Economia

Encher o bolso: veja como fazer seu dinheiro render em 2019

Segundo os especialistas, quanto mais diversificada for a carteira de investimentos, maiores serão a rentabilidade e a segurança num cenário de incertezas política e econômica

Agência O Globo
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Para fazer o dinheiro render mais em 2019, os brasileiros terão que fugir da poupança. Atualmente, a caderneta rende cerca de 4,5% ao ano, enquanto o Tesouro Direto, por exemplo, rende entre 9% e 10%. Mesmo após o desconto do Imposto de Renda (IR), os ganhos chegam, em média, a 8% ao ano, portanto, quase o dobro da poupança.

O Tesouro Direto, porém, não é a única opção. É possível ganhar mais com Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), debêntures, letras de câmbio, fundos multimercado e ações. Segundo os especialistas, quanto mais diversificada for a carteira de investimentos, maiores serão a rentabilidade e a segurança num cenário de incertezas política e econômica. 

Diretor da Academia Fiduc, Valter Police afirma que não existe um investimento certo, mas, sim, a opção mais adequada ao perfil do investidor e aos seus objetivos.

— Se o objetivo for de curto prazo, menos de um ou dois anos, ou se a pessoa for muito conservadora, não adianta querer milagre. O dinheiro tem que estar disponível, com pouca variação. Então, a rentabilidade é menor — disse.

Para projetos de longo prazo, como uma aposentadoria, e se o investidor tem um perfil mais arrojado, o especialista explica que investimentos com risco maior podem ser considerados para compor a carteira, já que garantem maior rentabilidade.

— O ano é de muitos desafios políticos para saber se a economia vai melhorar. É importante diversificar não apenas os investimentos, mantendo sempre uma reserva de emergência com liquidez imediata e baixo risco, mas diversificar inclusive os fornecedores, isto é, as instituições financeiras, as corretoras e as gestoras, comparando as taxas cobradas por cada uma — aconselhou Police.

Nelson de Sousa, professor de Finanças do Ibmec/RJ, explica que os investidores, especialmente aqueles com menos experiência, devem ter cautela ao aceitar os investimentos sugeridos pelas instituições e avaliar como se encaixam em seus objetivos:

— Há papéis de renda fixa, por exemplo, com resgate para o ano seguinte ou para 2050. O investidor precisa avaliar o prazo pelo que deseja deixar o dinheiro investido.

Além disso, de acordo com Myrian Lund, professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), as instituições fornecedoras só podem oferecer produtos adequados ao perfil de risco do investidor:

— Todo investidor, antes de aplicar o dinheiro, com exceção da poupança e do CDB, tem que preencher o questionário de análise de seu perfil. Todos os produtos vendidos têm uma classificação de risco de 1 a 5 (de baixíssimo a alto). Se o resultado for conservador, o gerente não pode oferecer fundos de ações, por exemplo. A não ser que o cliente preencha uma declaração a respeito — disse Myrian.

Para cada prazo, um plano

De acordo com a professora Myrian Lund, os investidores devem fazer planejamentos de curto, médio e longo prazos, levando em consideração seus sonhos e seus objetivos. Aqueles de curto prazo, como férias e reserva de emergência, precisam de liquidez diária. O objetivo financeiro, segundo Myrian, é buscar 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) nesses casos, que rende 0,5% ao mês — contra 0,4% da poupança.

Para planos de médio prazo, de dois a cinco anos, vale a pena investir em produtos sem liquidez diária, com resgate no vencimento. O rendimento é maior.

— Se tiver perfil moderado ou arrojado, pode investir em fundos multimercado, que têm volatilidade. Neste caso, podem alocar entre 20% e 30% dos recursos em dois ou três desses fundos. Priorize aqueles que rendam, em média, 120% do CDI — sugeriu.

Nos planos de longo prazo, pessoas com perfil arrojado podem acrescentar de 5% a 10% dos recursos em ações, fundos imobiliários e debêntures (títulos de dívida em que seu investimento é um empréstimo para a uma empresa).