FLICA

Flica reúne três autores internacionais em sua sétima edição

Marcarão presença no evento a nigeriana Minna Salami, a moçambicana Paulina Chizane e o cubano Carlos Moore

Marília Moreira (marilia.silva@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Sediada em Cachoeira, a histórica cidade que fica a 120 quilômetros de Salvador, a Flica conta, nesta sétima edição, com três autores internacionais em sua programação. Além da nigeriana Minna Salami, também marcarão presença no evento a moçambicana Paulina Chizane e o cubano Carlos Moore.

É Moore, inclusive, um dos participantes da mesa de abertura do evento, amanhã, às 15h. Ao lado do escritor paulista Cuti, ele discutirá o tema Os Reflexos do Passado Ancestral em Nossa Pele, em um diálogo mediado por Zulu Araújo.

Cubano Carlos Moore participa da mesa de abertura amanhã, às 15h

Nascido em Cuba, Moore, 70 anos, falará da sua experiência como cidadão exilado, já que aos 16 anos precisou deixar o país pela primeira vez por conta de uma guerra  civil para viver em Trinidad e Tobago com os pais. Com a ascensão de Fidel, os Moore voltaram para Cuba e o jovem Carlos, aos 18, retornava à sua pátria acreditando que encontraria um cenário mais otimista do que deixara. Mas, decepcionado com a exclusão social e política de que a população negra era vítima, Moore, manifestou-se contra Fidel por questões raciais. Foi duramente reprimido pelo regime, preso e acabou deixando Cuba definitivamente aos 21 anos.

Pela primeira vez na Bahia, a escritora Paulina Chiziane participa da mesa A Máxima Potência que Habita as Palavras, que acontece no sábado (7), às 20h, e ainda conta com a presença da atriz e poeta Elisa Lucinda, com mediação da poeta Lívia Natália.

Uma das escritoras africanas de maior projeção na atualidade, Chiziane é também a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique.

A presença de autores do continente africano é algo recorrente na história do evento. Segundo o escritor e jornalista Tom Correia, que pelo primeiro ano assume a curadoria da Flica, depois de ir como espectador, mediador e também autor convidado, a Flica tem interesse nesse diálogo e aproximação. “É um continente onde temos raízes culturais profundas. A literatura africana fala também do que somos hoje, da nossa identidade original, então nada mais natural do que buscar sempre conhecer as autoras e autores africanos que estão publicando trabalhos interessantes e ainda pouco divulgados no Brasil”, comenta.

Nos anos anteriores, marcaram presença na Flica os angolanos José Eduardo Agualusa e Pepetela, os nigerianos Uzodinma Iweala e Helon Habila, as norte-americanas Sylvia Day e Kiera Cass e o escritor espanhil Javier Moro. Ao todo, são quatro dias de evento, que se encerra no domingo, e a programação é inteiramente gratuita.