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SALVADOR

Rodoviários se reúnem em assembleia para discutir rumos da greve

Greve é mantida, mesmo após Justiça aumentar salários e tíquetes

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26/05/2012 às 9:19 • Atualizada em 27/08/2022 às 1:39 - há XX semanas
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Se as chuvas não têm dado trégua aos soteropolitanos, a previsão para os próximos dias será de mais transtornos sem ônibus nas ruas. Após o julgamento do dissídio coletivo dos rodoviários, realizado ontem no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a categoria decidiu manter a greve por tempo indeterminado, recusando o aumento de 7,5%, determinado pelo TRT, e desacatando a ordem judicial para o retorno imediato das atividades. No julgamento do dissídio coletivo, a desembargadora Maria das Graças Boness relatou que um conjunto formado por quatro desembargadores concedeu, após debate e votação, um aumento de 7,5% para a categoria, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além do aumento do tíquete-refeição, de R$ 10,60 para R$ 11,22, e o retorno do quinquênio - benefício concedido a cada cinco anos de trabalho na empresa. O TRT considerou ainda a greve abusiva e determinou que, se o Sindicato dos Rodoviários (Sintroba) não retomasse as atividades ontem, pagará uma multa de R$ 150 mil, descontada diretamente da conta bancária da organização. Em seguida, a cada 24 horas serão descontados mais R$ 50 mil, além de descontos dos dias parados.
O Sindicato das Empresas de Transporte (Setps) também será penalizado. A desembargadora determinou que os patrões paguem uma multa de R$ 75 mil no primeiro dia e R$ 25 mil nos subsequentes. A avaliação dos desembargadores é que não houve pró-atividade dos patrões para que os rodoviários que quisessem trabalhar conseguissem colocar os ônibus nas ruas. “A greve foi considerada abusiva. É público e notório o descumprimento abusivo da determinação (da frota mínima). A população está sofrendo. Não são todos os rodoviários. É um grupo radical que não se importa”, destacou a desembargadora. Sobre as medidas da Justiça para forçar os rodoviários a retomar as atividades, a desembargadora limitou-se a dizer que o primeiro instrumento de coerção será o bolso. “Vamos bloquear os valores enquanto a população não tiver o serviço. Todos os bancos já foram notificados. Para desobediência de ordem legal existe também mecanismos de ordem criminal, mas o primeiro vai ser no bolso”, disse. Protesto Ao ouvir o pronunciamento da desembargadora relativo ao aumento no tíquete, parte dos rodoviários que assistia ao julgamento saiu protestando do Tribunal. “Ô, rodoviário parou”, gritavam, enquanto seguiam para a assembleia na Sete Portas. “Tivemos aumento de 2,5% de ganho real. Não é desprezível. É um dos maiores do país. O retorno do quinquênio foi a nossa maior vitória. Tudo isso não é desprezível, mas vocês que decidem”, bradava o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Manoel Machado, para cerca de 150 rodoviários na assembleia. A resposta dos manifestantes foi quase unânime. “A greve continua”. Para manter a greve, Machado disse que o sindicato adotará as mesmas táticas. “Os rodoviários acharam pouco o aumento e rejeitaram a proposta. Todos os pontos ficaram aquém da necessidade da categoria. Nossa proposta estava em torno de 11%”, analisou o presidente do Sintroba, ao sair da assembleia no Sindicato dos Eletricitários, no fim da tarde de ontem. “Hoje (ontem) vamos continuar fazendo piquetes nas garagens. Amanhã (hoje) teremos uma outra assembleia às 15h”. A direção do sindicato, que é alvo de investigações da Secretaria da Segurança Pública (SSP) por irregularidades encontradas por Paulo Colombiano - assassinado em 2010 quando era tesoureiro da entidade -, disse que não sabe se a organização tem dinheiro disponível para pagar a multa imposta pelo TRT. “Não tem dinheiro na conta do sindicato, mas vamos ratear. Se tiver esse valor na conta, vai ser bloqueado”, disse Machado. As multas dos três primeiros dias (R$ 50 mil por dia) de greve ainda serão julgadas em medida cautelar no TRT a partir de segunda-feira. Jegue “Estamos sendo punidos por abusividade, mas não fomos ilegais. Nós não tínhamos transporte para chegar ao nosso trabalho, mas a Justiça achou que a gente tinha que ir de jegue”, ironizou Machado sobre a multa. O advogado do Sintroba, Gervásio Firmo, disse que pretende entrar com recurso. “Vou pedir reforma do acordo para que revejam alguns pontos como a multa, que é pesada e foi diferente para patrões e empregados, e o valor do tíquete”, ressaltou. O diretor de relações trabalhistas do Setps, Jorge Castro, avaliou o aumento como “fora da realidade do Steps”. “É uma grande preocupação porque não tinhamos como pagar os 4,8% e agora com os 7,5% vai ter um aumento de R$ 4 milhões por mês na folha de pagamento”, ressaltou. Com o retorno do quinquênio, o Steps avalia um aumento nas despesas de R$ 700 mil mensais. Proposta da Categoria Reajuste de Salário Reivindicavam ajuste de 13,8% no salário-base; Quinquênio Queriam o retorno do quinquênio, retirado em 2006; Tíquetes-Refeição Pediam 30 tíquetes por mês de R$ 12. Proposta dos Patrões Reajuste de Salário: Aceitavam reajustar os salários em 4,98%; Quinquênio: Se negavam a conceder o quinquênio; Tíquetes-refeição: Queriam manter os atuais 26 tíquetes por mês de R$ 10,60. Decisão da Justiça Reajuste de Salário: Fixou o reajuste dos salários em 7,5%; Quinquênio: Determinou o retorno do pagamento do benefício; Tíquetes-refeição: Aumentou para R$ 11,22, mas manteve quantidade em 26. Tensão em garagem de empresaA tensão aumentou entre rodoviários grevistas e rodoviários que foram trabalhar na manhã de ontem, em frente à garagem da empresa Expresso Vitória, em Pirajá. De acordo com os rodoviários, um funcionário da Expresso Vitória teria jogado o carro para cima dos grevistas quando eles tentavam convencê-lo a não ir trabalhar. “Não somos boliche para o carro ficar se jogando em cima da gente”, disse um dos rodoviários em meio à confusão. Os apoiadores da paralisação garantem que continuam fazendo um piquete pacífico. “Não estamos barrando ninguém. Quem quer entrar entra. São os seguranças da empresa que estão causando problema. Alguns funcionários da Expresso Vitória estão com raiva da gente, porque tentamos dialogar para eles não irem trabalhar”, afirma Joel de Jesus Santos, 50, cobrador da própria Expresso Vitória e dirigente sindical. A versão dos rodoviários que estavam na empresa, contudo, foi diferente. Três deles – dois motoristas e um cobrador, que não quiseram se identificar – afirmam que foram agredidos pelos colegas quando tentavam entrar na empresa. “Tentaram tomar a frente da gente, tentaram me agredir. Eles têm o direito de barrar a saída dos ônibus, o que já não é muito certo, mas tão barrando a gente de entrar. Isso é muito errado”, afirmou um cobrador que conseguiu entrar na empresa após, segundo ele, ter sido perseguido. “Eu sou funcionário da empresa, eu sobrevivo com o salário da empresa, então fico à disposição”, diz. Estação do Iguatemi vira atalhoTerceiro dia de greve, população na ânsia do fim do martírio. O dia ainda começou com chuva. Na Estação de Transbordo do Iguatemi, o movimento era tão incomum que cidadãos andavam livremente pela pista exclusiva de ônibus, a pé e de bicicleta. Morador da avenida Luís Eduardo, no Cabula, o motorista particular José Fernando Nascimento, 21, costuma usar a bicicleta para ir até o trabalho, na avenida ACM. Ele aproveitou a pista livre da estação para chegar mais rápido. “Estou usando esse caminho desde o primeiro dia da greve. Não é que seja proibido passar nos dias em que os ônibus estão rodando, mas é perigoso”, conta. Comerciantes aproveitaram para enfeitar as grades do transbordo com seus produtos. Jocimário dos Santos, 25, resolveu pendurar alguns guarda-chuvas para chamar a atenção dos poucos pedestres. “As vendas caíram 50% com a greve. Com a chuva, pelo menos a gente pode aproveitar para vender os guarda-chuvas”, confia.

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