Documentários que você só vai ver na web

Começamos mais uma série especial. Dessa vez apresentando filmes e documentários sobre música perdidos na web ou que você dificilmente verá em outro lugar. Pra dar início, trouxemos uma das produções mais polêmicas e esclarecedoras dos últimos anos, o filme “MPB: A história que o Brasil não conhece”, que revela o estado da música brasileira e os reais motivos dela se encontrar do modo que conhecemos hoje. O filme conta com participações especiais de Iggor Cavalera, Jair Oliveira, Wilson Simoninha, Afonso Nigro, Beto Jamaica, Sergio Mallandro, Reinaldo, entre outros. É ao mesmo tempo estarrecedor e esclarecedor.

MPB: A história que o Brasil não conhece
Baseado em um livro polêmico que conta que a partir dos anos 40, a música brasileira começou a impressionar o mundo pelo seu potencial. Os sucessos de Ari Barroso, Carmem Miranda e Tom Jobim deixaram as corporações artísticas espantadas e com medo do Brasil dominar o mundo. A partir daí, foi criada uma corporação secreta com um único objetivo: destruir a música brasileira.

Diretor: André Moraes
Roteiro: André Moraes, Luciano Santanna


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Novos clipes baianos

Mostrando a diversidade da música feita na Bahia, a sequência de clipes deste mês traz alguns artistas relativamente novos, boa parte trabalhando seus primeiros discos. Tem o rap da Opanijé, que está pra lançar o primeiro disco, o samba de Juliana Ribeiro, o neo axé da Suinga, também próximo de lançar seu disco de estreia, o trabalho meio pop meio erudito de Dimazz, o blues Eric Assmar Trio, entre alguns outros. Além de dois nomes baianos consagrados, mas que residem fora do estado, Agridoce, projeto paralelo de Pitty, e Caetano Veloso. Confira

Opanijé – Se Diz

Roteiro – Opanijé
Direção, Fotografia e Montagem – Chico Soares
Assistente de Direção – Marcio Ricardo

Juliana Ribeiro – Lição de Vida

Direção: Jon Lewis

Suinga – Gira

Imagens: Azevedo Lobo, Gabriel Lima e Nathalia Miranda
Edição e Finalização: Gabriel Lima

Agridoce – Ne Parle Pas

Direção: Arthur Farias
Com: Brisa Rodrigues e Raphaela de Paula

Caetano Veloso – A Bossa Nova É Foda

Dimazz – Um Mundo Bem Melhor

Direção: Wes Sacramento
Direção de fotografia: Azevedo Lobo

Eric Assmar Trio – Ao Avesso

Produção, direção e edição: Henrique Duarte
Assistente de direção: Natália Reis

DaGanja – Familia em Primeiro Lugar

Direção: Max Gaggino

Oro mimá – Bantos

Badaró Jambrass – Lá na beira do Mar

Edição: Tiago Amorim em parceria com ITAL Filmes

Nouve – Doutrinado Guerreiro

Os Infames – Efeito Colateral

Hibridoz – Penochao

RBF – Baixa do Reggae

Direção e Edição: Martin Fox Douglas
Filmagens: Diogo Nonato, Maira Crisitina e Martin Fox Douglas
Fotografia: Sora Maia

Vitrola Azul – Talvez (Ao Vivo)

Direção, Produção e Edição: Moringa Design


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A nova música baiana em ares internacionais

A música baiana contemporânea, atual, com referências diversas, rica e desconhecida da maioria vem ganhando espaço. Se ainda passa longe das rádios, por exemplo, no exterior ela começa a chamar atenção. É o que mostra os diversos shows que alguns dos artistas deste cenário off carnaval mainstream vão realizar no exterior nos próximas meses.

Algumas desses artistas vão participar de alguns dos principais festivais do mundo. É o caso do Baiana System, que volta a Ãsia para fazer parte da programação do Fuji Festival. Gigante festival japonês, que acontece de 26 a 28 de julho, reunirá só na edição deste ano nomes como The Cure, Nine Inch Nails, Mumford & Sons, entre vários outros. O grupo baiano toca em dois dias, um no palco menor, para 300 pessoas, e outro num 2 mil pessoas. Esse último como uma das atrações nos palcos que recebem nomes como Björk, Jurassic 5, Suzanne Vega, Foals, Coheed and Cambria, Aimee Mann, entre outros.

Aproveitando a viagem, o Baiana deve fazer ainda outra apresentação no Japão, só que em Tóquio, além de mostrar sua mistura de guitarra baiana, com música africana, dub, rap e eletrônica em países da Europa, que ainda estão sendo fechados. O grupo vem desde 2011 fazendo shows internacionais, já tendo se apresentado em países como Dinamarca, França, China e Rússia.

O cantor Magary e o bloco afro Malê de Balê também vão representar a Bahia e o Brasil num dos festivais mais interessantes do planeta, só que nos Estados Unidos. Eles estarão ao lado de nomes como Fleetwood Mac, Earth, Wind & Fire, Willie Nelson, Frank Ocean, Billy Joel, Patti Smith, Dave Matthews Band, Maroon 5, The Black Keys, John Mayer, B.B. King, George Benson, Gipsy Kings, Ben Harper, entre outros, no The New Orleans Jazz and Heritage Festival, que acontece de 26 de abril a 5 de maio na cidade de New Orleans. Com grandes proporções, o festival recebe cerca de 400 artistas de vários lugares do mundo espalhados em seus 12 palcos, tendo foco também em apresentações nas ruas. Magary se apresenta nos dias 27 e 28 de abril, neste dia no mesmo palco de Juan Luis Guerra e do Earth Wind Fire. O Malê se apresenta nos dia 3 e 4 de maio, no primeiro dia no mesmo palco de Jimmy Cliff.

Fruto de uma parceria entre o British Underground com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e a Fundação Cultural, dois grupos baianos do interior do estado vão mostrar sua música na Inglaterra em maio. O grupo de rap OQuadro, de Ilhéus, e Os Nelsons, de Paulo Afonso, que mescla ritmos baianos e dub, vão participar do Bass Culture Clash, projeto que não só levará os grupos para Europa, como promove um intercâmbio cultural entre a Bahia e Londres.

As atividades envolvem shows e workshops nas cidades de Salvador, Ilhéus e Londres, no período de 10 a 18 de maio. OQuadro (leia entrevista com a banda) e Os Nelsons se apresentam em Londres nos dias 16, no The Roundhouse, e 18, no Movimientos, Notting Hill Arts Club, e em Brighton, no Komedia, The Great Escape, no dia 17. Os shows terão ainda a participação dos artistas ingleses The Heatwave, MC Lady Chann e Natty, que também se apresentarão em Salvador e Ilhéus. As duas bandas baianas se destacaram na Europa pela participação na coletânea Brazilian Bass Culture & Beyond, lançada no estande do Brasil Music Exchange,  em parceria com Bahia Music Export na Womex da Grécia, em 2012.

Outro projeto que está levando artistas baianos para Europa é o Ano do Brasil em Portugal. Com vários artistas de todo país, a programação musical brasileira com com representantes  baianos focados especialmente em samba de roda e ritmos do Recôncavo baiano e inclui Roberto Mendes, Mariene de Castro, J. Veloso, Raimundo Sodré e Banda de Pífanos de Bendegó. As apresentações serão durante o mês de maio, em Lisboa. Mariene é uma das que vai aproveitar a viagem para outras apresentações. A baiana vai levar seu samba para Lisboa no dia 3 de maio e no dia 5 se apresenta em Porto, dentro do projeto Novas Vozes.

Quem anunciou turnê pela Europa foi Lívia Mattos. Cantora e sanfoneira, ela vai mostrar a mistura que faz em quatro países. Serão ao todo oito shows, começando dia 19 de maio em Berlim, Alemanha, passando ainda pela França, onde faz três shows, Irlanda e Inglaterra, em Londres, onde também se apresenta três vezes.

No segundo semestre quem vai mostrar sua música no Velo Continente é a Orkestra Rumpilezz. Depois de dois anos, o grupo volta a Europa, agora com apresentações previstas para casas de Jazz na Ãustria, França e Suíça.


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A volta de Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta?

Já são quase três anos do anúncio de pausa. Nesse tempo, muita gente vinha pedindo a volta da banda ou pelo um show de retorno. Nessa quarta-feira (25), surgiram fotos na internet onde Ronei Jorge, Sérgio Kopinski, Edson Rosa e Maurício Pedrão aparecem ensaiando em um estúdio de Salvador. E é verdade, Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta resolveram voltar a ensaiar. Mais do que isso, um show deve acontecer nos próximos meses, com a banda tocando músicas dos dois discos lançados ‘Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta’ (2005) e ‘Frascos Comprimidos Compressas’ (2009).

Por enquanto, os quatro músicos preferem não falar muito, apenas dizem que o ensaio está fluindo e eles estão se divertindo e passando as músicas dos dois discos que lançaram. A ideia não deve ser uma volta definitiva, mas pelo menos um show deve acontecer. Enquanto os fãs aguardam, os quatro tocam seus projetos. Ronei, depois de uma carreira sem banda, está envolvido em alguns novos projetos, um deles com o próprio Edson Rosa, ainda sem nome. Sérgio e Pedrão continuam tocando juntos na banda Cinnamon. Agora é aguardar um anúncio oficial do retorno dos Ladrões no ano em que a banda comemora dez anos de formada.

Leia também:
Entrevista com Ronei Jorge


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Entrevista: O Quadro


Quem acompanhava a música baiana já tinha ouvido falar, mas pouco conhecia do grupo O Quadro. Formado em Ilhéus há mais de uma década, o grupo não tinha um registro oficial lançado, apenas músicas soltas. Finalmente em 2012, O Quadro lançou seu primeiro disco, homônimo, reunindo uma parte de músicas do início da formação e outras mais recentes. A formação, não tão comum para um grupo de rap, traz Rodrigo Dalua, na guitarra e synth, Victor Santana, na bateria, Jahgga, na percussão, Ricô, no baixo e efeitos e Jef, Freeza e Rans nos vocais. Foi com os três MCs, que o el Cabong conversou logo após o show no festival Stereo Sul, em Itacaré, a segunda casa da banda. A banda prepara agora seu primeiro clipe, da música “Evolui”, e programa shows em Salvador e Vitória da Conquista para os próximos meses. Agenda ainda tímida para o surpreendente disco de estreia, mas que já rende bons frutos. Além de elogios, o baixista Rico está no Rio, gravando o novo projeto de Yuka (ainda ex-Rappa, para os menos sintonizados), ao lado de nomes como Pupilo, João Barone na bateria, Cibelle e Seu Jorge. Nada mal.

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O QUADRO El Cabong: Queria que vocês começassem falando da trajetória de vocês. A banda tem 11 anos, não é?

O Quadro: Mais, 16, quase. A gente começou a escrever, eu, Jeferson, quando a gente se conheceu, em 1994. Juntos, já tínhamos essa questão de escrever, fazer rima. Participamos de um Festival de Talento da Escola Pública, em 1996, e demos o primeiro passo para essa idealização de uma banda, né. Na formação original, naquela apresentação, tínhamos um baterista, que era baixista e o percussionista, que era percussionista, eu e Jeferson. Aí depois fomos agregando outros valores, Frizza veio de Ipiaú, uma cidade perto daqui e, entre o final de 2001 e início de 2002, nós consolidamos essa formação, e estamos aí até hoje.

 

El Cabong: E como se deu essa coisa de não ser uma banda tradicional de rap?

O Quadro: Na verdade, por improviso, mesmo, por carência tecnológica. A gente não tinha acesso aos equipamentos que normalmente o rap tem, não tinha acesso a toca disco MKII, não tinha mixer, não tinha MPC, não tinha computador. O que a gente tinha, eram os instrumentos que os amigos tinham. Porque tinha essa coisa da cultura da música. Na Bahia, ao menos em Ilheus, tinha essa coisa assim: que quem não curte axé, arrocha, pagode, forró, acaba se encontrando. Então é o roqueiro que se encontra com o regueiro, acaba se identificando por estar à margem. Então a gente acabou utilizando os instrumentos orgânicos. É comum ir em uma loja de eletrodoméstico na Bahia e encontrar um violão e uma guitarra sendo vendidos, ou um tecladinho. Então pra gente foi assim. Não foi como “Ah, vamos organizar uma banda de rap que seja orgânicaâ€. Foi falta de opção, mesmo. Carência tecnológica, questão de necessidade mesmo. Quer queira, quer não, a gente tem aqui na Bahia uma das maiores indústrias da música brasileira, o Axé Music é isso. Com isso, você pode encontrar um pandeiro numa mercearia, um timbau em um armarinho. Você tem acesso aos instrumentos, a um bom preço, ainda que necessariamente não sejam de boa qualidade.

El Cabong: Em Salvador a gente tem muito claro essa força axé. Queria que vocês me falassem como funciona isso aqui, como é enfrentar isso?

O Quadro: Salvador é a capital e o interior reflete o que vem de lá. As merdas e as coisas boas. Então aqui é uma sucursal da grande indústria do axé. Candeias oferece Silvano Salles e Pablo, eles tocam aqui com status de popstar, meu pai. Então, o que vem de lá, reverbera aqui, mais amplificado ainda, então, se lá é difícil, aqui é mais ainda. Porque bater de frente com essas coisas que vem de fora, com o know how da capital, de Salvador, é mais difícil, as pessoas tem mais resistência, mesmo. Aliado a isso, tem o movimento do arrocha, que é muito surpreendente. Eu venho de um distrito chamado Banco Central, onde o axé music não toca. Só toca arrocha, nem pagode toca mais lá. Não existe mais axé music pro povo, isso se tornou coisa de classe média. O povo é o arrocha e o pagodão e, no interior, o arrocha é ainda mais forte.

El Cabong: E essa dificuldade, essa demora de lançar o primeiro disco, foi por causa disso? Como foi esse processo?

O Quadro: Rapaz, primeiro que a gente é lento, também, a real é essa, a gente é devagar. Porque primeiro a gente fazia um som, numa coisa de amigos fazendo um som, leve. Depois a gente começou a levar à sério, foi quando percebemos que não conseguiríamos viver sem isso. Pensar a possibilidade de trabalhar e pagar as contas com isso soava perfeito. Só que fazer rap, em qualquer lugar do Brasil, já é difícil, existe poucos artistas de rap no mainstream. Fazer rap, no interior da Bahia, é ainda mais foda, sacou? Mas é isso, é difícil em qualquer lugar do mundo, fazer uma música como arte, com cara própria, uma música original. É difícil aqui, é difícil em Nova York, é difícil na Nigéria.

El Cabong: Eu queria que vocês me falassem como foi o processo do disco, a concepção, a composição…

O Quadro: A questão é a seguinte, nós tínhamos já algumas experiências em estúdios na universidade (UESC) e em estúdios caseiros. A gente tinha plena consciência de que aquilo que a gente tinha gravado não reproduzia com fidedignidade aquilo que a gente era, que a gente queria apresentar como produto e aquilo que a gente gosta de ouvir. Então foi necessário criar outras vias de acesso a recursos, através de editais de incentivo à cultura. Tivemos a oportunidade de gravar em um estúdio de verdade, com qualidade boa, produtores e masterizadores bons.

El Cabong: A as músicas? Como o processo criativo?

O Quadro: Foram 15 anos de gestação. Temos músicas que criamos desde o começo da banda no álbum, mas não exatamente como eram no começo, algumas, até mesmo no momento da gravação, sofreram alguma mudança. Em uma gestação de 15 anos, cada mês é importante, certo?

El Cabong: E essa influência de outros sons? Dá para notar que o rap de vocês é bem diferente do padrão, tanto da gringa, quanto do Brasil.

O Quadro: Vou te falar, eu sou um cara 100% hip hop, e é justamente por isso, que eu me sinto na obrigação de conhecer tudo, escutar tudo. O rap é feito de sampler, em sua raiz, e quando você faz uma música de sampler, você tem que conhecer uma infinidade de músicas, ampliar as possibilidades. Por exemplo, da cultura hip hop, uma das primeiras coisas que eu escutei foi “Planet Rockâ€, do Afrika Bambaataa. Essa música tem um sampler de um grupo de música eletrônica alemão chamado Kraftwerk, quer dizer, um rap me levou a conhecer Stockhausen. Assim como eu escutando “Um Homem na Estradaâ€, que descobri que é Tim Maia, “Ela Partiuâ€. Então através dos Racionais que eu conheci essa música de Tim Maia. Na construção do rap, se destacam aqueles que conhecem mais, e melhor sabem fazer uso desse conhecimento.

El Cabong: Eu concordo plenamente, e é uma coisa que eu sinto falta no rap, essa noção mais clara de que é rap, mas é muita coisa além disso.

O Quadro: Além da coisa do sampler, que é uma coisa do rap mesmo, própria do rap, também tem a coisa da poesia, das referências, das citações. Por exemplo, eu, quando era moleque, lá em Ipiaú, escutei uma música dos Racionais em que o cara falava de Nelson Mandela e, através disso, eu fui buscar Nelson Mandela. Citações a livros, discos, filmes, o rap mostra essa caminho pra gente.

El Cabong: Desperta a curiosidade, né?

O Quadro: É. E existem raps e raps, da mesma forma que o rock é diverso, que pode caber Legião Urbana e Sepultura, o rap é a mesma coisa. Você pode escutar, no rap gringo, 50 Cents e Snoop Dogg e você pode conhecer Antipop Consortium e Talib Quali, que é outra vertente completamente diferente, menos conhecida, menos veiculada na MTV. Então existe uma infinidade de estilos dentro da própria cultura hip hop, que quando você conhece, você fala “rapaz, o que é que é isso?â€. É muito grande, muito diverso.

El Cabong: E essa coisa de inserir black, ijexá, várias coisas no som, acaba sendo natural…

O Quadro: Natural, tem muita coisa que a gente ouvia quando criança, quando a gente ia a terreiro de candomblé, via o Olodum, os blocos afros passar na avenida, Ilê Aiyê, Lazzo Matumbi, Luiz Caldas. Aí depois de velho a gente foi descobrir que na Bahia tinha também Antônio Carlos & Jocafi, Hyldon, Glauber Rocha, Mystifier, que era uma banda de metal só de preto, sinceramente black metal (risos).

El Cabong: Gostaria que vocês destacassem algumas músicas do discos e falassem um pouco delas.

O Quadro: (1)“Seja bem vindo ao meu larâ€, que é uma música que tem participação de uma grande Mc, que é uma pessoa que a gente tem admiração, que é a Lurdez da Luz. Quando a gente sentou para escrever essa música, eu queria que ela se reportasse a um filme, que quem ouvisse a música se sentisse em um filme, acho que consegui passar mais ou menos a ideia. (2) “Tá amarradoâ€, é uma música que remete à religiosidade, as questões místicas e subjetivas que nos acompanham e nos fazem enxerga que a vida vai muito além das relações materiais. Fala um pouco disso, do divino, da proteção dos orixás, das energias positivas presentes no nosso dia dia que nos ajudam na nossa caminhada, para conseguir nossos objetivos. (3) “Evolui Bem Aventuradosâ€, que é uma música que fala assim: se quer mudar o mundo, comece mudando a si mesmo, o cume da montanha espiritual, que é você buscar o seu melhor, o seu paraíso em suas ações, em seu ponto de equilíbrio, e antes de apontar, faça esse apontamento, aponte o dedo pro espelho. “Evolui†promove essa reflexão e eu acho que fui feliz na letra, gosto muito do resultado.

El Cabong: A partir do disco, sinto que vocês estão começando a aparecer mais. Como é que tem sido isso? Tem surgido mais convite? Eu vejo que tem muita gente cantando, e isso não acontece toda hora…

O Quadro: Legal, vou te falar que tudo tem acontecido espontaneamente. A gente gravou o disco e quando ele tava pronto e chegou na nossa mão, virtualmente, antes de chegar o disco físico, a gente já liberou na internet, e botou no facebook, e os amigos foram passando pros amigos, que passavam para os seus amigos, e foi chegando nas mãos das pessoas e a coisa foi se alastrando. Foi a música que fez tudo isso. Não teve assessoria de imprensa, não teve produtora, foi tudo independente. Entenda, a gente não está negando a possibilidade de um dia ter uma produtora ou ter uma assessoria de imprensa, a gente quer muito isso, mas até então, foi assim. Agora recentemente a gente ficou sabendo que nosso disco foi citado na Rolling Stone de dezembro, pô, satisfação, saíram duas coletâneas na Europa, agora, uma de música baiana para exportação e outra de bass kutcherconfere se é isso mesmo, tá um pouco depois do minuto 12:30 da gravação e por aí vai, tudo espontâneo, e a gente fica muito feliz com isso, essa espontaneidade é reflexo de um sentimento puro, de verdade. A música tem sido generosa com a gente, a gente tem feito amigos através dela. Um grande amigo que a gente fez foi o Marcelo Yuka, ele ouviu a gente, curtiu, gostou, e acabou que a gente passou horas no estúdio do cara, gravando, conversando e possivelmente vai sair um videoclipe dirigido por ele. Com Guilherme Arantes aconteceu também desse jeito.

El Cabong: Tenho notado um movimento diferente. Antes, havia uma desconfiança, dentro da música baiana, do meio alternativo, com o axé, e uma generalização, também, como se tudo que houvesse batuque fosse axé. Hoje sinto que as bandas meio que fez as pazes com o axé, e a gente vê uma música baiana independente com uma outra cara. Como é que vocês veem isso?

O Quadro: É separar o joio do trigo. O Márcio Vítor do Psirico é um grande músico, ele redefiniu o pagode, e aquela batida é importante para a história da música baiana. Eu nem sempre me identifico com os discursos, pelo contrário, eu normalmente não me identifico, mas eu tenho que saber que aquela percussão ali é bem feita. Esse olhar sobre a arte é o que define o artista, é o que torna ele grande. É saber aproveitar o detalhe, fazer as escolhas que trazem o resultado. É o que recheia e vitamina o artista e faz com que ele bote pra fora apenas a sua seleção natural. O Sepultura já trabalhou com Carlinhos Brown e o Parangolé já usou um solo do Angra.


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Os 100 Discos Importantes da Música Baiana

As velhas e polêmicas listas. Quais os melhores discos da música baiana de todos os tempos? Estado de origem do samba, da Bossa Nova, da Tropicália, da Axé Music e terra de nomes como Raul Seixas, Novos Baianos, Camisa de Vênus, Dorival Caymmi e de alguns dos maiores nomes da música brasileira, a Bahia sempre produziu e continua produzindo muito.

O artista plástico Gugui Martinez condensou várias listas para estabelecer os 100 mais importantes discos da música baiana. A escolha foi baseada na lista da revista Rolling Stone Brasil “100 maiores discos da música brasileira”, no livro de Charles Gavin “300 Discos Importantes da Música Brasileira”, na lista adcional do blog 300 discos, nas listas de melhores discos de rock baiano dos sites  iBahia e irdeb, da seleção do melhores discos de música baiana do site Salvador com H (parte 1 e 2) e do acervo pessoal de discos de música baiana do próprio Gugui. Veja como ficou:

 

01 – Novos Baianos – Acabou Chorare
02 – João Gilberto – Chega de Saudade
03 – Caetano Veloso – Transa
04 – Raul Seixas – Krig-ha, Bandolo!
05 – Gal Costa – Fa-Tal – Gal A Todo Vapor
06 – Gilberto Gil – Expresso 2222
07 – Dorival Caymmi – Caymmi e Seu Violão
08 – Tom Zé – Estudando o Samba
09 – Camisa de Vênus – Batalhões de Estranhos
10 – Gilberto Gil – Refazenda

11 – João Gilberto – João Gilberto – 1973
12 – The Dead Billies – Don´t Mess With The Dead Billies
13 – Antonio Carlos & Jocafi – Mudei de Idéia – 1971
14 – Batatinha – Diplomacia
15 – Caetano Veloso – Cinema Transcendental
16 – Dorival Caymmi – Canções Praieiras
17 – Gilberto Gil – Gilberto Gil – 1968
18 – Maria Bethânia – Ãlibi
19 – Gal Costa – Gal Costa – 1969
20 – Os Tincoãs – Os Tincoãs – 1973
21 – Tião Motorista – Samba e talento
22 – Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia – Doces Bárbaros
23 – Caetano Veloso – Araça Azul
24 – Gordurinha – Gordurinha tá na praça
25 – Elomar – Nas quadradas das águas perdidas
26 – Hyldon – Na rua, na chuva, na fazenda
27 – Moraes Moreia – Lá vem o Brasil descendo a ladeira
28 – Pepeu Gomes – Geração do som
29 – Riachão, Batatinha e Panela – Samba da Bahia
30 – Trio Elétrico Dodô e Osmar – Jubileu de prata
31 – Ylê Aiyê – Canto Negro
32 – Olodum – Egito Madagascar
33 – Armandinho – Retocando o choro (ao vivo)
34 – Ederaldo Gentil – A voz do poeta
35 – Tom Zé – todos os olhos
36 – Margareth Menezes – Brasileira ao vivo
37 – Edson Gomes – Reggae Resistência
38 – Carlinhos Brown – Alfagametizado
39 – Daniela Mercury – O canto da cidade
40 – Xangai – Xangai canta cantigas, incelenças, puluxias e tiranas de Elomar – 1986
41 – João Gilberto – O amor, o sorriso e a flor
42 – Roberto Mendes – Minha história
43 – Daniela Mercury – Feijão com arroz
44 – Pitty – Admirável Chip Novo
45 – Adão Negro – Pele negra
46 – Camisa de Vênus – Camisa de Vênus (1983)
47 – Baiana System – Baiana System – 2010
48 – Wilsom Aragão – Capim Guiné (Uma Guerra de Facão)
49 – Ivete Sangalo – MTV ao vivo – 2004
50 - Chiclete com Banana – Tambores urbanos
51 – Orkestra Rumpilezz – Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz – 2009
52 – Ricardo Primata – Espelho da alma
53 – Raul Seixas – Gita
54 – Retrofoguetes – ChaChaChá
55 – 100 Anos de Música Baiana – Do Lundu ao Axé
56 – Timbalada – Mãe do samba
57 – Margareth Menezes – Kindala
58 – Gilberto Gil – Realce
59 – Gal Costa – Gal Tropical
60 – Ãlvaro Assmar – Blues à la Carte
61 – Afros e Afoxés da Bahia – 1988 – V.A
62 – Caetano Veloso – Caetano Veloso – 1968
63 – Raul Seixas – Novo Aeon
64 – Úteros em Fúria – Wombs in Rage
65 – Gilberto Gil – Refavela
66 – Raulzito e os Panteras – Raulzito e os Panteras (1968)
67 – João Gilberto – Amoroso
68 – Mariene de Castro – Abre Caminho
69 – Penélope – Mi Casa Su Casa
70 – Lampirônicos – Que luz é essa?
71 – Banda de boca – MPB pras Crianças
72 – Catapulta – 2º Versão
73 – Simone – Face a face
74 – Cascadura – Bogary
75 – Márcio Mello – Bizarro
76 – Osvaldo Fahel – Balada ao luar
77 – Vivendo do Ócio – O Pensamento É Um Imã
78 – Nelson Rufino – A verdade de Nelson Rufino – 2010
79 – Estakazero – Botando o pé na estrada
80 – Caetano Veloso – Qualquer Coisa/Jóia
81 – Sine Calmon – Fogo na Babilônia
82 – Banda Beijo – Aconteceu
83 – Gal Costa – Cantar
84 – Novos Baianos – Caia na estrada e perigas ver
85 – Banda Eva – Banda Eva ao Vivo 1997
86 – Lucas Santtana – Sem nostalgia
87 – Tom e Dito – Se mandar m’imbora eu fico
88 – Nancyta e os Grazzers – Nancyta e os Grazzers
89 – HeadHunter DC – Born…Suffer…Die
90 - Dona Edith do prato – Vozes da Purificação
91 – The Honkers – Roll up your sleeves…
92 – O Quadro – O Quadro (2012)
93 – Edil Pacheco – Pedras afiadas
94 – Joel Moncorvo – Muito além do som
95 – Ministereopublico – Sistema de Som Perambulante (2009)
96 – Luiz Caldas – Magia
97 – Dois Sapos e Meio – Obrigado Vasquez
98 – Orquestra Fred Dantas – Dança de Salão e Outras Bahias
99 – Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta – Frascos, Comprimidos, Compressas
100 – Waldick Soriano – Waldick Soriano ao vivo 2007


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O festival baiano dos sonhos

Salvador já tem alguns festivais, mas ainda não tem aquele festival, que dê conta da imensa produção musical da Bahia e que atenda a diversidade de ritmos, gêneros e estilos desses artistas. O el Cabong fez uma brincadeira, baseado no festival Coachella, de como seria um festival só com atrações baianas. Alguns artistas não entraram, propositadamente, já pensando no festival em 2014.

 
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Ãdolos veteranos voltam a dar as caras em 2013

Uma das boas promessas para 2013 no mundo da música é a volta a ativa de diversos artistas e bandas. Veteranos ou gente que andava sumida e que vai aparecer com novos discos, turnês ou algum material novo. David Bowie, Prince, Johnny Marr, My Bloody Valentine, Black Sabbath, Daft Punk e Stone Roses são alguns dos nomes que retornam do limbo e devem chamar atenção em 2013.

Na verdade, o ano mal começou e alguns desses nomes já lançaram novidades. Caso da banda My Bloody Valentine, que, finalmente, depois de 22 anos, lançou um novo disco. Durante essas duas décadas, muito se falou, vários boatos surgiram, informações se desencontraram, o líder da banda, Kevin Shields, chegou a soltar nesse período declarações negando e confirmado o disco. A banda havia se desfeito, Shields já embarcava em outros projetos. Parecia que nunca ia acontecer, que ia virar lenda. O mundo indie tinha o seu próprio “Chinese Democracy”.

Em 2007, a banda voltou a se reunir para raros shows. Durante dois anos, não passou muito disso, só com boatos de um novo disco continuando a surgir e sendo desmentidos. Em 2012, no entanto, o novo álbum do My Bloody Valentine passou a se tornar algo mais próximo da realidade. O disco já teria sido gravado e já se falava até em data de lançamento, que, no entanto, era sempre adiada, o que tirava ainda mais a fé dos céticos. Em dezembro, a banda anunciava pelo facebook que o disco ia sair em breve. Em janeiro, mais pistas indicavam que era verdade. Num show em Londres, a banda tocou uma música nova. Finalmente, no dia 2 de fevereiro, o disco foi lançado pela internet.

Talvez uma nova geração nem conheça a banda e saiba de sua importância, mas, ao lado do Jesus & Mary Chain, o My Bloody marcou o final dos anos 80 com sua parede de guitarras distorcidas e vocais doces. Em “MBV”, a banda mantém o nível dos dois álbuns clássicos lançados. Estão lá a sonoridade agridoce, guitarras sujas e vocais melódicos, como se fosse uma simples continuação do que havia sido feito 20 anos antes. No decorrer do disco, ouve-se uma dose de experimentalismo e, sim, novos caminhos. A banda agora se prepara para uma série de shows, que inclui apresentações nos festivais Coachella e Primavera Sound.

Outro aguardado ícone dos anos 80 que já deu as caras em 2013 foi Johnny Marr, guitarrista imortalizado no The Smiths. A célebre banda encerrou as atividades há 25 anos. Em boa parte deste tempo, muito se tentou para fazer com que ela voltasse para pelo menos alguns shows. Apesar de todo ano surgir especulações, nunca ocorreu de fato e Morrissey vivia afirmando que nunca vai acontecer. Assim como o vocalista, Marr também não precisava da ex-banda para mostrar sua música. Nesse período, participou de diversos projetos e bandas, Eletronic, The The, Modest Mouse, The Cribs e The Healers.

Sempre menos badalado do que o ex-parceiro, Morrissey, agora finalmente ele está lançando seu primeiro disco solo, “The Messenger”. O disco já vazou na internet, mas ganha lançamento oficial no dia 26 de fevereiro. Além da música título, outras duas já haviam sido divulgadas, “The Right Thing Right” e “Upstarts”. A produção é do próprio Marr, em parceria com Frank Arkwright. A beira de completar cinquenta anos, o guitarrista disse não se incomodar se disserem que em algumas partes o disco soe como Smiths. “Por mim tudo bem. Afinal, esperamos atingir o mesmo nível”. Em alguns momentos, lembra mesmo, e soa muito bem em vários deles.

Uma boa e repentina notícia foi o anúncio de um novo disco de David Bowie. Fãs, crítica e até os maiores especialistas já davam como certo o fim da carreira do cantor e compositor. Desde 2004 , no fim da turnê de seu disco, ele não aparecia, não dava notícias, não dava entrevistas, nem sinais de que estava produzindo algo novo. Depois de um enfarte, Bowie se fechou em seu mundo e parecia mesmo que a música pop não contaria mais com sua contribuição. De repente, o velho camaleão, no dia de seu aniversário de 66 anos, 8 de janeiro, solta a música nova “Where Are We Now?”, com direito a clipe e anuncia que um álbum de inéditas, ‘The Next Day’, com lançamento marcado para 12 de março, mas que já está disponível para pré-venda e audição aqui. O vídeo pegou muita gente de surpresa. Em menos de 2 meses, foi assistido por mais de 2 milhões de pessoas.

O cantor inglês vinha gravando o disco há dois anos, sem ninguém perceber, com alguns dos parceiros de álbuns anteriores, entre eles, o fiel escudeiro Tony Visconti, que produz discos com o cantor desde 1969. O segredo era tanto que, a pedido de Bowie, nem os melhores amigos dos músicos deveriam ficar sabendo. Ninguém soube realmente. Em abril de 2011, Bowie e seus músicos entraram em estúdio para as gravações. As composições eram feitas no decorrer deste período e resultaram neste novo disco.

O álbum, o 24° de estúdio e o primeiro desde o lançamento de ‘Reality’, de 2003, traz referência a sua carreira, mas não é necessariamente uma retrospectiva. O primeiro clipe remete a uma atmosfera nostálgica, lembrando a fase em que morou em Berlim. Assim como a capa do disco, que utiliza a mesma foto de ‘Heroes’, de 1977, só que com o título riscado e uma colagem branca com o título do novo trabalho. Mesmo um veterano, Bowie continua com suas ideias avançadas. Em seu site oficial, disponibilizou um aplicativo que permite a personalização da capa de ‘Next Day’ a partir do uso de fotos do perfil do Facebook. Contrariando a lógica de se expôr ao extremo para chamar atenção, soube se manter em segredo e voltar usando a internet como poucos. Um novo clipe foi lançado no último dia 25 de fevereiro até brincando com essa ideia de sucesso instantâneo. ‘The Stars (Are Out Tonight)’ traz Bowie contracenando com sua esposa Tilda Swinton, ironizando o mundo das celebridades. Em dois dias, alcançou um milhão de visualizações.

Outro artista misterioso que está dando o ar de sua graça em 2013 é Prince. Nem tem tanto tempo que ele lançou o último, “20Ten”, de 2010, mas um novo trabalho não era esperado, quando começaram a surgir músicas novas na internet e indícios de um novo disco. A primeira inédita foi “Rock and roll love affair”, lançada ainda em novembro 2012. Dois meses depois, de forma misteriosa em uma conta no twitter, foi divulgada uma música chamada “Same page different book”, que levantou dúvidas se seria algo novo de verdade. A faixa foi retirada do YouTube logo em seguida. Também em janeiro, outra música inédita, “Screwdriver”,  logo foi colocada a venda no site prince2013.com.

Semanas depois, em 6 de fevereiro, mais uma nova música, “Breakfast can wait”, que está sendo vendida em outro site, 3rdeyegirl.com, junto com as anteriores. Os indícios de uma volta às atividades foram reforçados pela série de shows intimistas que Prince fez em janeiro em sua cidade natal, Minneapolis. Sempre cercado de mistérios e estratégias não convencionais, parece que ainda no primeiro semestre deve ser lançado um novo disco do homem que já fez questão de se autodenominar como um símbolo impronunciável ou “O Artista”.

No campo do rock mais pesado, a melhor notícia é o anúncio de um novo disco do Black Sabbath, contando com Ozzy Osbourne nos vocais após 35 anos. É o primeiro registro depois do retorno oficial da banda em 2011, que rendeu alguns shows em 2012. Batizado como ’13′, o álbum será lançado em junho e reúne além de Ozzy, Tony Iommi e Geezer Butler, integrantes originais do grupo. A última gravação que contou com os três junto foi ‘Never Say Die!’, de 1978. O baterista Bill Ward não participou das gravações, sendo substituído por Brad Wilk, do Rage Against the Machine. Este será o 19º álbum (e 9º com Ozzy) da banda, o primeiro desde 1995, quando soltaram ‘Forbbiden’. O disco, que foi gravado em grande parte em Los Angeles e tem a produção de Rick Rubin, marca também a volta da banda ao selo original, Vertigo. Antes do lançamento, o grupo vai sair em turnê pela Nova Zelândia, Austrália e Japão. Outras datas ainda serão anunciadas e podem incluir o Brasil.

Brit pop – A Inglaterra deve assistir em 2013 um forte retorno do britpop dos anos 90. Se o Oasis não vai voltar, – pelo menos o Beady Eye, de Liam Gallagher vai soltar disco novo – Suede, Pulp e Stone Roses devem vir com novidades durante o ano. O Blur voltou mesmo em 2012, quando lançou uma caixa comemorativa com todos os seus discos, duas músicas inéditas e fez alguns shows, em especial o de encerramento das Olimpíadas, que acabou gerando um disco ao vivo. Este seria, supostamente, o fim definitivo da banda que, felizmente, já anunciou uma série de shows em 2013. Apesar de negar a gravação de um disco novo de inéditas, a banda confirmou inicialmente apenas apresentações em festivais na Europa e nos Estados Unidos. Não demorou, porém, para confirmarem também shows próprios na Ãsia e no México.

O Suede chamou atenção quando surgiu no começo dos anos 90, mas ainda naquela década, seu vocalista e líder Brett Anderson começou a viver problemas com drogas e a banda não resistiu, encerrando as atividades em 2003, um ano após o lançamento do último disco,”A New Mornig”. As propostas para uma volta sempre surgiram, mas só em 2010, eles aceitaram. Aos poucos o Suede foi voltando, contando com a mesma formação do período que pararam, sem encarar longas turnês, mas topando fazer shows em países que nunca havia ido antes, como o Brasil. Para 2013, a banda, finalmente, vai lançar músicas inéditas. O disco ‘Bloodsports’ sai em 18 de março, com 10 músicas novas. Uma delas, “Barriers”, já está disponível para download no site oficial do grupo enquanto outra, “It Starts And Ends With You”, ganhou o primeiro clipe oficial.

Outro ícone do Britpop que voltou para shows e deve lançar disco novo em 2013 é o Stone Roses. Um novo álbum já estaria sendo preparado, sucedendo os cultuados The Stone Roses (1989) e Second Coming (1994). A banda se separou em 1996 e em 2012 retornou para uma grande turnê. Já são 18 anos sem novidades. Nessa volta, teriam assinado com a Universal se comprometendo para a gravação de dois novos álbuns. Nos shows que fizeram, nenhuma música nova foi apresentada ainda. Nos ensaios, porém, a banda já começou a testar as novas faixas e é bem possível que nas próximas apresentações já comecem a mostrá-las aos fãs.

Com uma trajetória muito mais longa, que teve inicio em 1978, o Pulp também voltou recentemente para shows. A cada aparição, Jarvis Cocker, líder e vocalista da banda, confunde os fãs: já disse que pensa em gravar inéditas e, recentemente foi categórico ao dizer que “não haverá mais música nova”. Ele teria dito que não havia nenhum plano para 2013, mas no finalzinho de 2012, o Pulp liberou na internet uma nova música, chamada “After Youâ€. A faixa, na verdade, é de 2001, havia sido gravada apenas como demo e entraria no último disco do grupo, ‘We Love Life’, do mesmo ano. Agora, ganhou uma versão nova e finalizada, produzida em parceria com James Murphy, do LCD Sounsystem. A questão é se ela é um indício ou não de um novo disco em 2013.

 

O Daft Punk não está totalmente parado, mas, desde 2005, com ‘Human After All’, o duo francês de música eletrônica não lança um disco de inéditas próprio feito sem ser por encomenda. Nesse período, eles soltaram ‘Alive 2007′ e a trilha-sonora ‘Tron: Legacy’. Em maio, Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter voltam com o esperado disco de inéditas, o quarto da carreira, agora com a gravadora Columbia. Um certo mistério ronda o álbum, que deve contar com participação de nomes relevantes, como Nile Rodgers, do Chic, o compositor Paul Williams e pioneiro da disco Giorgio Moroder, além de colaborações de Panda Bear do Animal Collective e o músico canadense Chilly Gonzales.

Também não tem tanto tempo assim que o Nine Inch Nails paralisou seus shows. Em 2008, o grupo encerrou a turnê “Wave Goodbyeâ€, depois de ter lançado dois álbuns naquele ano. Trent Reznor, líder, cantor, produtor e multi-instrumentista, sempre afirmou que a banda não tinha acabado e agora anuncia sua volta. Ainda em 2013, o NIN volta aos palcos com turnês planejadas para começar já no meio do ano e seguir até 2014. Para estas apresentações, a banda contará com Eric Avery, do Jane’s Addiction, Adrian Belew do King Crimson e Josh Eustis do Telefon Tel Aviv, além da presença confirmada de dois antigos colaboradores, Alessandro Cortini e Ilan Rubin. Segundo nota do próprio Reznor, “a banda está se reinventando do zero”. Também está nos planos lançar material inédito. Inicialmente, aproveitando duas músicas novas que já apareceram em compilação de grandes sucessos da banda e só depois o esperado um oitavo álbum de estúdio.

Também voltando para shows, o Violent Femmes é outra que anuncia 2013 como o ano do retorno. Considerados os avôs do folk rock, o grupo havia encerrado às atividades em 2009 e desde 2000 não lança um disco de inéditas. A volta em 2013 para o festival Coachela pode marcar um recomeço. Resta aguardar.

Com um único disco lançado, ‘Give Up’, de 2003, que vendeu mais de 500 mil cópias, o duo Postal Service, formado por Ben Gibbard e Jimmy Tamborello, anunciou uma volta depois de dez anos parado. O grupo prepara uma extensa turnê, incluindo apresentações em festivais como Coachella e Primavera Sound. Vai lançar também, no dia 9 de abril, uma edição de luxo do único disco do grupo, com LP triplo limitado, CD duplo, álbum original remasterizado e mais um CD com 15 faixas bônus, que incluem raridades, lados b, remixes, covers, e duas novas músicas “Turn Around” e “A Tattered Line of String”, uma gravação inédita ao vivo. “A Tattered Line of String” foi lançada também como single, vendida pelo iTunes.

Também do time de bandas importantes, mas não tão conhecidas, o grupo The Pastels anunciou que lança disco novo em 2013, depois de 16 anos. O retorno, com o álbum ‘Slow Summers’, foi anunciado com pompa pelo selo Domino Records, que divulgou estar extremamente excitado com o disco. O Pastels, que lançou seu último trabalho, ‘Illumination’, em 1997, continuou produzindo trilhas e trabalhos soltos, mas só agora retorna como banda de fato e com disco novo. O grupo foi formado em 1982, em Glasgow, Escócia, e foi uma das bases do indie rock que iria influenciar bandas como Teenage Fanclub e Belle & Sebastian. Ainda não se sabe a data de lançamento de ‘Slow Summers’, mas a banda liberou um vídeo teaser, no qual se pode ouvir pequenos trechos musicais do que vem por aí:

Em 1994, Layne Staley, então vocalista do Alice in Chains, o guitarrista Mike McCready, do Pearl Jam, o baterista do Screaming Trees, Barrett Martin e baixista John Baker Saunders, se juntaram no projeto Mad Season. No ano seguinte, lançaram seu único trabalho, o sombrio “Above”. Os músicos ainda tentaram gravar um novo trabalho no final dos anos 90, mas os problemas e mortes de Staley e Saunders fizeram o projeto acabar. Este novo trabalho, batizado como “Acima” chegou a ser iniciado, mas nunca foi lançado.

Em 2 de abril, depois de mais de dez anos, o álbum inacabado vai ser lançado numa reedição especial. Os dois sobreviventes do projeto, McCready e Martin, se reagruparam no ano passado e voltaram a gravar, agora com Mark Lanegan, ex-vocalista do Screaming Trees, escrevendo as letras e cantando em três faixas. A reedição trará dois CDs e um DVD, com todas as canções do projeto, incluindo o álbum de estúdio original e faixas inéditas produzidas para o segundo álbum da banda, além de um vídeo do último show, realizado em 1995, na cidade de Seattle. A primeira canção lançada, ‘Locomotiva’ mostra a direção que o projeto tomou com a poderosa voz de Mark Lanegan.

O ano será bastante especial para Kim Deal. A baixista e vocalista segue no Pixies, mas, em 2013, deve aparecer mais com o The Breeders, sua outra banda. O grupo volta a se reunir este ano com a formação original para comemorar os 20 anos do clássico álbum “Last Splash” em uma série de shows no segundo semestre. Kim Deal,sua irmã gêmea Kelley Deal, Tanya Donelly, Josephine Wiggs e Jim Macpherson vão circular por shows isolados e em festivais das Europa e Estados Unidos. “Last Splash” também será relançado em abril pela gravadora britânica 4AD numa versão deluxe, remasterizado. Rebatizado como “LSXXâ€, para indicar os 20 anos, o álbum será acompanhado pelo lançamento de um DVD.

Aos 52 anos, Kim Deal não para, além do Breeders e do Pixies, que continua atuando, ela também está investindo na carreira solo. Uma série de singles de sete polegadas com edição limitada está sendo lançada de forma independente. O primeiro, “Walking with killer/Dirty hessians”, já saiu e é muito bom, trazendo algumas das marcas da artista, a voz doce, na primeira faixa, e o baixo marcante em ambas. Com uma tiragem de 1000 cópias postas à venda no site de Deal, o kimdealmusic.com e já esgotadas, os singles vão continuar sendo lançados. Quem sabe não viram um álbum depois?

Presença nos festivais - Os grandes festivais europeus e norte-americanos estão apostando forte nestes velhos ídolos. Alguns deles aparecem como headliners em muitos deles, em especial o Blur, que vai se apresentar no Primavera Sound (Barcelona e Porto), Coachela (EUA), Rock Werchter (Bélgica), Asia World Arena (Hong Kong), Rock in Roma (Itália), Vive Latino (México), Les Eurokéennes (França), One Love Festival (Turquia), Afisha Picnic Festival (Rússia), Oya Festival (Noruega), entre outros. Além do Blur, o Coachella terá My Bloody Valentine, Stones Roses, Postal Service, Johnny Marr, Violent Femmes e Dead Can Dance. Já o Primavera Sound terá o próprio Blur, além de Postal Service, My Bloody Valentine, The Breeders tocando Last Splash, Jesus & Mary CHain e Dead Can Dance.

Pode ser por carência de “ídolos intocáveis, semideuses, heróicos”, como alegou Miguel Sokol, em sua coluna “Vida Pop”, na edição de fevereiro da revista Rolling Stone. Mas a importância que se está se dando a volta desses velhos e grandes ídolos da música pop, talvez seja consequência também da geração atual, que depois de ter acesso a toda obra desses artistas pela internet, deseja poder acompanhar pela primeira vez novos trabalhos deles. Há uma juventude que ouviu falar de Bowie, Marr, Prince, Black Sabbath, acessou, baixou, ouviu toda a obra deles, mas agora está podendo ver esses artistas vivos, atuantes, mostrando que ainda podem render em discos e shows. Talvez sejam as duas coisas. O melhor é poder ver novidades surgindo a cada ano, discos com o passar dos anos se tornando clássicos e ainda podermos desfrutar de alguns dos maiores nomes da música pop mundial apresentando novidades.


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As três versões da semana

As versões destacadas não foram necessariamente lançadas essa semana, mas foram as que circularam bastante pela internet nos últimos dias ou chamaram atenção de alguma forma. Também não são versões especialmente boas, são curiosas, interessantes, esquisitas ou improváveis. Confira o que fizeram com algumas músicas pelo mundo. Coincidentemente, as três versões dessa semana são recriações eletrônicas, cada uma de sua forna.

Super Mario Bros. vs Caetano Veloso (Bertazi 8-bit Remix)
O paulistano Raphael Bertazi tem feito alguns dos mashups mais bem humorados. Depois de misturar Rage Against The Machine e Companhia Do Pagode, o produtor faz a junção improvável entre Caetano Veloso e Super Mario. Com os teclados que acompanham o encanador no joguinho da Nintendo, Bertazi faz uma versão totalmente diferente do clássico “Alegria, Alegria”, de Caetano.
Super Mario Bros. vs Caetano Veloso (Bertazi 8-bit Remix) by Raphael Bertazi

Edcity – Eu Sou Ciclope (Edu K’s Tecnobrega Remix)
Já Edu K, aquele do De Falla e do melô da Popozuda, pegou o pagode “Eu Sou Ciclope” do baiano EdCity e fez um remix, transformando a música num Technobrega. Muita gente torceu o nariz, mas e daí?

Compressorhead Ace of Spades
Para finalizar, que tal uma versão robótica para o clássico “Ace Of Spades”, do Motörhead. Isso mesmo, se o mundo for dominado pelas máquinas num futuro remoto, pelo menos alguns robôs já estão aprendendo a tocar algumas das melhores músicas do rock mundial.


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Destaques de 2012 – A volta dos veteranos

O ano foi de veteranos nomes da música darem as caras com grandes discos. Alguns, só mantendo a regularidade de lançamentos periódicos, outros, ressurgindo depois de alguns anos sem novidades ou trabalhos inéditos. O melhor é que, mesmo com a idade já avançada, boa parte destes já ultrapassando os 70 anos, gravaram discos bastante interessantes. Praticamente todos tiveram seus discos em listas de melhores do ano. Entre os lançamentos, tivemos Leonard Cohen, o mais velho da turma, com 78 anos, lançando “Old Ideias”; Scottt Walker com o estranho, experimental e provocante “Bish Bosch”, uma ópera apocalíptica; Paul McCartney com “Kisses On The Bottom”, um álbum de canções americanas que o marcaram na infância, standarts dos anos 30-40; e Patty Smith de volta com o grande disco “Banga”, um álbum de inéditas depois de 8 anos, misturando rock, folk e blues e repleta de referências e com sua verve literária em dia.

Neil Young mostrou que continua em alta produção e lançou dois discos. O não tão bem recebido pela crítica, “Americana”, com covers de clássicos do folk norte-americano, e o ótimo “Psychedelic Pill”, com apenas nove músicas, sendo três com mais de 15 minutos de duração e uma com mais de 27 minutos. Ambos os discos marcaram o retorno de Young ao lado da banda Crazy Horse. O bardo Bob Dylan nem é dos que ficam tanto tempo sem gravar. O último disco de canções originais tem apenas três anos. Em 2012, aos 71 anos, ele voltou com o ótimo “Tempest”, o 35º álbum da carreira. Nele, Dylan faz o que sempre soube fazer bem, belas canções que passeiam por folk, blues e rock para contar história de amor e de tragédias.

Comemorando os 50 anos de carreira, uma das bandas mais importantes do mundo, The Beach Boys, voltou em 2012 com um novo disco, “That’s Why God Made the Radio”. É o primeiro depois de mais de 16 anos sem gravar um disco exclusivo de canções inéditas e marca a volta de  Brian Wilson, que produz, canta, toca e compõe a maior parte das músicas. A banda não mostrou nesse álbum nenhum tipo de evolução ou atualização, é praticamente o mesmo Beach Boys das décadas que passaram, com seu clima ensolarado nas melodias, letras por vezes reflexivas e os famosos coros de falsetes masculinos. Com reflexões sobre a passagem do tempo, mortalidade e fim da vida, a banda mostra estar ciente do estágio em que se encontra na história, e, mesmo não dando um passo além, comprova que ainda faz seu básico num nível bastante respeitável.

O soulman Bobby Womack não se conformou com a fama do passado e, depois de gravar com o Gorilazz, preferiu continuar o diálogo com gerações mais novas e sair da zona de conforto. Aos 68 anos, se juntou a Damon Albarn (Blur) e Richard Russell e lançou o belo “The Bravest Man in the Universe”, primeiro de inéditas depois de 13 anos. Ao lado do próprio Womack, Albarn, Russel e Harold Payne compuseram boa parte das faixas do disco, um trabalho de alto nível que trouxe de volta uma lenda na música negra americana e a apresenta renovada para as gerações atuais. Outro veterano que lançou um trabalho bem acima da média foi Bruce Springsteen. “Wrecking Ball” é uma das críticas mais contundentes ao modo de vida americano nos últimos anos. Nele, Bruce veste a pele de personagens do cotidiano  para mostrar a realidade dos Estados Unidos em contraponto ao propagado sonho americano. A base de rock, folk e gospel, aos 63 anos, ele mantém algumas de suas marcas para fazer um grande disco: a voz grave e rouca, a produção caprichada e aquele clima de redenção para todo mundo cantar junto com alma e em coro.

O reggaeman Jimmy Cliff passou 8 anos sem lançar um álbum novo e muito mais tempo sem soltar um disco tão interessante quanto “Rebirth”. Este é mais um álbum de 2012 com um veterano contando com a participação decisiva de um artista mais jovem.  Neste caso é Tim Armstrong, vocalista e guitarrista da banda Rancid, que é responsável pela produção e parceiro em parte das músicas. Ele não tira Cliff do reggae tradicional que ele já fazia, mas o faz aproximar de uma timbragem mais atual, uma sonoridade mais moderna,  e abre espaço para que o cantor explore suas qualidades. Não é apenas um bom disco de reggae. A sonoridade tão caracteristicamente jamaicana e as letras politizadas permanecem, o vocal verdadeiro de Cliff também, mas  no disco o reggae ganha um frescor, um clima menos viajandão e paloso, mais direto, sem parecer uma atualização na marra. Além de ter versões caprichadas de “Ruby Solo” do Rancid, e de Guns of Brixton, do Clash.

A grande boa surpresa foi Dr John, do alto de seus 72 anos soltou “Locked Down”, seu 29° disco e um dos melhores do ano, com produção caprichada de Dan Auerbach, da banda Black Keys. O álbum traz o cantor e compositor oriundo do mundo do blues se enveredando por terrenos menos rígidos e exorcizando seus infernos. Mais um que, com a influência de uma mente mais nova, aceitou mergulhar em rumos desconhecidos e fazer algo diferente do que já havia feito antes, com novos timbres e novos ritmos. Dan Auerbach apresentou a música do etíope Mulatu Astatke, que foi marcante na sonoridade do álbum, assim como sugeriu um orgão funkeado no lugar do tradicional piano. “Locked Down” é um misto de rock, R&B, funk e afrobeat que aprofunda as dores e cores de Nova Orleans, terra natal de John.

 

No Brasil

Pelo Brasil, apesar da data festiva de 70 anos para vários grandes nomes de nossa música, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e Caetano Veloso, apenas o último lançou um novo trabalho. Caetano Veloso soltou mais um disco que dividiu as críticas. “Abraçaço”, terceiro CD do baiano com a banda Cê (Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado), recebeu duras críticas de um lado e elogios rasgados de outro, chegando a figurar em diversas listas de melhores do ano, entre elas da revista Rolling Stone, para a qual foi considerado o melhor disco do ano. Apesar de estar longe de ser o melhor trabalho do cantor e compositor,  o disco mostra o quanto Caetano ainda pode ser provocador e mexer com o mundo a sua volta. Soando moderno, às vezes até forçando a dose para tanto, é capaz de falar de bossa nova e listar lutadores de MMA numa mesma música, de fazer belas canções como “Estou Triste” e de cometer bobagens como “Funk Melódico” e “Parabéns”. Aos 70 anos, ele ainda faz diferença

Um outro tropicalista, Tom Zé, também costuma lançar trabalhos cheios de provocações e ideias contemporâneas mesmo com mais de sete década nas costas. Em “Tropicália Lixo Lógico” ele volta com um disco quase todo conceitual, falando das origens do Tropicalismo. Com convidados da nova geração, Rodrigo Amarante, Washington, Pélico, Mallu Magalhães e Emicida, o baiano de Irará faz seu melhor disco dos últimos anos. Uma sonoridade que soa atual e bem tramada, que envolve samba, rock, samba enredo, marchinhas, cordel, bossa, rap e a nova música popular brasileira. A invenções sonoras, os andamentos às vezes estranhos, os temas que ninguém aborda e os sons inusitados estão lá, tudo da forma que só Tom Zé é capaz de mexer. É outro veterano que continua em forma.

 


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