Nem Te Conto

'Escolhi ser respeitada', revela atriz Nana Gouvêa

Passado de Nana conta, por exemplo, com nove capas de revistas masculinas, microfantasias de carnaval e inúmeros ensaios sensuais e polêmicos

Agência O Globo
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Quando Jane Fonda incendiou o mundo interpretando a protagonista de “Barbarella”, Nana Gouvêa tinha apenas 7 anos e vivia na roça. Só foi assistir ao filme décadas mais tarde. Nem a americana imaginava que fosse se tornar o símbolo sexual da década de 1960 nos Estados Unidos, tão pouco a brasileira vislumbrava um dia ser famosa justamente pelo sex appeal que transpira.

Foto: Reprodução

No ano do cinquentenário do longa, uma paródia aos filmes de ficção científica da época, Nana começa a colher os frutos de sua mudança para Nova York e de uma nova postura profissional. A mocinha que ficava praticamente nua nas tardes de domingo dentro da “Banheira do Gugu” é hoje uma atriz cultuada pelos fãs de scifi e terror. Morando fora do Brasil há sete anos, Nana está de volta como convidada do Brazil Internacional Film Festival, que acontece em Teresópilis, na Região Serrana do Rio, e sai de lá com o “Prêmio Especial do Júri” por “Black Wake”, do qual é protagonista e produtora.

“Hoje sou uma mulher madura e não aquela menina bobinha que dizia qualquer bobagem para ser famosa”, avalia a atriz, que garante não se arrepender de nada do que fez na carreira, muitas vezes, associada às suas curvas e não ao intelecto: “De pensar na banheira, entro em pânico! Mas não é arrependimento. Fiz o que foi possível para sustentar minhas duas filhas. Não tive opções diferentes. Fiz o caminho que me foi apresentado”.

Nove capas nuas
O passado de Nana conta, por exemplo, com nove capas de revistas masculinas, microfantasias de carnaval e inúmeros ensaios sensuais e polêmicos. Hoje, avó aos 43 anos, ela sequer tem coragem de usar um biquíni na praia. “Nessa minitemporada fui caminhar de calça, meus biquínis parecem um coador de café”, descreve, aos risos.

Díficil acreditar, não é mesmo? Mas Nana aproveitou uma história de amor destas de filme para recomeçar. O marido Carlos Keyes, com quem foi morar há sete anos em solo americano, foi amor à primeira vista. “Conheci na sexta-feira, no Theatro Municipal, num show que ele produzia. Passamos o fim de semana juntos e na sexta-feira seguinte estava indo encontrar com ele nos EUA”, recorda.

Paixão fulminante e ultimato
Foram muitas idas e vindas até ela dar seu recado. “Disse: ‘Tenho uma vida no Brasil, estou bem estabelecida, possuo um apartamento em frente ao mar, com quatro quartos, três banheiros, duas garagens ocupadas. Não vou ficar nessa de ir e vir só pra gente ter noites tórridas e ponto’. No dia em que eu viria embora, ele se ajoelhou, me pediu em casamento e botou um anel na minha mão”, conta.

Carlos achava que Nana era uma espécie de Pamela Anderson carioca. “Ele não tinha muita noção até sair comigo às ruas. Era um tal de me pedirem foto, naquela época não tinha selfie e ele era o fotógrafo dos meus fãs”, diz. Em NY, Carlos não precisa exercer a função. Nana é uma dona de casa que acorda cedo, cuida do neto, cozinha, leva roupa para a lavanderia, faz faxina... O tempo se divide entre os cursos de interpretação, os muitos testes que faz e a família. “Tenho uma vida muito simples em comparação a que eu tinha aqui. E trabalho muito nos EUA, o que pouca gente sabe”, conta a atriz, que já tem mais um filme de terror engatilhado e a continuação de “Black wake”.

Contatos imediatos
A saudade do Brasil ela mata pelas redes sociais. Nana não punha os pés no Rio há três anos. Ainda não conseguiu rever os melhores amigos. Mas fez importantes contatos profissionais. “Fiz um novo cadastro na Globo, conversei com um diretor de cinema sobre uma comédia e tive ótimos papos com essa tribo da arte. Antes, não me sentia à vontade para entrar nesse círculo. Acho que nem deixavam. Vivi meu tempo de glamour e futilidade no passado. E dou importância a ele. Me permitiu fazer escolhas. Escolhi ser respeitada”.