Salvador

Encontrou um pinguim? Saiba para onde os animais são levados

A “temporada” de pinguins começa em agosto e pode se estender até novembro

Camila Queiroz (camila.queiroz@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Achar um pinguim na Bahia pode parecer tão estranho quanto encontrar um urso polar na floresta amazônica. Mas estes animais de jeito engraçado têm sido encontrados em diversos locais do estado durante este mês, atraindo a atenção dos baianos.


Na Bahia, os pinguins estão aparecendo desde o litoral do sul do estado até Salvador, segundo Fernanda de Azevedo Libório, veterinária e analista ambiental do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ela explica que, na maioria das vezes, os animais aparecem sozinhos, mas também surgem em bandos pequenos, formados por cerca de cinco aves. Algumas vezes, eles aparecem já mortos.


Provenientes da Patagônia, as aves viajam em uma corrente marítima e, ao invés de chegar até o Espírito Santo, onde deveriam retornar e descer novamente, acabam sendo trazidos para o litoral da Bahia. Seja por um cardume ou por ter seguido pelo caminho errado, os animais surgem nas águas baianas muitas vezes debilitados. Alguns terminam encalhando nas praias e necessitam de cuidados.


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Quando ficam encalhadas no litoral, os animais são resgatados e levados para o Cetas. No local, os pinguins recebem medicamentos, vitaminas e todos os cuidados de uma equipe formada por funcionários do Ibama, auxiliados também por estagiários do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).  


Esta “temporada” de pinguins começa em agosto e pode se estender até novembro, segundo a veterinária. Em alguns anos, os pinguins aparecem mais por aqui, como aconteceu em 2008 e, em outros, eles nem passam pela Bahia, como foi o caso do ano passado.


De acordo com Fernanda, cerca de 80 pinguins chegaram ao Cetas neste ano, sendo em média quatro por dia. Somente nesta terça-feira (28), cinco pinguins chegaram ao centro e a expectativa é de que aproximadamente 200 animais cheguem até o final desta “temporada”.


Alguns pinguins chegam machucados, outros até doentes. Em visita ao Cetas, a reportagem do iBahia notou que muitos deles tinham dificuldade de ficar em pé. A maioria dos animais, além de sofrer ao se perder da corrente marítima, também são prejudicados pela ação humana. De acordo com a veterinária, há animais que chegam com um anzol, com toxinas ou vários restos de lixo no intestino. “Todo aquele lixo que o povo joga no mar eles acabam bicando”, explica.


Fernanda diz que, apesar de toda a dedicação e cuidados, inclusive com medicamentos, o índice de morte é alto. “Eu estou com um índice de morte de 50% destes animais”, lamenta. O tempo e a possibilidade de recuperação depende de cada pinguim. Um deles, por exemplo, apesar de estar aparentemente bem, está com um anzol no final da cloaca e deverá ser submetido a uma cirurgia, que pode ser ou não bem sucedida.


O Cetas conta com o auxílio do Inema, que está doando medicamentos. O centro também está fazendo o pedido emergencial de aquisição de mais remédios. A veterinária explica que não era esperado receber tantos pinguins e  que precisam de uma série de medicamentos específicos que não são necessários para os animais que geralmente chegam no Cetas. A instituição cuida de todo o tipo de animais silvestres, como jabutis, macacos, papagaios, micos e araras.


Volta para casa

A volta para casa está chegando perto para alguns pinguins. Segundo Fernanda, a previsão é de que grande parte das aves seja enviada na próxima semana para o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), no Espírito Santo. Lá, há um projeto que leva um navio em alto mar e soltam os animais. Entretanto, ressalta a veterinária, antes de serem soltos, estes animais precisam estar sadios, acima de 4,5kg e com alguns exames e protocolos requisitados.


Leia atentamente algumas instruções

O texto é adaptado do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), que autorizou o CETAS a utilizá-lo
O texto é adaptado do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), que autorizou o CETAS a utilizá-lo


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