De aposta juvenil a um dos bons nomes do rock atual, o Arctic Monkeys já se consolidou com grandes discos. Agora fazem seu segundo show no Brasil, apresentando seu rock  visceral, energético e com riffs pegajosos. Outro show que não dá pra perder.
- Jane’s Addiction** – Banda do criador do festival, já foi muito relevante, com pelo menos dois grandes discos. lá nos anos 90. Hoje não é tão importante, mas se tocar os hits dos primeiros discos pode ser legal.
- MGMT** – Uma daquelas apostas que surgem, fazem um ou dois sucessos, metem os pés pelas mãos e não  fazem mais nada. “Kids” e “Time to Pretend” pode render bons momentos no show, mas só.
- Thievery Corporation*** – Endeusados por uma horda de seguidores, o TC é uma daquelas bandas amadas, idolatradas, endeusadas pelos seus fãs, mas que nunca foi além de um nicho. O duo faz algo como um trip hop, com doses de jazz e até bossa nova, bastante interessante.  Pode ser uma daquelas surpresas que ninguém está dando bola no festival.
- Skrillex* – Um daqueles fenômenos que surgem, fazem muito sucesso e…  e espero que passe logo. Se quiser dar uma de moderninho e dizer que viu o show de um dos caras mais badalados dos jovens modernetes… Vá. Se não, fuja.
- Foster the Peole*** – Detentor de um dos maiores hits de 2011, o Foster the People surgiu como grande aposta do rock californiano, numa pegada dançante meio psicodélica. Mas parece que tudo foi rápido demais e a banda não tem essa solidez ainda. Tirando o êxtase do tal hit “Pumped Up Kicks” deve provocar e de um ou outro momento, não deve marcar muito. Mas vai que de repente surpreende e é o momento deles, né?
- Racionais MCs**** – Muito raro vê-los em um festival. Só por isso já seria muito interessante. Outro fator atraente é que será um dos poucos shows do grupo que se pode ver sem o apelo de seu público fiel presente cantando junto e acompanhando a realidade própria que a banda evoca. Sem falar que é a maior banda de rap do Brasil de todos os tempos. No mínimo vai ser curioso.
- Friendly Fires** – Superestimados como uma das grandes promessas da música inglesa, o Friendly Fires é uma dasquelas bandas que surgiram no ano 2000 com sonoridade atualizada daquele som meio indie, meio eletrônico dos anos 80.
- Pretty  Lights
– Manhester Orchestra
– Gogol Bordello*** – Figurinha já carimbada no Brasil, o grupo faz aquela mistura de punk e música cigana que deu o que falar há alguns anos. A moda passou, mas é bem interessante e os shows costumam ser muito bons.
– Tinie Tempah
- Plebe Rude** – Bagagem não falta a esta banda veteraníssima de Brasília. Considerada por muitos a melhor banda daquele cenário da capital federal, que rendeu além deles Paralamas e Legião, a banda tem hits de valer o show. “Até Quando Esperar”, por exemplo, deve ser comovente.
- Cascadura***- A banda baiana é mais uma das veteranas a subir o palco do Lolapalooza. Sempre com um bom show na manga, se Fábio e cia apostarem no verdadeiro Hits Collection que é o disco “Bogary”, será sucesso.
- Velhas Virgens** – Pode até ser divertido ver se você gosta daquele tipo de rock canalha.
- Garage Fuzz*** – Uma das mais importantes bandas da historia do hardcore brasileiro. Veterana, sempre faz bons shows.
- Killer on the Dancefloor** - Aposta de uma recente cena eletrônica. Não tem nada demais, mas pode surpreender.
– Kings of Swingers
- Black Drawing Chalks*** – Se eles não cantassem em inglês, talvez estivessem ocupando um espaço que está vago no rock nacional atual. Donos de um show pesado, sujo, guitarreiro e bom pra cacete. Vale sempre a pena.
- Suvaca
- Blubell** – Nome da nova MPB paulista, lançou um bom disco. Apontada pela critica como grande aposta, não é tanto assim, mas pode ser legal pra relaxar ouvindo seu som calcado em jazz e som vintage.
- Daniel Brandão
– Solange Sá – Piolhos
– Abigail Conta Mais de Mil
– Meg Monteiro e Banda Symbol
– Crianças Crionças – Cid Campos

 

***** - Imperdível, vá mesmo que você estiver morto de cansado

**** - Tem que ver, oportunidade rara de ver música da melhor qualidade

*** – Merece ser visto, mas caso o horário chocar com algo que levou as estrelas acima, tente ver um trecho

** – Aquele show legal. Vá se não tiver nada melhor no horário

* – Risco. Se estiver descansado, no pique, se já comeu, se a bebida estiver fácil e se não tem nada melhor pra fazer, vá, mas cuidado, pode ser pior do que uma ida ao banheiro.

Artistas e bandas sem estrelas são tão desconhecidas pelo el Cabong que não puderam ser avaliadas.


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Festival Eletronika vai acontecer em Salvador pela primeira vez

Salvador ganha no próximo mês de maio um braço de importante festival de música. O Eletronika será realizado nos dias 11 e 12 de maio, no Solar Boa Vista, reunindo alguns dos nomes estrangeiros que vêm ao Brasil para se apresentar no Festival Sonar, em São paulo, além de atrações nacionais. Ainda não foi divulgada oficialmente a programação final, mas alguns nomes já estão confirmados, como a do cantor alagoano Wado e do rapper paulista Emicida, que traz para Salvador pela primeira vez o projeto “Os Três Temoresâ€, no qual se apresenta com os rappers Projota e Rashid.

Estão confirmadas também apresentações de artistas internacionais, que ainda estão indefinidos, mas devem ser os desconhecidos Cut Chemist e James Pants. O primeiro é Lucas MacFadden, um DJ e produtor norte-americano. Ex-membro de dois relevantes grupos, o Jurassic 5, de rap underground e a banda de funk-latino Ozomatli, Cut Chemist é um daqueles DJs que vale a pena ver ao vivo. Considerado mestre na arte do turntablism, a manipulação e o uso dos toca-discos como um instrumento musical, ele também tem como diferencial a pesquisa musical, mesclando sons de diversas partes do mundo, como Colômbia, Etiópia, Sudão e até o Brasil. A experiência com a música brasileira aparece em sua música, seja em samples, em levadas de bossa-nova, nos vocais de Astrud Gilberto em uma música ou na parceria que realizou com os lendários bateristas Wilson das Neves, Ivan Conti e João Parahyba.

Também sem estar confirmado, o outro nome internacional que deve se apresentar no Eletronika é o de James Pants, multi-instrumentista, DJ e cantor norte-americano, que ao mesmo tempo toca bateria, teclados, guitarra e programações. Isso tudo para apresentar uma música que mistura soul, rap oitentista, electro-boogie, new wave e disco punk. As credenciais inclui um elogio de um dos rappers de maior destaque nos últimos anos, Tyler The Creator, que afirmou que considera Pants “uma das pessoas mais criativas que caminham pela Terraâ€.

Brasileiros
No lado brasileiro, o alagoano Wado está confirmadíssimo, devendo fazer um show com convidados especiais. Nomes como Chico César e Zeca Baleiro estavam sendo cogitados, mas o show pode contar com o paulista André Abujamra para dividir o palco no dia 11, que terá na programação mais duas outras atrações nacionais. No dia 12, além das duas atrações internacionais, o festival receberá o show de Emicida no projeto “Os Três Temoresâ€.

O projeto é inspirado no show “Os 3 Malandros In Concertâ€, que reuniu os sambistas Bezerra da Silva, Moreira da Silva e Dicró, em 1995, parodiando o show dos três tenores Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. Emicida, Projota e Rashid começaram juntos, participando de batalhas de freestyle. Agora eles voltam a se juntar neste projeto.

Tendo origem em Belo Horizonte, em 1999, o Festival Eletronika chega a Salvador depois de já ter também circulado em anos anteriores pelo Rio de Janeiro. O foco do festival é reunir nomes do universo musical para reflexões através de mesas e apresentações, com foco na música, mas também na vida contemporânea, através de arte, tecnologia, urbanismo e ecologia. A programação final do evento em Salvador deve ser divulgada esta semana. Os ingressos vão custar entre R$ 10 e R$ 20.

 


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Passado, futuro e presente da música em Salvador

Salvador acabou de completar 463 anos. Muito da importância de sua história está na cultura produzida por aqui. Minha sensação nessa segunda década do século 21 é que Salvador foi refundada culturalmente há uns cinco ou seis anos anos, talvez um pouco mais. Não necessariamente é fruto de uma mudança de Governo e da mentalidade política em voga, mas como sempre diz o colega Lucas Jerzy, é o contrário. A mudança política faz parte dessa mudança cultural. Nesse período começou a ressurgir uma chama criativa na cidade. Chama que não havia apagado totalmente, mas havia ficado escondida. Ainda não é totalmente visível a todos, mas já faz uma diferença perceptível para quem quiser, precisa apenas mexer um pouco o pescoço e mudar o ponto de vista.

Já começamos nesse período a colher diversos frutos criativos, com brotos crescendo por todos os lados. Artisticamente, no campo musical isso surge com uma nova geração de bandas e artistas (que começamos a identificar no especial novíssimos baianos pt. 1), que continua brotando ininterruptamente. Alguns destes nomes já ganharam um destaque maior, chamando atenção da mídia especializada, fazendo turnês pelo país ou até no exterior. Caso de nomes como Baiana System, Maglore, Márcia Castro, Vendo 147, Orkestra Rumpilezz, Vivendo do Ócio, Magary, entre outros. Pensem em 5 anos atrás, nenhum destes nomes sequer existia.

A consequência artística disso, logo, já é de certa forma visível. Pra se tornar algo consolidado demora mais tempo, porque necessita de uma resposta maior de público e essa resposta é mais complexa, precisa de mais fatores, é lenta, processual. A colheita é a longo prazo… Necessita que tudo seja irrigado continuamente. Ai talvez resida o maior problema, esse trato pra crescimento e consolidação de uma verdadeira horta e não de brotos esparsos necessita de contribuição de elos que hoje não contribuem. Pelo contrário, mídia, empresariado e poder público na maior parte das vezes não percebe, sequer enxerga essa outra realidade.

Importante que se lembre como Recife – sempre citado como comparativo a Salvador e que é realmente uma referência por diversos motivos – era há 20 anos. Considerado um lugar desigual, pobre e morto artisticamente, sede da quarta pior qualidade de vida do país e com uma cultura ofuscada e tímida. Em poucos anos se reergueu, com valorização de seus próprios valores e culturas e, ao mesmo tempo, com um olhar aberto para fora. Sem preconceitos para nenhum dos lados, se assumindo e aprendendo a se reconfigurar. Chico Science, Fred 04, Siba, Renato L., Paulo André, caras que vislumbravam uma nova Recife e conseguiram refundar a cidade e o estado. Entre altos e baixos, vários percalços, um crescimento cultural, uma visão própria de seu valor. Hoje continua produzindo e colhendo muito. Ter 20 anos de um festival como o Abril Pro Rock é causa e efeito, ter nomes consolidados entre os principais da música brasileira contemporânea é causa e efeito disso, ter diversos nomes internacionais se apresentando na cidade, inclusive Paul McCartney, é efeito. Belos exemplos de uma cidade diferente de Salvador, mas com várias semelhanças.

A Bahia e Salvador já passaram pelo seu fundo do poço. Ainda possuem uma cultura própria riquíssima, diversa e valorizada. Precisam continuar andando pra frente, se desenvolvendo e abrir mais seus olhos para o outro, o diferente. Não pra uma subcultura do que já faz. Não para monoculturas, algo que durou, foi combatido, mas já está, de certa forma, superado. É preciso se abrir, se permitir ao outro, ao novo, ao diferente. Olhar pra frente, mas perceber que qualquer evolução é processual. É feita de conquistas, de passos pra frente, mas também de concessões e de regressões, o tempo todo, para uma evolução permanente. Minha sensação é que estamos nesse caminho, facilmente perceptível às vezes, invisível em outras. Uma evolução que só vai ser sentida de fato com mais tempo e pelos mais pacientes.

Uma forma de perceber isso é olhar em perspectiva. Enxergar pra trás, perceber como Salvador e a Bahia eram há cinco, dez ou quinze anos atrás em diversos sentidos. Espaços para tocar, bandas e artistas ganhando maior dimensão, existência de festivais e eventos, música no interior do estado, público circulante e até shows internacionais. Estamos apenas no meio do processo, muitos passos distantes do fim. Sem saudosismo ou desprezos, ao novo ou ao velho, mas tentando perceber as mudanças, as deficiências e o que somos de fato. Um deslocamento de ponto de vista, um olhar mais democrático e, principalmente, maior autoestima permite uma análise menos complexada, afinal somos mesmo vira-latas, mas isso talvez seja nossa maior qualidade.


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De malas prontas, vocalista da Maglore fala sobre mudança da banda para São Paulo

Uma das boas revelações da música baiana nos últimos anos, a banda Maglore está de malas prontas para São Paulo. Inicialmente para passar seis meses, o grupo parte no próximo dia 22 em busca de novos desafios. A banda já tem shows marcados por aqueles lados, mas antes faz show de despedida, no dia 18 de março, no Portela Café. Depois da mudança alguns shows já estão certos: dia 28 de março, no Rio; dia 3 no Studio Sp, em Sampa, além de apresentações em abril, maio e junho, que deve incluir cidades do interior de Sâo Paulo, além de Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Para contar sobre os planos dessa mudança e os próximos passos da banda, o el Cabong bateu um papo com Teago Oliveira, vocalista, guitarrista e principal compositor do grupo.


- Acha que ainda é necessário sair daqui?- Primeiro gostaria que contasse como surgiu a decisão de partir pra São Paulo?
Teago Oliveira: Na verdade não estamos partindo em definitivo, vamos passar 6 meses lá porque queremos centralizar mais a rota do Sudeste e passar pela experiência de morar com toda a banda, receber bandas amigas, trazer bandas da Bahia pra São Paulo, enfim, interagir mais com a cultura paulista.

- Acha que ainda é necessário sair daqui?
Teago: Existem várias hipóteses em que se deve sair de Salvador, não por culpa da cidade. Salvador nos fez reverberar em boa parte do país, graças ao público daqui a gente conseguiu destaques em importantes mídias do Sudeste e do resto do país. Estamos saindo porque queremos viver mais coisas novas, coisas diferentes, respirar outros ares também. É lógico que aqui o mercado é bem menor, mas nós conseguimos fazer daqui nosso próprio mercado, nos orgulhamos muito disso, mas é como disse, tá na hora de viajar por mais tempo do que apenas sair pra fazer turnê e voltar, tá na hora de viver outras coisas, já.

- E essas coisas que planejam vivenciar inclui fazer mais shows, circular na região, aparecer na midia? O que exatamente?
Teago: A gente tá indo viver. Não tem nada planejado não, deu na telha de ir passar um tempo fora, fazer menos show. Conhecer gente de lá, morar junto, tocar todo dia, organizar a casa, acho que não vamos fazer mais nem menos, talvez no início menos shows, porque é a fase de se adaptar, mas não dá pra prever. A gente quer viver de música, mas também queremos evoluir com isso, somos uma das bandas independentes que mais fizeram show no ano passado, foram mais de 90. É cansativo, mas prazeroso, esse ano talvez façamos mais ou menos, a depender de como vai ser o próximo disco, como a energia nova vai influenciar nos processos! Aí provavelmente a gente toque em salvador de 3 em 3 meses, ou de 4 em 4 meses. Aí fim do ano a gente volta pra Salvador, se der na telha de ficar a gente fica, se rolar de ir pro Sul a gente se muda, se não rolar e tiver que voltar pra salvador, a gente volta. Aqui não tá ruim, não!

- Vocês têm circulado bastante. Como tem sido a receptividade ao som de vocês? O que acham que precisam agora pra dar um salto?
Teago: Rapaz, a receptividade nas três cidades que mais tocamos é quase a mesma, com mais força em Belo Horizonte. Está naquela fase inicial de um ano de banda em Salvador, o público bem participativo nos shows, a galera ficando amiga e mais próxima da gente. Tá muito massa o nosso publico em Bh, no Rio e em Sampa. Quanto a esse lance de salto é um pouco complicado, a gente sabe que o tempo que a gente vive é outro. Não tem tanta pressa pra salto não, é melhor você andar e construir algo bom pra você do que tentar saltar e depois cair. Eu acho que independente do salto a gente tem que trabalhar, lógico, encarar a atividade como algo estritamente profissional, mas antes disso tudo vem o compromisso com a música e a diversão de se trabalhar no que se ama. A gente curte muito tocar e criar coisa nova, a todo momento a gente brinca com novas estéticas musicais, estamos numa fase de experimentar mais coisas. O primeiro disco foi um susto, a gente apenas gravou umas músicas sem muita ideia estética e funcionou numa velocidade muito grande pra gente. Acredito que agora, tanto no palco como dentro do estúdio, a gente tá mais seguro do que que a gente é.



- E o disco novo? Como fica com essas mudanças? Vão gravar lá mesmo?
Teago: O disco ainda é uma incerteza. Minha vontade é gravar em Minas, com o pessoal do Transmissor produzindo, mas fico dividido entre gravar aqui também, com Solovera, andré T (N.R. responsável por discos de Pitty e Cascadura) ou Tadeu (Mascarenhas) (N.R.). Falando em Tadeu, ele gravou nossa versão de ‘O Velho e o Moço’, pro projeto da Musicoteca (tributo ao Los Hermanos). Ele tá na mesma “vibe” que a gente, a gravação foi totalmente aberta, se errar errou, a energia foi ótima, a gente gostou demais de gravar essa música, eu fiquei muito orgulhoso da versão, ficou bem próximo do que queríamos.

- E entre essas mudanças e essa ideia estética mais consolidada, o que dá pra adiantar do novo disco?
Teago: A gente é essencialmente uma banda de música popular, na verdade a gente faz musica brasileira, dá pra correr disso não. Às vezes uma influência pra bossa, pra ijexá, surge, às vezes a gente fica mais rock. Na real esse CD vai mostrar de novo nossas influências, só que sob uma nova perspectiva, outros temas vão surgir. É bem diferente gravar agora do que gravar com 5/ 6 meses de banda, onde você ainda está pensando em repertório de show. O disco vai ser música brasileira, mas como temos uma formação de banda de rock (duas guitarras, teclado, baixo e batera) as coisas vão se misturar, pode sair mais rock ou menos rock do que o Veroz (primeiro disco da banda, lançado em 2011).

- Parece que as bandas de rock de Salvador estão olhando mais pra a realidade em volta e mostrando isso no som ou nas letras, isso serve pra vocês também?
Teago: Eu acho que composição é um conjunto de vários fatores: momento, inspiração. No caso da gente, os temas são variados, a gente circula muito fora, vê muita coisa acontecendo. Gosto de falar às vezes sobre política, mas não gosto de fazer música de protesto, então faço com um pouco mais de lirismo. Pedro pondé é mais eficiente em ir direto ao protesto, eu sigo outra linha. Às vezes falando da gente, de quem a gente ama ou da nossa cidade, a gente também está falando de um monte de outras coisas. Eu não sei dizer se a gente fala só do próprio umbigo, sei te dizer que nosso EP de 2009 claramente falava de um relacionamento.

 

 


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Os encontros marcantes da música brasileira em 2011

Como falamos no texto sobre os encontros internacionais, são os shows hoje quem tem concentrado alguns dos melhores momentos da música. Na produção brasileira não poderia ser diferente os encontros marcantes aconteceram muito mais em cima dos palcos,  em festivais ou projetos. Alguns encontros já haviam acontecido, apenas consolidação de parcerias, outros surgiram através de discos, outros saíram da cabeça de produtores. Alguns foram inéditos e criaram parcerias inesperadas, mas sensacionais. Boa parte destes encontros vai marcar 2011 e talvez a carreira de alguns dos artistas. Vamos relembrar alguns destes encontros marcantes na música brasileira em 2011.

Um dos destes encontros aconteceu repetidas vezes e reuniu duas das reveções da música brasileira em 2010. Marcelo Jeneci e Tulipa chamaram atenção por seus discos e em 2011 rodaram o país e muitas vezes dividiram o mesmo palco. São Paulo, Recife, Salvador e outras cidades viram este encontro, relembre como foi. Aqui eles cantam ‘Dia a Dia, Lado a Lado’ em um show em São Paulo.

Outro daqueles encontros imperdíveis reuniu um dos maiores compositroes contemporâneos de nossa música com uma das novas cantoras mais importantes. Num show de Marcelo Camelo no Sesc Pompéia, em São Paulo, ele intimou Vanessa da Mata a cantar, mesmo ela estando ali apenas como público, Combinado ou não, ela subiu ao palco e fez com ele uma versão de ‘Samba a Dois”, música presente no disco ‘Ventura’ do Los Hermanos.

Marcelo Camelo também apareceu como convidado. No show de lançamento do novo disco de Wado, no Sesc Belenzinho, em São Paulo, eles dividiram o palco em três músicas, ‘Pavão Macaco’ (de Wado), ‘Copacabana’ (de Camelo) e ‘Com a Ponta dos Dedos’. Esta última é inclusive a música que Camelo participa como convidado no novo álbum de Wado, ‘Samba 808′.

Não foi só em São Paulo que rolaram estes encontros marcantes. Em Salvador, por exemplo, aconteceram alguns. Um deles foi a participação de Ronei Jorge no show do Cérebro Eletrônico no Festival Lado BA cantando ‘Bem mais Bin que Bush’. Ainda no festival, rolou a retribuição, com Tatá Aeroplano, do Cérebro, cantando ‘Nega’ no show de Ronei Jorge.

Em Belém, um encontro de dois nomes que vêm chamando atenção, a banda Móveis Coloniais de Acaju e a cantora Gaby Amarantos. Eles se encontraram no projeto Rotas Musicais e tocaram ‘Xirley’ hit de Amarantos, que ficou ainda melhor com o charme dos sopros e o clima da Móveis. Poderia rolar mais vezes assim:

No Festival Rec Beat, no Recife, em pleno Carnaval, um encontro interessante entre duas cantoras. Thalma de Freitas também recebeu em seu show a cantora Gaby Amarantos. Pena que a gravação esteja ruim.

No Conexão Vivo, em Salvador, um encontro marcante entre algumas de nossas melhores cantoras. Márcia Castro, Mariana Aydar, Mayra Andrade e Mariella Santiago mandaram muito bem a bela ‘Canto Das Três Raças’ de Clara Nunes.

Um dos encontros com maior talentos por metro quadrado foi o show da banda Macaco Bong no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo. O grupo reuniu no mesmo palco Victor Araújo, no piano; Siba, na rabeca; Guizado, no trompete; Jack (do Porcas Borboletas), na percussão; DJ Nyaki, nas pick-ups e Emicida, nos vocais.

Talvez o encontro mais marcante do ano tenha sido o que juntou duas gerações da música cearense. Dois monstros da nossa música, Fagner e o Cidadão Instigado de Fernando Catatau estiveram juntos num show que reuniu os clássicos do veterano cantor com as preciosidade do mais novo, um participando das obras do outro e dando um valor ainda maior a elas.

O Cidadão Instigado teve outros encontros memoráveis. Com Odair José, o grupo atualizou e deu uma cara própria à música de um dos mestres da chamada música brega, ‘ Mundo Feito de Saudade’. Uma música que poderia estar no repertório do grupo cearense e um encontro que mostra de onde veio muito do som que eles fazem.

No Teatro Rival, no Rio de Janeiro, o Cidadão Instigado recebeu Dado Villa Lobos. Juntos tocaram duas músicas célebres do Legião Urbana, ‘Andrea Doria’ e ‘Tempo Perdido’, com o jeito Catatau fazendo toda diferença.

Outro encontro de gente grande foi do Autoramas com B-Negão. Veteranos da cena carioca, eles juntaram as forças e fizeram alguns poucos e memoráveis shows juntos. No repertório músicas das carreiras de cada um, além de hits do Planet Hemp e sucesso imortais de várias épocas. Poucos lugares tiveram a honra de receber este show, um dos poucos foi a cidade baiana de Vitória da Conquista.

Um dos nomes que surgiram com destaque em 2011, o cantor Filipe Catto, recebeu a cantora Marcia Castro em alguns de seus shows. Aqui eles cantam ‘Roupa do Corpo’, do próprio Catto, em show de lançamento de seu CD, ‘Folêgo’, no Auditório Ibirapuera.

Alguns festivais também promoveram encontros memoráveis. Foi o caso do Rock in Rio que no palco secundário, batizado como Sunset, recebeu vários artistas reunidos em shows conjuntos. Teve de Tom Zé e Mutantes, a Tulipa e Nação Zumbi e Cidadão Instigado e Jupiter Nação. Nem todos deram tão certo, mas pelo menos dois merecem menção: o encontro do Móveis Coloniais de Acaju com a Orkestra Rumpilezz e Mariana Aydar e Sepultura com o Tambours du Bronx e participação de Mike Patton numa versão sensacional de ‘Roots Bloody Roots’

O Rap foi um dos destaques de 2011 e também não poderia de deixar de reunir alguns de seus nomes ilustres no ano. Criolo e Emicida estiveram por palcos diversos, sozinhos, recebendo convidados ou participando de shows de outros artistas. Um dos momentos mais marcantes disso foi no palco do VMB, prêmio da MTV. Nele, Criolo cantou seu hit, e uma das melhores músicas de 2011, ‘Não Existe Amor em SP’, ao lado do sempre presente Caetano Veloso. Ficou bonito.

Criolo também dividiu o palco com a Orquestra Imperial, num show especial dentro do Festival Telefonica Sonidos, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

No Urban Music Festival, em São Paulo, Emicida, Instituto e Criolo mandaram ‘Cerol’ com uma participação especial do público.

E que tal Lurdez da Luz cantando seu principal hit, ‘Andei’, ao lado das cantoras Luisa Maita e Mariana Aydar no Studio SP, em São Paulo?

E teve encontro até no Japão, não bem de dois artistas brasileiros, mas, de toda forma, de música brasileira. Moreno Veloso fez, em Osaka, Japão, uma participação em show da banda japonesa os Novos Naniwanos, que faz releituras de músicas de Armandinho, Dodô & Osmar e dos Novos Bainaos. Entre outras músicas eles tocaram juntos ‘Frevo Novo’ . Só a dancinha já vale o vídeo.

Mundo Feito de Saudade


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Os encontros marcantes da música internacional em 2011

Com essa história das apresentações ao vivo ganharem ainda mais importância, artistas e bandas estão caprichando mais e tentando tornar os shows em eventos cada vez mais especiais e marcantes. Um dos caminhos é receber convidados especiais, algo que este ano provocou encontros memoráveis. Vamos relembrar alguns destes encontros.

Pra começar, uma versão sensacional de ‘Thunder On The Mountain’. música de Bob Dylan que ganhou essa versão endiabrada da veterana Wanda Jackson, com participação pra lá de especial de Jack White, do White Stripes. A música faz parte do disco ‘The Party Ain’t Over’, lançado em 2010,  e que trouxe de volta para os holofotes a primeira dama do rockabilly. White não só toca guitarra, como também é o homem por trás da produção do álbum, deixando sua marca no disco e sendo o grande o responsável por retomar a carreira deste ícone.

Era mais um show do Arcade Fire e quem sobe ao palco? Foi isso mesmo, um encontro inusitado da banda indie cabeçuda Arcade Fire com a cantora pop 80′s Cindy Lauper. Eles estiveram juntos no palco do Jazzfest 2011, festival que tem sua curadoria encabeçada pelo Wilco, em New Orleans, no começo de maio, e tocaram nada menos que o clássico ‘Girls Just Wanna Have Fun’.

No Madison Square Garden, Cee-lo era o responsável por abrir o show de Prince, eis que de repente ele mesmo, vestido dos pés a cabeça de rosa, o pequeno mestre de Cee-Lo sobe ao palco para desfilar seus solos de guitarra na já clássica ‘Crazy’, do Gnarls Barkley. Uma das melhores músicas dos anos 00.

Em abril, em Seattle, um show de Mike Watt & The Missingmen que deveria ser uma apresentação para fãs do baixista se tranmsformou em um encontro histórico. Durante o bis, subiram ao palco ninguém menos do que Dave Grohl, Pat Smear e Eddie Vedder. Parte da história do grunge e da história recente do rock reunida num mesmo palco para tocar durante dez minutos a música ‘Big Train’. Recapitulando, simplesmente estavam reunidos no palcoMike Watt (fundador da The Minutemen), no baixo e cantando; Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters), relembrando os tempos de Nirvana na bateria; Pat Smear (que tocou no The Germs e no Nirvana e integra o Foo Fighters), em uma guitarra; e Eddie Vedder (Pearl Jam), em outra guitarra e nos backings. Raro e histórico.


Seattle, 27 April 2011.

Dave Grohl não está ai por acaso. Considerado um dos caras mais bacanas e bem relacionados do rock, ele já havia recebido em seus shows gente do porte de  Jimmy Page e John Paul Jones do Led Zepellin (em Londres, em 2008),  Geddy Lee e Alex Lifeson do Rush (em Toronto, também em 2008), tocou guitarra (‘Band on the Run’) e bateria (‘Back In The U.S.S.R. ’) num show de Paul MacCartney (mais uma vez em 2008) e em 2010 na Casa Branca, além de tantas outras apresentações dividindo palco com ícones do rock mundial. Em 2011 não poderia ser diferente. Grohl recebeu diversos convidados nos shows do Foo Fighters mundo afora.

Após lançar o último disco, Ghrol e os Fighters caíram na estrada, realizando shows em conjunto com o Motörhead nos Estados Unidos. Durante um desses shows, mais precisamente em Little Rock, no Arkansas, o vocalista do Motörhead, Lemmy Kilmister, se juntou aos Foo Fighters para tocar a música ’Shake Your Blood’, do projeto paralelo de Grohl, o Probot. Para quem não lembra, o projeto rolou em 2003/ 2004, quando Dave Grohl reuniu grandes nomes do metal, como o próprio Lemmy (Motörhead), além de Max Cavalera (Sepultura, Soulfly), Cronos (Venom), entre outros.

Em julho, Dave Grohl recebeu o outras figuras marcantes do rock mundial num só show no Milton Keynes Bowl, na Inglaterra: o baterista do Queen, Roger Taylor, que assumiu as baquetas para tocar ‘Cold Day In The Sun’; em seguida foi a vez de Bob Mould, lendário vocalista do Husker Dü e Sugar, que já havia gravado vocais e guitarra na música ‘Dear Rosemary’, do último disco do FFs; para finalizar outra lenda do rock, ninguém menos que Alice Cooper, subiu ao palco para tocar “School’s Out†e “I’m Eighteenâ€.

Mas estes encontros marcantes, nem sempre são necessariamente memoráveis.  Além do Foo Fighters, Alice Cooper também andou frequentando outros ambientes. O cantor, que já havia revelado que admirava Lady Gaga e Shakira, fez uma participação especial surpresa em um show da aposta de nova musa pop, Ke$ha, em Oslo, na Noruega. Eles cantaram “School’s Outâ€, um dos maiores hits da carreira dele na década de 70. Eles chegaram a trocar agradecimentos pelo twitter e ela o chamou de “pai”, o que não deixa de ter sentido se formos levar em conta a inspiração no lado performático do veterano roqueiro.

Um encontro de duas bandas inglesas legais da atualidade homenageando um dos grandes nomes do rock em todos os tempos com uma cover de um clássico absoluto. Foi isso quando o Noah and the Whale se encontrou com o do The Vaccines em uma jam para a rádio australiana Triple J para cantar ‘Where Is My Mind’, do Pixies.

No finalzinho do ano, mais um daqueles encontros memoráveis. O Wilco recebeu um ícone de R&B, Mavis Staples, vocalista do ‘The Staple Singers’, grupo de cantores de gospel, soul e r&b dos anos 50,60 e 70, e Nick Lowe, veterano cantor e compositor inglês. Juntos e num astral elevadíssimo eles tocaram ‘The Weight’, clássica canção da The Band.


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