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O deus do trovão, mestre das tempestades ou príncipe brasileiro, de acordo com as definições do seu próprio pai, acabou em todas as manchetes. Foi sem dúvida o acidente de trânsito mais comentado do ano no Brasil. Como assim acidente?
Vale conferir o artigo de Ruth de Aquino (pg 124) da revista Época da semana passada. Julgamentos à parte ela diz: “Não entendo por que pais ricos incentivam filhos jovens a dirigir máquinas velozes em estradas ruins”. Outros réus no banco incluindo condutores, Governo e o próprio Judiciário, o que concordo, absolutamente.
Eike, o pai ricaço que de imediato, condenou o morto, pede que atire a primeira pedra no motorista que nunca tomou uma multa por excesso de velocidade no trânsito.
Com certeza, como no exemplo cristão da mulher adúltera, poucos motoristas poderiam atirar as tais pedras. No caso Thor, porém, não se trata de apenas uma multa.
Estudos indicam que seria “normal” cada um de nós motoristas, receber em torno de uma multa ano, seja lá de que infração for. Isso pode ser atribuído a nossa condição humana. Nós mortais, segundo o ensinamentos kardecistas, estamos longe da perfeição. Estamos aqui para evoluir.
Estresse urbano, pressa, distração, falha na sinalização, iluminação, sistema viário, educação …. enfim , não faltam motivos para de vez em quando nos depararmos com a desagradável surpresa de receber uma notificação de infração pelo correio.
Organizei há alguns anos, um seminário técnico onde o slogan era: O acidente é a infração que não deu “certo”
Mostramos o cruzamento dos bancos de dados de infrações x acidentes.
Demonstramos estatisticamente que a grande maioria dos acidentes graves estava associado a prática de infrações. Deixando claro: Pessoas envolvidas em acidentes graves, na maioria dos casos, tinham um grande histórico em cometimento de infrações.
Este estudo, serviu como referência para a realização de uma série de ações educativas com infratores, incluindo motoristas de ônibus, onde mostrávamos que eles pertenciam ao grupo de risco de matar e morrer.
No caso Thor, não foi diferente. Em seu “currículo” além de constar um outro atropelo a um ciclista, ocorrido em maio do ano passado, consta uma lista de infrações que geraram mais de 40 pontos em sua carteira (o máximo permitido é de 20 pontos ao ano) motivo para a suspensão do direito de dirigir, que obiviamente não ocorreu. . O deus do trovão declarou que não tinha conhecimento da pontuação. Endereço incerto ou não sabido?
O pai de Thor declarou-se preocupado com a possibilidade de que o filho poderia ter morrido por imprudência do morto, Wanderson da Silva de 30 anos, ajudante de caminhoneiro, que já não pode dar sua versão dos fatos.
Me fez lembrar um texto de Jurandir Freire Costa, publicado há tempos atrás, na Folha de SP, onde ele fazia uma reflexão sobre a morte por atropelo de uma empregada doméstica, negra, esmagada no asfalto, por sucessivos carros em alta velocidade, na avenida das Nações do Rio de Janeiro. Refletia dentre outras coisas sobre o valor diferencial dos indivíduos.
Ao pai de Thor, alguém deve informar que, de acordo com as estatísticas em que acidentes tem a ver com infrações, ele está no grupo de risco, ainda que seus carros sejam milionários. Continuando a “chegar a 280Km na Dutra, porque gosta de sentir o carro”, como o mesmo declarou, poderá no futuro próximo não sobreviver, para contar a versão da sua próxima história.
Aos gestores do trânsito vale implorar que reduzam e controlem com todos os mecanismos existentes da engenharia ou tecnologia, as velocidades nas áreas (e proximiddes ) urbanas. Ainda que sejam pistas de rodovias onde tenha sido prometidas reduções dos tempos de viagem, fluidez e outras barbáries.