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Henzel planeja volta ao trabalho e quer narrar primeiro jogo da Chape em 2017

Jornalista falou sobre o que lembra do acidente e do resgate após o trágico acidente que vitimou 71 pessoas

Redação Goal
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Um dos seis sobreviventes da tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense para o jogo de ida da final da Copa Sul-Americana, o jornalista Rafael Henzel teve alta médica nesta segunda-feira (19). Ainda no hospital, o narrador disse em entrevista coletiva que espera voltar a trabalhar no início de janeiro e já quer narrar o primeiro jogo do Verdão do Oeste em 2017, contra o Joinville, pela Primeira Liga.

“Dia 9 de janeiro quero voltar a trabalhar e dia 25 de janeiro quero narrar Joinville x Chapecoense. Não sei como eu vou subir naquelas cadeiras lá, se eu estiver com alguma dificuldade para caminhar, por causa das lesões. Mas não quero saber, dia 25, Joinville x Chapecoense, eu vou estar lá. Eu não vou deixar passar. Eu tenho um dever muito grande com a comunidade de Chapecó, que acreditou. Vou para casa, mas vou ficar completamente no tratamento que resta, para eu voltar com tudo e com força”, afirmou Henzel, que ainda falou sobre o grande ano que a Chape terá pela frente.

Foto: Reprodução

“A gente tem um ano maravilhoso pela frente, a Chapecoense tem um ano maravilhoso. A gente tem que dar um passo para a frente. A gente tem que enaltecer, lembrar sempre daqueles que se foram, mas a gente tem que dar um passo para a frente. Eu quero ajudar, dentro da minha limitação, daquilo que eu posso fazer pela comunidade, para lembrar disso. Dois mil e dezessete será um ano maravilhoso para nós”, completou.

Henzel ainda falou sobre suas lembranças de antes e depois do acidente e fez questão de agradecer a equipe médica da chapecoense.

“Nos acomodamos até apagar luzes e turbina. Achava que o pior tinha passado e que ele ia retomar os motores. Não imaginava. A gente perguntava para o comissário e falavam, dez minutos, dez minutos, dez minutos. E por dez minutos perdemos 71 pessoas... Despertei vendo luzes, Renan à minha direita e Djalma à esquerda. Chamei e nada. Mas não tinha noção do que tinha acontecido. Meu banco ficou intacto. Fiquei preso pelo cinto, como se algo me segurasse. Foi milagre”, contou.

“Não tive pesadelos. Falei muito sobre isso. Perguntavam no hospital. Você vai falando e naturalizando. Quando acordei, levei susto. Avião não caiu, ele bateu. Não despressurizou, não caíram máscaras. Fiquei na parte de cima e o avião foi descendo a ribanceira”, acrescentou.

“Quero agradecer de coração ao doutor Stakonski, ao doutor Sonagli, ao doutor Mendonça. Depois do acidente, eu era o único que não era atleta. O tratamento poderia ter sido diferente. Eu era jornalista, de uma empresa, não faço parte do grupo da Associação Chapecoense de Futebol. Quando eu recobrei os sentidos, eles fizeram questão de dizer que eu estava com eles. Isso me deu uma tranquilidade muito grande, na Colômbia”, finalizou.