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Como um curso de Mestrado pode ser útil em sua carreira?

Especialista explica as diferenças entre as duas modalidades deste tipo de curso: os mestrados acadêmicos e os mestrados profissionais

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
- Atualizada em

A maioria das pessoas costuma pensar que os cursos de mestrado destinam-se, apenas, a aqueles que pretendem lecionar ou se tornar pesquisadores. Essa ideia é equivocada. Todavia, antes de explicar sobre a importância de um curso de mestrado para a sua carreira, precisamos deixar claro que existem duas modalidades deste tipo de curso: os mestrados acadêmicos e os mestrados profissionais.


Os alunos do Mestrado Acadêmico tem foco no desenvolvimento de novas teorias e/ou na explicação de novos fenômenos com vistas a contribuir para o avanço da fronteira da conhecimento científico. Já no Mestrado Profissional, o aluno tem uma experiência mais prática, buscando aplicar  os conhecimentos adquiridos  nos problemas práticos vivenciados pelas empresas ou pela sociedade.


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Os cursos de mestrado destinam-se a todos aqueles que querem aprofundar os seus conhecimentos sobre determinada área, independente da finalidade que guie este desejo. Ao se lançar neste desafio, o aluno adquire, além de informação específica, o raciocínio crítico,  a capacidade de pensar segundo um método científico e analítico, a habilidade para se expressar por escrito e para articular ideias e argumentos em prol da comprovação de uma hipótese.


Esses benefícios “acessórios” acabam por se transformar, ao lado do tão almejado diploma em características valorizadas pelo mercado. Isso sem falar que ao concluir um curso de mestrado, você fará parte de uma elite intelectual composta por menos de 2% da população. Em tempos de grande competição pelas melhores vagas, não é nada mal, não é mesmo?


Um estudo realizado pela consultoria de carreiras Produtive, publicado na página Uol Economia em setembro deste ano,  mostra que a especialização não é mais suficiente para ser competitivo no mercado de trabalho. De acordo com o estudo, que consultou  cerca de 400 executivos,  68% deles já cursaram pelo menos uma pós-graduação do tipo. Ainda de acordo com esta pesquisa, o salário médio de um executivo graduado é de 5,8 mil reais. Este valor sobe para 9,3 mil caso ele tenha especialização e atinge os 13, 8 mil caso tenha concluído um mestrado.


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A noticia ruim é que a oferta dessa modalidade de curso de pós-graduação não é tão farta como no caso das especializações. Para início de conversa, os cursos do tipo stricto sensu (categoria em que se enquadram os programas de mestrado e doutorado) não podem ser oferecidos livremente, estando submetidos à autorização e avaliação contínua por parte da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) que determina, inclusive, a quantidade de vagas de cada programa. Em sendo assim, não é incomum que a busca pelo curso que melhor atenda aos anseios do candidato tenha que ser feita com uma abrangência geográfica mais ampla, muitas vezes recorrendo-se a instituições de outros estados ou países.


A maior parte dos cursos é oferecida por Instituições Públicas federais ou estaduais. Todavia, a oferta por parte de Instituições privadas tem crescido, o que tem facilitado o acesso daqueles que trabalham e não podem ter aulas nos turnos matutino ou vespertino. Apesar de pagos, os cursos privados contam com bolsas oferecidas pelas agências de fomento à pesquisa e, agora, mais recentemente, com financiamento pelo sistema FIES.


Quanto à escolha do melhor curso, o candidato deve fazer uma triagem inicial dos cursos que lhe interessam enquanto pesquisador. Essa etapa é facilmente cumprida uma vez que as informações mais importantes sobre os programas estão amplamente disponibilizadas em suas páginas na internet e na consulta ao site da própria CAPES, que traz a lista de todos os cursos com suas respectivas avaliações. Os cursos de mestrado e doutorado são  reavaliados a cada triênio e, a cada um, é atribuída uma nota em uma escala, crescente, de 1 a 7 (não se permite o ingresso em cursos com avaliação 1 ou 2). Uma vez tendo se certificado do quesito qualidade, importante verificar a sua adequação, e isso é feito analisando-se as áreas de concentração, linhas de pesquisa e disciplinas ofertadas, assim como a composição do corpo docente.


É desejável que, ao se candidatar a esse tipo de curso, você já tenha experiência prévia com pesquisa - através da participação em grupos de pesquisa ou em projetos de iniciação científica, por exemplo – que o habilite, ao menos, a elaborar um projeto de investigação bem estruturado e defensável perante uma banca. Um currículo recheado de publicações (em periódicos científicos e eventos) também ajuda. Aliás, o currículo nesse tipo de seleção é uma questão a parte pois, diferentemente do que acontece no mercado, deve ser elaborado de acordo com o padrão de uma plataforma específica, chamada de plataforma lattes e disponibilizada no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Outra dica interessante é tentar cursar algumas das disciplinas ofertadas na condição de aluno especial, isso proporciona uma maior familiarização com a dinâmica do programa e uma aproximação com o corpo docente, o que pode ser útil em eventuais necessidades de adequação candidato/curso.


No que tange aos cursos oferecidos por instituições estrangeiras, requer-se cautela em dobro. Os diplomas expedidos nessa circunstância somente tem validade no território nacional se revalidados por alguma instituição brasileira que ofereça curso com nível e teor semelhante. Em que pese haver excelentes oportunidades no exterior, notadamente em áreas da ciência consideradas de vanguarda, muitas vezes a revalidação não acontece  e o candidato perde o seu tempo e dinheiro. Portanto, procure se informar melhor antes de, literalmente, embarcar nessa decisão.


Por fim, se você pretende lecionar no ensino superior, saiba que o mestrado é realmente o único caminho.  Quanto a isso, o senso comum está certo. Pense nessa alternativa.





Profa. Dra. Carolina Spinola
E-mail: valorh@valorrh.com.br
Consultora da Área de Negócios da ValoRH. Administradora, com mestrado em Administração e Doutorado em Geografia, com ênfase em Desenvolvimento Regional. Professora Universitária e Coordenadora de Curso de Pós-Graduação.




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