Candidata que fez campanha com o número errado recebeu três votos

O vereador mais votado do município teve 951 votos, enquanto o menos votado, mas ainda assim eleito, foi escolhido por 361 eleitores

Agência O Globo
A candidata a vereadora na cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia, que fez a campanha eleitoral com o número errado, recebeu três votos. Edilamar Quintão (PTN) fez a campanha eleitoral com o número 19.159, mas ao digitá-lo na urna se surpreendeu porque ele aparecia como inexistente. Foi então que ela descobriu que seu número era, na verdade, 19.789 e ela tinha feito os santinhos com os dados errados.
Apesar disso, a candidata recebeu o voto dela mesma e de outras duas pessoas, deixando-a longe de ser eleita. O vereador mais votado do município teve 951 votos, enquanto o menos votado, mas ainda assim eleito, foi escolhido por 361 eleitores. O caso de Edilamar ganhou repercussão nacional e, assustada, ela não quer mais dar entrevistas.
Segundo moradores da cidade, essa é a primeira candidatura da mulher, que fez a campanha com recursos próprios na cidade que tem 47 mil moradores. Familiares e amigos afirmaram que Edilamar decidiu não se pronunciar até contratar um advogado.
Neste domingo, em entrevista o site “G1”, Edilamar contou que estava muito abalada. “Estou me sentindo muito prejudicada, pois agora não dá mais tempo para nada. Vou ser a piada da cidade e com certeza minha candidatura foi por água abaixo. Essa situação é difícil”, desabafou.
Erro da própria candidata
O juiz da 1ª zona eleitoral de Rondônia, Paulo José do Nascimento Fabrício, afirmou ao EXTRA que o erro não foi da Justiça Eleitoral, mas sim da candidata.
— O candidato escolhe o número na convecção partidária e ele apresenta os dados no cartório eleitoral onde preenche e assina os documentos. Ou seja, ela escolheu o número, preencheu e pegou os documentos no cartório eleitoral — afirmou.
O magistrado acredita que a candidata ou o próprio partido dela, o PTN, possam ter errado na hora de confeccionar os santinhos.
— Ela não conferiu (os santinhos) com a documentação. A Justiça eleitoral recebe o pedido do jeito que o candidato quer, ela não cria nomes ou números. Tenho 30 anos de serviço público e nunca vi isso acontecer. Um candidato não fiscaliza o número é uma falha muito grave. Imagina fiscalizar os números da prefeitura — criticou.