Chapada Diamantina

Curta-poético-ritual ‘Guardiãs do Nascimento’ traz a gestação como protagonista e mulheres na frente e por trás das câmeras; confira

Dirigido pela pesquisadora Janaína Martins, o filme traz o feminino nos seus aspectos selvagens e intuitivos durante a gravidez e os partos

Vanessa Aragão
22/06/2022 às 10h30

3 min de leitura
Foto: Acervo Vanessa Aragão

A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Janaína Martins, durante a pandemia, foi realizar o pós-doutorado em Artes Cenicas pelo PPGAC da UFBA culminando em uma produção artística audiovisual com a temática sobre gestação, parto humanizado e parteiras tradicionais de comunidade rural. Foi nesse contexto, portanto, que realizou um curta-poético-ritual sobre as gestantes e seus partos na Chapada Diamantina, interior da Bahia.

Eu, que fui acompanhar minha prima grávida do seu primeiro filho, a conheci e a descrevo como uma profissional amorosa e cheia de garra para realizar seu filme. Acompanhei filmagens preciosas na região e em cidades como Iraquara, filmarmos uma benzedeira de mais de 100 anos, no Capão e seus arredores.

Hoje, posso dizer que foi umas das experiências mais preciosas da minha vida. O filme foi lançado no dia 11 de junho e segue disponível por tempo indeterminado no Youtube do Cantos de Gaia, que é um Núcleo de Pesquisa e Extensão que a gaúcha, radicada em Florianópolis, coordena, vinculado à UFSC.

Foto: Acervo Vanessa Aragão

Com Janaína nessa direção amorosa e assertiva, Carolina Endi na trilha sonora, as benzedeiras, gestantes, doulas, parterias, mães, avós, amigas, e minha participação na fotografia still e em algumas filmagens, esse filme foi conduzido por mulheres que compreende a potência e a sensibilidade feminina em todos os campos, na frente e por trás das lentes, sobretudo nesse momento tão visceral, intuitivo e delicado que são os partos.     

‘Guardiãs do Nascimento’ conduz a uma jornada pelo ciclo gestacional até o nascimento, em uma travessia ritualística pelos quatro elementos da natureza, água, ar, fogo, terra. Nessa travessia poética e meditativa, os rituais são conduzidos por mulheres da Chapada Diamantina. Juntas, como guardiãs do nascimento, semearam amorosidades para esse sagrado rito de passagem que é a gestação e a chegada do ser humano aqui na Terra.

Foi realmente uma magia real ver isso tudo acontecendo, enquanto observadora-participante. Não contive as lágrimas ao ver o filme pronto, e sentir a potência dessas mulheres tão fortes, divinas e inteiramente na natureza nesse processo. É um verdadeiro filme-ritual sobre a potência feminina.

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