Veio da Periferia

Conheça Cibelle Araújo (Belle), a 2ª DJ negra de Salvador

DJ Belle, como é conhecida no cenário musical baiano, se tornou inspiração e tem como objetivo profissionalizar outras mulheres

Redação iBahia
31/07/2022 às 20h30

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Foto: iBahia

Nascida e criada em Alto de Coutos – bairro do Subúrbio Ferroviário de Salvador, Cibelle Araújo – conhecida no cenário musical baiano como DJ Belle, não tinha o sonho de viver de música. Mas, o que ela não sabia, em 2015 quando começou a carreira, é que ela se tornaria a 2ª DJ negra da cena Hip Hop de Salvador. A musicista tem na família um legado musical incentivado pelos tios, mas foi na discotecagem que ela reconheceu sua identidade.

“Eu já nasci no meio da música, praticamente, porque na minha família têm vários músicos. Eu já tinha influência do meu tio, que me ensinou a tocar violão; da minha tia também, que é cantora. Então, quando eu entrei na escola tinha a fanfarra e eu participei da ala percussiva da banda. Nisso, eu passei a frequentar batalhas de MC’s, de rap, foi aí que eu vi os DJ’s lá, com aqueles toca discos enormes, aquele movimento e descobri que já gostava”, explicou.

Não demorou muito para a jovem ir em busca de mais conhecimento. O desejo de estar à frente do mixer era algo, até então, único e individual. Mas, ela teve uma ajuda, e tanto, para que a união entre o talento e a execução se tornassem realidade. Foi através das aulas ministradas por DJ Jarrão, que Cibelle se tornou ‘Belle’ e começou a conquistar o próprio espaço.

Foto: Bahia FM

“Ele é o paizão de quase todos os DJ’s de rap de Salvador. Quase todos os DJ’s de rap daqui foram alunos dele. Eu vi no facebook um anúncio e fui lá ver como era. No primeiro contato com o toca disco, parecia até que eu já sabia. Ele ficou até assustado, porque eu peguei já sabendo o que eu estava fazendo, e aí foi amor à primeira vista. Cheguei em casa e disse: ‘Mainha, vou ser DJ'”, contou.

Quando se fala em influências musicais, Belle exalta às belezas e a diversidade que só o Subúrbio de Salvador possui. Para ela, é importante estar próxima de ‘casa’ mesmo rodando pelo mundo.

“Eu sou cria da favela, né? Então, na favela a gente tem de tudo. Eu morava em Alto de Coutos, e todo final de semana, na janela do meu quarto eu já ouvia o paredão e pagodão na veia. E eu trouxe isso pra discotecagem, porque DJ, pra mim, tem que saber tocar de tudo. Hoje ,eu toco em todos os lugares e abraço tudo”, brincou.

Foto: Divulgação

Representatividade

Além da versatilidade musical que carrega através do seu set list, Belle não esconde o orgulho de ser a 2ª DJ negra de Salvador. Para ela, é uma responsabilidade e tanto. Mas, ao mesmo tempo, acredita que é essencial se ver desta forma, principalmente quando se analisa o cenário, com poucas mulheres dominando as pickup’s.

“Na época, quando eu me formei só tinha uma DJ mulher negra em Salvador, que era Nai Kiese, e aí depois eu cheguei e, nós dividimos a atenção. Hoje, tem várias mulheres, graças a Deus, várias pessoas chegando e se inspirando”, explicou ela.

Durante a entrevista ao iBahia, Belle foi muito grata a todos que a ajudaram durante a carreira. De Jarrão a Nai, ela fez questão de evidenciar os amigos de profissão por conta “dos desafios vivenciados por eles diariamente”.

“É uma responsabilidade e o desafio é enorme, porque ainda é muito desvalorizado. Hoje, a gente corre 10x mais, e, eu, não só por ser mulher mas, também por ser preta e lésbica. Mas, isso é uma representatividade. É para o público uma inspiração, como eu me inspirei lá trás quando eu vi Nai, por exemplo. Então, é muito importante”, pontuou.

Hoje, DJ Belle segue com sua carreira, com um histórico de mais de 250 eventos já realizados e um grande sonho: “montar uma escola só de mulheres, de discotecagem só para mulheres. Ensinar música, só para mulheres e principalmente de periferia, nas comunidades, que é de onde em vim!”, finalizou.

Foto: Bahia FM

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