Luz no fim do túnel

Importante fato aconteceu no Brasil em relação a Segurança do Trânsito e o “direito” dos bebuns. 

Segundo a floha on line

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1089813-motorista-que-nao-fizer-o-bafometro-pode-ser-punido-diz-justica.shtml

“A Justiça Federal do Rio Grande do Sul decidiu reconhecer a possibilidade de punição ao motorista que dirige alcoolizado e se nega a fazer o teste do bafômetro.

Em sentença de uma Vara Federal na cidade de Lajeado (a 112 km de Porto Alegre), o juiz Rafael Wolff distinguiu as punições na esfera criminal, onde existe o entendimento que o motorista não precisa produzir provas contra si, das aplicadas pelas autoridades de trânsito na esfera administrativa”.

Se a “moda” pegar, será um excelente instrumento do controle da alcolemia no trânsito, embora, para uma simples mortal como eu, fica difícil entender este negócio de provas contra si mesmo. Simplificando: ao afirmar que não quero produzir provas contra mim mesmo, automaticamente estou assumindo a minha culpa.

Enquanto , estes artifícios jurídicos forem aceitos a favor dos criminosos, ficará difícil reverter o quadro das tragédias diárias do trânsito no Brasil.

Confirra abaixo a performance dos bebuns.

 http://www.youtube.com/embed/mMRxM5zQrgk


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Pedestres distraidos ou invisíveis?

Gesto da maõzinha : Fonte Folha on line

Reportagem da Folha de SP- Cotidiano,  demonstra que a campanha de educação para o trânsito lançada pela CET há um ano,  com “o gesto da mãozinha” que visava garantir o direito de preferência na faixa dos pedestres não pegou.

 Nada de novo. Campanhas educativas por si só não funcionam. Elas servem para informar, esclarecer, chamar a atenção. Porém, se queremos promover  mudança de comportamento é preciso algo mais. Este algo, passa por uma série de ações coordenadas como, revisão da infraestrutura dedicada aos pedestres – repintura  e iluminação de faixas, reforço na sinalização, revisão dos locais de travessia – se são adequados ou não, redução das velocidades nas vias urbanas e principalmente FISCALIZAÇÂO COM APLICAÇÃO DE PENALIDADES! Fora disso não há salvação.

Reproduzo abaixo a pesquisa em SP para termos uma idéia do que aconteceu.

  ”Quase um ano após o início da campanha de proteção ao pedestre em São Paulo, novas pesquisas feitas pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) revelam que, em locais onde há faixa, mas não há semáforo, os motoristas não param e põem a culpa na “distração” de quem está a pé.

Os dados foram divulgados ontem pela CET. Mais da metade dos 404 motoristas entrevistados disseram não respeitar a faixa nessas condições porque o pedestre fica “distraído, olhando para os lados”.

RESPOSTAS X REALIDADE

Outra pesquisa da CET, feita em fevereiro em cinco esquinas do centro, mostra que enquanto 97% dos condutores de carros disseram respeitar a faixa, uma contagem mostrou que em 73% dos casos isso não aconteceu.

E, ao mesmo tempo em que 97,5% dos motoristas afirmaram que têm respeitado mais os pedestres, só 59,3% destes disseram ter percebido isso”.

Vejam bem o tamanho do problema.

97% dos condutores afirmam que respeitam a faixa 

73% dos condutores não respeitam a faixa

Esta conta não fecha. Ou os pedestres continuam invisíveis para a maioria dos motoristas.

Confira abaixo ( e  principlamente adote) as regras para garantir a travessia segura.

Fonte: Folha on line

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1088826-gesto-da-maozinha-nao-pegou-apos-um-ano-de-campanha-em-sp.shtml

Reportagem de ANDRÉ MONTEIRO e REYNALDO TUROLLO JR.


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Bons exemplos paulistanos.

Troca do pavimento para concreto

Da terra da garoa, bons exemplos de gestão dos transportes e trânsito

1- Faixas exclusivas para ônibus com novo pavimento.

As faixas exclusivas para ônibus começam a ter seus pavimentos em asfalto sbstituidos por concreto. A medida se explica: o peso constante dos ônibus no mesmo local, provocam deformações no asfalto que além de bastante desconfortável ao tráfego dos veículos, pode provocar sérios acidentes. Fim aos famosos calombos na pista; ponto para a circulação e segurança ao tráfego dos ônibus.

2- Travessia depedestres em duas etapas

Travessia em duas etapas na Suécia

São Paulo começa a adotar a travessia de pedestres em duas etapas.

Adotadas há muito tempo em países europeus, esta medida bastante simples, que é a implantação de canteiro ou refúgio entre as faixas de tráfego de uma rua,  pode reduzir a velocidade dos veículos que trafegam no local e em consequência, o índice de acidentes do tipo atropelos, além de dar mais agilidade a travessia dos pedestres. 

 A explicação é fácil:

Como nem sempre os fluxos dos sentidos de tráfego são iguais, o pedestre pode atravessar no lado que está mais favorável, aguardando no refúgio, o momento mais oportuno para fazer a segunda travessia, sem se arriscar a parar no meio da pista.

As ilhas construidas , servirão para promover o que chamamos de “atrito lateral”,  que por si só, já reduzem a velocidade média dos veículos, sem que haja necessidade de interrupção total do trânsito como ocorrem nos cruzamentos com sinaleiras.

3- Multa alta para ameaçadores dos ciclistas.

Bom para o ciclista paulistano.

 

Foto :Ernesto Rodrigues/AEA

(Caio do Valle – Jornal da Tarde)

SÃO PAULO – Motoristas paulistanos terão de respeitar ciclistas se não quiserem levar multa de até R$ 574,62 e ganhar sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No dia 14 de maio, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai começar a fiscalizar e autuar veículos que não dão prioridade às bicicletas. A partir dessa data, infrações baseadas em cinco artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) já deverão ser aplicadas por 2,4 mil agentes de trânsito.

Boas medidas para serem copiadas e implementadas em nossa terra!

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,a-partir-do-dia-14-motorista-que-nao-respeitar-ciclista-pagara-ate-r-57462,866282,0.htm


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Na Terra de Migué TAC significa Termo A Contrariar!

Cadê o Farol que estava aqui?

Continuando com minha campanha eleitoral de “Migué” para prefeito, provo mais uma vez que é ele quem manda na cidade.

Foi acordado, para o bem dos moradores, trabalhadores, visitantes, comerciantes , prestadores de serviço  e também do patrimônio arquitetônico, cultural e ambiental da BARRA, através de um TAC- Termo de Ajustamento de Conduta, que só poderiam ser realizaods os eventos previamente determinados, em número de 4, incluindo o nosso  2 de Julho.

Não é que acharam que o ECO SPORT  é mais importante do que a nossa independência? ?

                                          Fora Joana Angélica!

Qual é Maria Quitéria; "sarta fora"

Viva a FORD

Ponto para Henri Ford, Carlinhos Brow e sua Timbalada.  

Na terra de “Migué”- onde cada um faz o que “qué”, proponho que o TAC passe a significar:

Termo  A  Contravir 

Como esta,  é uma palavra pouco usual,  (dando um google siginifica desobedecer) , solicito  de novo ajuda aos universitários e internautas, para completar a lista do novo significado do TAC, na terra de “Migué”.

Termo A Contrariar!

Termo A Combinar!

Termo A Confundir!

Termo A Charlatear!

Termo A Cancelar!

Foto: Movimento SOS Barra;   Imagens do Wikipédia


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Para Prefeito vote em MIGUÉ!

Av Glauber Rocha

Quando o nosso grande colaborador, Engenheiro Almir Santos, afirma que Salvador é uma terra de “Migué” onde cada um faz o que ”qué”, temos que concordar. 

A Avenida Glauber Rocha, construída com o objetivo de desafogar o problemático trânsito da Baixa de Quintas, está virando, ou já virou, uma Paga ISS ?bagunça. 

Não sei como podermos chamar as oficinas a céu aberto que ali já estão ocupando os espaços públicos e bagunçando mais ainda aquela área.

Difícil definir o que vemos por lá. Peço ajuda aos universitários!

Informal ?

Ilegal ?

Alternativo ?

Conivente ?

Amoral ?

Habitual ?

Normal ?

Nenhuma das respostas anteriores ?

Como é de praxe agora em Salvador, que pode ser chamada de cidade sem lei, quem chegar primeiro ganha.

 Assim não dá. Eta terrinha! 

Como já é Migué quem manda aqui, peço o seu voto para ele. 

Cruz Credo!


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Atenção “Pés de vento”

Fonte: http://www.arionaurocartuns.com.br/charge60.shtml

Se a moda pega, mais um instrumento de controle de velocidade nas rodovias, poderá  ser implantado no Brasil. Além da autuação dos radares convencionais, a fiscalização da velocidade em SP poderá ser mais eficaz, calculando a velocidade média e pegando de jeito os “espertinhos” do trânsito que tem hábitos nada saudáveis de reduzir no radar fixo para logo em seguida, voltar a acelerar.   

Segundo a folha online  A autuação seria possível com a implantação do pedágio por km rodado, que deve ser efetivada em todo o Estado (de SP)  em 2013. Os mesmos sensores usados para a cobrança eletrônica detectariam a velocidade em um trecho…

…Alckmin (governador de SP) disse que a multa por velocidade média é ainda “uma possibilidade”. “Inclusive, é preciso avaliar a questão jurídica, legal. Não tem uma decisão, isso é uma hipótese”, completou.

Projeto do deputado federal Edinho Araújo (PMDB-SP), em tramitação na Câmara, prevê implantar no país a multa com base na velocidade média. O projeto será avaliado por comissões e não precisa ir ao plenário”.

 Seria uma excelente medida, porém como os governantes e a maioria dos legisladores gostam de ser “bonzinhos” com infratores do trânsito, principalmente com eleição chegando, relegando a tragédia diária da absurda mortalidade nas estradas e cidades brasileiras, temos aqui muito pano pra manga.

A velocidade mata. O seu efetivo controle é igual ou mais importante do que a tão discutida tolerância zero.  

Não adianta querer ser “simpatiquinho” no trânsito. Na promoção da PAZ NO TRÂNSITO  as medidas  tem que ser duras, e talvez antipáticas para os condutores teimosos. Tem que doer principalmente no bolso!

Caso contrário continuaremos a pertencer ao clube dos países assassinos no trânsito.


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A universidade livre do mundo.

“O Dalai Lama deu um curso de seis aulas em Stanford, nos Estados Unidos, sobre a compaixão (veja aqui). Para quase todos os brasileiros, essas instigantes lições ficariam clandestinas, perdidas num canto na internet e inacessíveis por causa do inglês. Mas agora estão organizadas num portal chamado Veduca traduzidas em português (o detalhamento aqui).”

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gilbertodimenstein/1070968-a-universidade-livre-do-mundo.shtml


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Pobre menino rico (ou a culpa do morto)!

http://domusdraconis.net/deuses-do-trovao-mitologia/

O deus do trovão, mestre das tempestades ou príncipe brasileiro, de acordo com as definições do seu próprio pai, acabou em todas as manchetes. Foi sem dúvida o acidente de trânsito mais comentado do ano no Brasil. Como assim acidente?

Vale conferir o artigo de Ruth de Aquino (pg 124) da revista Época da semana passada. Julgamentos à parte ela diz: “Não entendo por que pais ricos incentivam filhos jovens a dirigir máquinas velozes em estradas ruins”. Outros réus no banco incluindo condutores, Governo e o próprio Judiciário, o que concordo, absolutamente. 

Eike, o pai ricaço que de imediato, condenou o morto, pede que atire a primeira pedra no motorista que nunca tomou uma multa por excesso de velocidade no trânsito.

Com certeza, como no exemplo cristão da mulher adúltera, poucos motoristas poderiam atirar  as tais pedras. No caso Thor, porém, não se trata de apenas uma multa.

Estudos indicam que seria “normal” cada um de nós motoristas, receber em torno de uma multa ano, seja lá de que infração for. Isso pode ser atribuído a nossa condição humana. Nós mortais, segundo o ensinamentos kardecistas, estamos longe da perfeição. Estamos aqui para evoluir. 

Estresse urbano, pressa, distração, falha na sinalização,  iluminação, sistema viário, educação …. enfim , não faltam motivos para de vez em quando nos depararmos com a desagradável surpresa de receber uma notificação de infração pelo correio.

Organizei há alguns anos, um seminário técnico onde o slogan era: O acidente é a infração que não deu “certo”

Mostramos o cruzamento dos bancos de dados de infrações x acidentes.

Demonstramos estatisticamente que a grande maioria dos acidentes graves estava associado a prática de infrações. Deixando claro: Pessoas envolvidas em acidentes graves, na maioria dos casos, tinham um grande histórico em cometimento de infrações

Este estudo, serviu como referência para a realização de uma série de ações educativas com infratores, incluindo motoristas de ônibus, onde mostrávamos que eles pertenciam ao grupo de risco de matar e morrer.  

No caso Thor, não foi diferente. Em seu “currículo” além de constar um outro atropelo a um ciclista, ocorrido em maio do ano passado, consta uma lista de infrações que geraram mais de 40 pontos em sua carteira (o máximo permitido é de 20 pontos ao ano) motivo para a suspensão do direito de dirigir, que obiviamente não ocorreu. . O deus do trovão declarou que não tinha conhecimento da pontuação. Endereço incerto ou não sabido?

O pai de Thor declarou-se preocupado com a possibilidade de que o filho poderia ter morrido por imprudência do morto, Wanderson da Silva de 30 anos, ajudante de caminhoneiro, que já não pode dar sua versão dos fatos.

 Me fez lembrar um texto de Jurandir Freire Costa, publicado há tempos atrás,  na Folha de SP, onde ele fazia uma reflexão sobre a morte por atropelo de uma empregada doméstica, negra, esmagada no asfalto,  por sucessivos carros em alta velocidade, na avenida das Nações do Rio de Janeiro. Refletia dentre outras coisas sobre o valor diferencial dos indivíduos.

Ao pai de Thor, alguém deve informar que, de acordo com as estatísticas em que acidentes tem a ver com infrações, ele está no grupo de risco, ainda que seus carros sejam milionários. Continuando a “chegar a 280Km na Dutra, porque gosta de sentir o carro”, como o mesmo declarou, poderá no futuro próximo não sobreviver, para contar a versão da sua próxima história.

Aos gestores do trânsito vale implorar que reduzam e controlem com todos os mecanismos existentes da engenharia ou tecnologia, as velocidades nas áreas (e proximiddes ) urbanas. Ainda que sejam pistas de rodovias onde tenha sido prometidas reduções dos tempos de viagem, fluidez e outras barbáries. 


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Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece!

 

Pense num absurdo…

Bem ali no Comércio nos fundos da bela Associação Comercial, ao lado do restaurante Colón onde é tradicional o excelente filé malpassado.

Ponto de grande tráfego de pessoas que trabalham nos escritórios, lojas e bancos  e também de turistas que chegam pelo Porto, pelo Elevador Lacerda ou  Plano Inclinado (quando funcionam),  que vão ao mercado Modelo.

E eis que de repente, não mais que de repente,  você se depara com um passeio CERCADO COM TELA? DÁ PRA ACREDITAR?

E.P.P- Espaço Público Privado

Há muito sabemos de invasões de áreas públicas, como por exemplo apropriação de áreas reservadas para vias marginais, galerias de edifícios, áreas verdes incorporadas a condomínios etc etc etc. Aqui todo mundo acha que tem direito a reserva de vaga na via pública. Como (contra) exemplo o trecho da mesma rua no prédio do Patrimônio da União, cujas correntes na rua já devem ter feito muitas vítimas (pedestres).

Tropeçar é normal!

Péssimo exemplo!

Mas…porém…. todavia….. contudo….. assim já é escancarar! Pelo mato que cresceu “DA  PRA  VER“  QUE A COISA JÁ TEM TEMPO.

Pedestres na rua com risco de atropelos e calçada cercada, bem nas barbas da Prefeitura . NOSSA SALVADOR É UMA CIDADE SEM LEI!

ABSURDO? Salvador Tem.

Absurdo

Salvador Tem.


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O Especialista V- J Pedro Correa

J Pedro (Jota Pedro)

Conhecido nacionalmente, Jota Pedro é a grande referência quando se fala em Programas de Segurança do Trânsito. Consultor do Programa de Segurança do Trânsito da Volvo do Brasil, também contribuiu para  minha gestão enquanto estive na Superintendência da antiga SET.

Confira abaixo as idéais dele participando e dando a sua opinião em comentários.

BT) O número de mortos no trânsito no Brasil vem aumentando. Na sua opinião onde está o erro?

·   JP-      Claramente na desimportância que o tema significa para os governos (qualquer nível) e mesmo para a própria sociedade. Não temos um plano nacional de redução de acidentes, não temos um Programa de Segurança no Trânsito, não temos sequer estrutura mínima nos órgãos federais, estaduais e municipais para tratar do tema. Quando muito temos, nas prefeituras, áreas de engenharia de tráfego (!!!) e de educação de trânsito mas que não formam uma equipe que trabalhe dentro de um plano de ação comum para reduzir a violência e as fatalidades. Para complicar a maioria absoluta das prefeituras e dos Estados (Detrans, especialmente) não divulga os números de mortos e feridos na cidade e, quando o faz usa os números mais baixos, geralmente da Polícia militar que faz o policiamento de trânsito e que usa os números de fatalidades ocorridos na hora e no local do acidente e (quase) nunca os números da própria Secretaria Municipal de Saúde que registro as mortes de acordo com os registros dos Atestados de Óbitos da cidade que geralmente são duas ou três vezes maiores. Por isso não surpreende que o número de mortos cresça: de verdade ninguém se interessa a não ser os familiares e eventualmente amigos mais próximos dos que morreram. Não conheço nenhuma cidade brasileira que tenha um programa claro de redução de vítimas fatais que revele seus números reais e que proponha um pacto com a sociedade de como reduzi-los.

BT) O congestionamento das cidades pode ser resolvido com a construção de novas vias, viadutos e túneis?  

·     JP-    O congestionamento das nossas cidades certamente é um problema complexo mas evidencia duas verdades claras: de um lado ele é resultado da globalização, com seus efeitos nocivos sobre as cidades; de outro revela a derrota do gerenciamento de trânsito, incapaz de resolver o problema do fluxo de um lado e de outro, ineficaz para melhorar o transporte coletivo, o que provocaria menor uso dos carros particulares e, assim, descongestionando os centros urbanos. Como quase todos os problemas modernos, precisaria ser atacado de forma estratégica através de uma abordagem sistêmica, isto é, a partir das inúmeras variantes como: engenharia de tráfego, comunicação (programas/campanhas), saúde (stress), meio ambiente (poluição), economia (horas perdidas no trânsito) e a própria atratividade das cidades, que, sem grandes congestionamentos, poderia se capacitar a disputar bons investimentos industriais para seu município. Infelizmente enquanto as administrações municipais forem atacando o problema de forma individualizada, sem que as partes formem um todo, vamos continuar agravando a qualidade de vida das cidades e da população. Por incrível que pareça, o desafio dos nossos governantes é convencer a sociedade de que a cidade é do povo e, em nome dele não deve ser medida esforço.

 

BT)  A cadeia é solução para os crimes de trânsito?

·         JP- Se cadeia fosse solução, o problema estaria resolvido há muito tempo. Todo mundo sabe que a raiz do problema está na (falta de) educação do nosso povo. Não temos nem educação nem cultura de segurança no trânsito, o que explica nosso comportamento desarvorado e inseguro no trânsito. A solução certamente passa pela inserção do tema trânsito no cotidiano da sociedade. Como se consegue isto? Investindo 10-20% do que desperdiçamos todos os anos pagando custos das centenas de milhares de acidentes por todo o País. A solução é conhecida há muito tempo mas não encontramos vontade política para organizar o processo.

 

BT) Como você avalia a eficácia da Lei Seca? 

·       JP-   Embora o nome não seja o mais correto, ela cumpriu bem a primeira etapa que era provocar um choque e enquadrar os que bebem e dirigem. Infelizmente, dentro de uma tônica bem brasileira, não damos continuidade às ações e, para valer, a Lei Seca ficou quase que só nas ações iniciais. O que vemos, hoje, é que a turma já viu que esta é mais uma lei que não pega e, simplesmente deixou para lá. Os bares, que haviam alugado carros/taxis para levar seus clientes em casa, pararam há muito tempo com esta prática. Enfim, para recuperar agora, será necessário um enorme esforço, muito maior que o inicial para repor as coisas no devido lugar. Ficou claro que a sociedade quer mas, como tudo no País, quando não há fiscalização, a coisa não funciona.

BT) Como o ensino universitário pode contribuir para um trânsito melhor?  

·     JP-    O Brasil só chegará ao primeiro mundo real pelo saber, pelo conhecimento, pela capacidade intelectual da sua gente. Se não gerarmos conhecimento efetivo, que nos ajude no enfrentamento dos grandes desafios brasileiros, sempre teremos dificuldades. O ensino universitário tem uma enorme contribuição a dar ao País em todos os campos e assim também será na área de trânsito. O que, de fato, observo é que este conhecimento não está sendo estimulado através de investimentos, pesquisa, formação de quadros que possam ajudar a gerenciar o complicado trânsito brasileiro. Imaginem que até hoje o País não possui um cento de estudos de trânsito, um instituto de pesquisa, uma boa escola de engenharia de tráfego, enfim, há um campo extraordinário a ser explorado para dominarmos efetivamente a realidade do nosso trânsito. A Universidade tem as respostas, mas é preciso saber buscá-las.


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