E. C. Bahia

Artilheiro nos campos, Júnior também manda bem no surf

Atacante tricolor não larga a prancha nas horas vagas e já chegou a competir na adolescência, mas optou pelo futebol

Daniela Leone - Correio* (daniela.leone@redebahia.com.br)
- Atualizada em
Júnior começou a surfar na Praia de Iguape, em Fortaleza
Nada de chuteira e meião. Assim como o cenário, o uniforme também é outro. Pés descalços e bermuda de tactel. Debaixo do braço, a prancha ocupa o lugar que é da bola. Não é só estilo, não. Dentro d'água, Júnior também marca um golaço. Nas horas vagas, deixa o futebol e vira surfista. E as manobras são tão perfeitas quanto as do sábado, nas ondas do Avaí, em Pituaçu: dois gols na vitória por 3x2."O surfe me faz relaxar, é a minha terapia", disse na quarta, aproveitando a manhã de folga na praia. A paixão pelo surfe surgiu aos 10 anos, na Praia de Iguape, a 54 km de Fortaleza, cidade onde nasceu. "Minha tia tinha uma casa lá, então eu sempre ia brincar com meus primos nos finais de semana e nas férias da escola", conta. Ganhou uma prancha do pai e se amarrou tanto em pegar onda que começou a competir.Veja também: Joel escala time com Maranhão e Lulinha; Reinaldo entra no ataque e Júnior é sacado

Conquistou troféus e até pensou em seguir carreira. Durante a infância e a adolescência, Júnior cultivou os dois amores. "O futebol era mais na escola e o surfe nos finais de semana. Aí, foram crescendo juntos". Teve que escolher. "Com 17 anos, recebi um convite pra fazer um teste no Fortaleza, aí optei pelo futebol".

Barravento - Júnior foi revelado pelo clube cearense e seguiu carreira no gramado. A bola virou instrumento diário de trabalho, mas a prancha sempre teve lugar cativo. No apartamento onde mora, em Ondina, guarda cinco. Essa da foto ele estreou ontem. Antes de cair no mar, pediu às filhas Pamela, 12 anos, e Júlia, 11, que fizessem dedicatórias e desenhos. Número do paizão no Bahia, o 99 ganhou espaço no bico da prancha.

"No finalzinho de tarde, quando não tem treino, vou ali no Barravento". E chama a atenção. "Outro dia um torcedor olhou pra mim e falou que jamais imaginou me encontrar ali. Curtiu pra caramba e a gente surfou junto". Quando criança, Júnior babava ao ver ídolos como o americano Kelly Slater nas revistas. Aqui em Salvador, foi convidado por uma delas.

"Estar nas revistas de surfe era um sonho". Ontem, antes de curtir as ondas de Jaguaribe, posou para um ensaio fotográfico com as filhas. Fizeram pela primeira vez o Stand Up – modalidade praticada em pé, com um remo. "É difícil, viu? Mas achei legal, só que o surfe é mais a minha área mesmo". Sábado, novo ensaio, dessa vez, em São Januário. É aproveitar a maré de sorte pra usar um dos aprendizados do surfe. "Como a praia não é nossa, temos que ir com cautela. É a mesma coisa de surfar em praia que não conhece, não sabe se tem pedra, se é fundo", diz o artilheiro-surfista.